Projeto classifica como terroristas os movimentos antifascistas, enquanto presidente de fundação xinga negros

Se depender do deputado governista Daniel Silveira (PSL-RJ), as últimas passeatas Brasil afora contra o racismo seriam classificadas como atividades terroristas.

É exatamente isso que fez o parlamentar ao apresentar o Projeto de Lei 3019/20, na Câmara, que “Altera a Lei Antiterrorismo nº 13.260, de 16 de março de 2016, a fim de tipificar os grupos “antifas” (antifascistas) como organizações terroristas”.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que a proposta é absurda. “Não vamos perder nosso tempo com projetos que não terão apoio da maioria da Câmara.”

A despeito da declaração do presidente da Câmara, o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, chamou o movimento negro de “escória maldita” em uma reunião gravada sem que ele tivesse conhecimento.

Segundo áudio obtido pelo Estadão, o presidente da Fundação Palmares xingou Zumbi –que leva o nome da instituição que dirige– afirmando que ele era “filho da puta que escravizava pretos”, criticou o Dia da Consciência Negra, falou em demitir “esquerdista” e usou o termo “macumbeira” para se referir a uma mãe de santo.

No áudio a seguir, Sérgio Camargo chama dos integrantes do movimento negro de “vagabundos, escória maldita”. Ouça na postagem do Lobo Antifascista:

Em dezembro passado, Camargo chegou a ter nomeação para o cargo suspensa por causa de posts nos quais relativizou temas como escravidão e racismo no Brasil.

Clique aqui para ler a íntegra do projeto.

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Bolsonaristas fazem manifestação contra a esquerda em Curitiba

Um grupo de bolsonaristas ligado ao lutador de MMA Wanderlei Silva, realizou uma manifestação no início da noite desta terça-feira (2) em Curitiba.

O movimento foi uma resposta aos atos de vandalismo ocorridos depois da manifestação contra o racismo ocorrida ontem. Entre as depredações, uma bandeira do Brasil foi vandalizada em frente ao Palácio das Araucárias, sede do governo do Estado do Paraná.

Apesar dos organizadores da manifestação contra o racismo e o fascismo ocorrida ontem (1°) afirmarem que não tiveram nenhuma relação com o quebra-quebra ocorrido após o ato, os bolsonaristas transformaram a manifestação de hoje numa revanche e parecem dispostos ao confronto.

Eles marchavam aos gritos de “A nossa bandeira jamais será vermelha!”, afirmando que a destruição da bandeira do Brasil teria sido uma ação dos militantes da esquerda, o que não é verdade.

Perpétua Almeida alerta para risco de sabotagem de manifestações antifascistas

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) fez um alerta importante através do Twitter para que as manifestações em defesa da Democracia não sejam desvirtuadas por infiltrados.

Perpétua escreveu:

“Ou os movimentos em defesa da DEMOCRACIA se organizam antes de ir pra rua, com atenção redobrada, ou serão vítimas dos bandidos de extrema direita q se infiltram nas manifestações p tocar o terror igual fizeram em Curitiba e em 2013. Fazem isso pra p deslegitimar os movimentos.”

O alerta ecoa a depredação ocorrida após a manifestação desta segunda-feira em Curitiba. Basta uma vitrine quebrada, um carro vandalizado para que o foco da cobertura da mídia seja desviado e o vandalismo apareça mais que as bandeiras defendidas pelos manifestantes.

Também vale lembrar que as forças de segurança pública são essencialmente bolsonaristas. Isso já se refletiu no confronto ocorrido no domingo na Avenida Paulista. A Polícia de São Paulo agiu para dispersar os manifestantes pela democracia com bombas e tiros de balas de borracha; e protegeu os bolsonaristas, que estavam em número muito menor.

Em Curitiba, manifestação contra racismo termina com quebra-quebra e bombas

Um ato contra o genocídio negro em Curitiba, organizado por coletivos antirracistas e antifascistas, foi reprimido na noite de ontem (1) pela tropa de choque da Polícia Militar do Paraná.

Convocado pelas redes sociais, os cerca de 1.200 manifestantes se reuniram na Praça Santos Andrade, na frente do prédio do histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Centro da capital paranaense, onde fizeram um protesto pacífico denominado “Vidas negras Importam”.

Quando terminou o ato, parte dos manifestantes resolveu marchar até o Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná. No trajeto, um pequeno grupo de black blocs promoveu quebra-quebra em agencias bancárias e pontos de ônibus. Eles também queimaram a bandeira do Brasil, em protesto contra o governo do presidente Jair Bolsonaro.