Oposição e Bolsonaro se unem contra manifestações “Antifas” deste domingo, por motivos diferentes

O presidente Jair Bolsonaro e os partidos de oposição no Senado –Rede Sustentabilidade, PSB, PT, PDT, Cidadania, e do líder do PSD– se “uniram”, por motivos diferentes, contra as manifestações “Antifas” programadas para este domingo (7) em todo o País.

Preocupado com o alastramento dos protestos contra seu governo, Bolsonaro implorou na live desta quinta-feira (4) que as pessoas não irem nas manifestações no domingo.

“Não compareça nesse movimento, bando de marginais, não tem nada a oferecer. Querem o confronto. Em Curitiba teve quebra-quebra, na verdade black blocs, queimaram a bandeira”, disparou o presidente, com o semblante preocupado.

Temendo que a manifestação “Antifas” questione o desastre na economia, Bolsonaro apelou diversas vezes durante a transmissão de hoje: “Mais uma vez, não compareça domingo [na manifestação]. Esse pessoal, Antifas, novo nome dos black blocs querem roubar a sua liberdade.”

Já os líderes oposicionistas no Senado assinaram uma carta pedindo o cancelamento da manifestação antifascista em virtude da pandemia do coronavírus, que já matou mais de 32,5 mil pessoas no Brasil.

Apesar de a oposição no Senado “afrouxar a tanga”, inclusive a liderança petista, a direção nacional do PT divulgou nota hoje em solidariedade aos “atos legítimos e pacíficos”, orientando os participantes que redobrem os cuidados, usando máscaras para evitar contágio, mantendo distância e não entrando em provocações.

Abaixo, leia a íntegra da nota da oposição no Senado:

Os líderes dos diferentes partidos do Senado Federal, a saber a Rede Sustentabilidade, o PSB, o PDT, o Cidadania, o PSD e o PT, vem através desta nota desencorajar os brasileiros que, acertadamente, fazem oposição ao Sr. Jair Bolsonaro a irem às ruas nesse próximo domingo.

Nosso pedido parte da avaliação de que, não tendo o país ainda superado a pandemia, que agora avança em direção ao Brasil profundo, saindo das capitais e agravando nos interiores, precisamos redobrar os cuidados sanitários e ampliar a comunicação com a sociedade em prol do distanciamento social.

Bem certo que a organização de setores da sociedade aqueceu nossos corações de esperança, na certeza de que o Brasil já identificou que a política da presidência da república tem sido devastadora ao país e aliada do Coronavírus. Adiaremos à ida às ruas, pelo bem da população, até que possamos, sem riscos, ocupá-las, em prol da população.

Ademais, observando a escalada autoritária do governo federal, devemos preservar a vida e segurança dos brasileiros, não dando ao governo aquilo que ele exatamente deseja, o ambiente para atitudes arbitrárias.

Entendemos, portanto, que ainda não é o momento, em respeito às famílias de vítimas do Coronavírus e também daqueles que até hoje tem respeitado e com razões, baseado nos melhores estudos científicos, o isolamento como a melhor alternativa de combate à Covid-19. Continuaremos firmes na oposição das mais diversas formas que a situação pandêmica nos permite.

Assinam,

  • Randolfe Rodrigues, líder da Oposição e da Rede Sustentabilidade do Senado Federal;
  • Eliziane Gama, líder do Cidadania no Senado Federal;
  • Weverton Rocha, líder do PDT no Senado Federal;
  • Jaques Wagner, vice-líder do PT no Senado Federal;
  • Veneziano Vital do Rego, líder do PSB no Senado Federal; e
  • Otto Alencar, líder do PSD no Senado Federal.

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Marginais irão às ruas domingo, diz Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro chamou de “marginais” os movimentos “antifas” que irão às ruas neste domingo (7) em várias partes do País.
O presidente utilizou o Assessor Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Felipe G. Martins, como biombo para ideologizar a transmissão.

“Domingo agora, não participe do movimento, fique em casa”, recomendou Bolsonaro. “Deixem eles sozinhos”, disse.

O presidente chamou várias vezes os manifestantes de domingo de “marginais”.

“Esses marginais de preto –de coquetel molotov, soco inglês, etc. – quebram coisas”, criminalizou Bolsonaro.

O assessor Felipe Martins, demonstrando total desconhecimento da história, tentou ensinar ao cheque o que era “fascismo”.

“O senhor faz um governo antifascismo”, puxou o saco. “Fascismo quer estado grande, diferente do senhor”, afirmou. Na visão do assessor presidencial, os “Antifas” são terroristas.

“Não compareça nesse movimento, bando de marginais, não tem nada a oferecer. Querem o confronto. Em Curitiba teve quebra-quebra, na verdade black blocs, queimaram a bandeira”, disse Jair Bolsonaro, citando o lutador Wanderlei Silva que liderou uma manifestação contra a esquerda na capital paranaense.

No final da transmissão, mais uma vez, Bolsonaro implorou para que os brasileiros não saiam às ruas no domingo.

“Mais uma vez, não compareça domingo [na manifestação]. Esse pessoal, Antifas, novo nome dos black blocs querem roubar a sua liberdade”, insistiu.

O que é antifa

O movimento Antifa é uma conglomeração de grupos de esquerda. A principal característica dos grupos antifa é a sua oposição ao fascismo por quaisquer meios necessários. Eles atuam com táticas de militância em protestos expondo identidades de nazistas e fascistas e realizam manifestações contra a extrema-direita.

Assista ao vídeo da live de Bolsonaro: