Brasil ultrapassa 7 mil mortes e 100 mil casos confirmados de covid-19

O Ministério da Saúde divulgou hoje (3) novos números sobre a pandemia do novo coronavírus (covid-19) no país. De acordo com levantamento diário feito pela pasta, o Brasil tem 101.147 casos confirmados da doença e 7.025 mortes foram registradas. A taxa de letalidade é de 6,4%. O número de pessoas recuperadas da covid-19 é de 42.991.

Nas últimas 24 horas, o ministério registrou 4.588 novos casos e 275 mortes.

A região Sudeste registra 48.115 (47,6% dos casos) pacientes com a doença. Em seguida, aparecem as regiões Nordeste (30.022 – 29,7%), Norte (14.376 – 14,2%), Sul (5.526 – 5,5%) e Centro-Oeste (3.108 – 3,1%).

Os principais dados neste domingo são:

  • 7.025 mortes, no sábado (2) eram 6.750
  • Foram 275 mortes registradas em 24 horas
  • 101.147 casos foram confirmados e, no sábado (2), eram 96.559
  • Em 24 horas, foram 4.588 novos casos
  • A taxa de letalidade é de 6,9%
  • Há 42.991 pessoas recuperadas
  • 1.364 óbitos em investigação
  • Em São Paulo, são 31.772 casos e 2.627 mortes
  • No Rio de Janeiro, 11.139 pessoas estão infectadas e outras 1.019 foram a óbito

Quantidade de mortes por coronavírus em cada estado, de acordo com o Ministério da Saúde:

  • Acre (24);
  • Alagoas (64);
  • Amapá (43);
  • Amazonas (548);
  • Bahia (123);
  • Ceará (663);
  • Distrito Federal (33);
  • Espírito Santo (114);
  • Goiás (30);
  • Maranhão (237);
  • Mato Grosso (12);
  • Mato Grosso do Sul (10);
  • Minas Gerais (89);
  • Pará (309);
  • Paraná (93);
  • Paraíba (76);
  • Pernambuco (652);
  • Piauí (28);
  • Rio Grande do Norte (61);
  • Rio Grande do Sul (65);
  • Rio de Janeiro (1.019);
  • Rondônia (24);
  • Roraima (11);
  • Santa Catarina (52);
  • São Paulo (2.627);
  • Sergipe (14); e
  • Tocantins (4).

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Brasil pode se tornar foco mundial de Covid-19, destaca mídia internacional

O Brasil pode se tornar rapidamente o novo foco mundial da Covid-19, ressalta a imprensa internacional neste sábado (2). Reportagem da agência AFP, publicada em veículos franceses e distribuída para todo o mundo, indica que “o Brasil parece condenado a se tornar o próximo epicentro da crise planetária do coronavírus”, ao registrar “uma velocidade galopante” na propagação de casos.

“A questão não é saber se o Brasil será um dia o principal foco de contaminações no mundo: já é esse o caso”, explicou à agência Domingos Alves, do Laboratório de Informações sobre a Saúde da USP (Universidade de São Paulo). O coletivo de pesquisadores Covid-19 Brasil, do qual Alves faz parte, estima que o número real de novos casos registrados no Brasil na quinta-feira (30) era 16 vezes superior ao divulgado pelo Ministério da Saúde – 85.646 conforme os dados oficiais, contra 1,3 milhão projetados pelos cientistas.

“A título de comparação, os Estados Unidos, que hoje contam com o maior número de pessoas infectadas, acabam de superar oficialmente o patamar de 1 milhão”, ressalta o texto da AFP. A matéria lembra que, segundo o Imperial College de Londres, o Brasil tem o índice de contaminação mais elevado do mundo, de 2,8. Atualmente, o país é o segundo do mundo com o maior número de novos casos (6.209 na sexta-feira, 1˚ de maio), atrás apenas dos Estados Unidos.

O jornal Le Monde também dá destaque para “a impossível contagem dos mortos por Covid-19 no Brasil”. A reportagem exibe uma equação incompatível entre os dados oficiais de vítimas e o aumento do número de enterros em diversas municípios. Cidades como Fortaleza e São Paulo estão sendo obrigadas a abrir covas nos cemitérios para sepultar mortos que, ao que tudo indica, faleceram em decorrência da doença.

Especialistas reunidos no Observatório Covid-19 BR sublinharam ao Monde o número recorde de casos de Síndrome Respiratório Aguda Severa (Sras) registrados nos hospitais do país – e que podem esconder, na realidade, casos não notificados de coronavírus. Em meados de abril, “o Brasil tinha contabilizado oficialmente 3.364 mortes diretamente ligadas à Covid-19 em 2020, mas também 5.283 mortes por Sras ‘não-especificadas’ ou ‘em curso de investigação’”, explica o jornal francês. A AFP afirma que o número de casos de Sras estaria 1.200% acima do registrado no mesmo período do ano passado.

Deu no New York Times: Bolsonaro está por um fio por causa da pandemia de coronavírus

O New York Times, o maior jornal do mundo, anotou nesta sexta-feira (1º) que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro luta pela sobrevivência política, recorrendo a idosos militares capacitados. Segundo a publicação, ele é líder debilitado e deu aos generais do Brasil uma abertura para que eles se inserissem no poder.

O jornal retrata que Jair Bolsonaro chegou à Presidência do Brasil prometendo acabar com a corrupção, estimular a economia e acabar com a notória sujeira na política do país.

“Que diferença fazem 16 meses”, suspiram os repórteres Ernesto Londoño, Letícia Casado e Manuela Andreoni –autores do texto para o NYT.

A reportagem afirma que o presidente foi golpeado por uma torrente de investigações sobre ele e sua família. “Uma economia em queda livre e críticas ao manejo cavalheiresco de uma das epidemias de coronavírus que mais crescem no mundo, Bolsonaro está lutando pela sobrevivência política.”

“Agora, com a intensificação do pedidos de impeachment, ele está sendo acompanhado por um grupo cada vez menor de líderes que estão ganhando poder enorme à medida que seus problemas se multiplicam.”

Para o NYT, Bolsonaro tornou-se cada vez mais dependente de um quadro de anciãos militares, confiando a eles o maior poder que eles tinham desde que a ditadura militar terminou na década de 1980.

“E, apesar de suas primeiras promessas para limpar a política, ele se tornou altamente dependente de políticos de carreira [a exemplo do Centrão], incluindo vários prejudicados por acusações de corrupção, que estão ansiosos para extrair favores de um líder em dificuldades. Isso poderia dar a eles controle sobre bilhões de dólares em gastos públicos, à medida que o país entra em uma recessão grave”, escrevem os três repórteres.

A impressão do jornal americano é que há um clima de final de feira no governo Bolsonaro, que está por um fio na pandemia de coronavírus.

“A pandemia deixou Bolsonaro especialmente vulnerável. O Brasil está rapidamente se tornando um ponto quente global e esta semana superou o número de mortes relatadas pela China. No entanto, o presidente continua resistindo aos pedidos de quarentenas mais rigorosas e demonstra pouca empatia pelos mais de 6.300 brasileiros que morreram, provocando críticas generalizadas de que ele tem sido imprudente e insensível.”

“E daí? Desculpe, mas o que você quer que eu faça? ele disse esta semana sobre o crescente número de mortos, antes de fazer uma piada sobre seu nome do meio. “Meu nome é Messias, mas não posso fazer milagres.”

Seus problemas vão muito além do vírus, lembra o NYT. A presidência de Bolsonaro já vinha se debatendo há semanas – e então ele desencadeou uma inesperada crise política na semana passada.

Ele demitiu o chefe da polícia federal e a reação foi feroz. O ministro da Justiça Sergio Moro, o membro mais popular do gabinete, renunciou em protesto. Em uma tentativa de despedida extraordinária, Moro acusou o presidente de tentar obstruir a justiça, colocando um funcionário subserviente no comando de uma agência que investiga vários de seus aliados, incluindo um dos filhos de Bolsonaro.

Isso levou o Supremo Tribunal a abrir uma investigação sobre as ações de Bolsonaro e bloquear a nomeação de um novo chefe de Polícia Federal. Bolsonaro reagiu desafiadoramente, dizendo que não havia abandonado o “sonho” de ter um amigo da família no comando da força policial, aumentando a perspectiva de um choque institucional.

As demandas pela renúncia e impeachment do presidente estão ganhando força no Congresso, onde uma oposição sem líderes e díspares carece de um plano claro para derrubá-lo. Mesmo assim, os legisladores e a Suprema Corte estão deixando Bolsonaro com pouco espaço para manobrar.

“Ele é ilusório ao pensar que não está vinculado à Constituição”, disse Randolfe Rodrigues, um importante senador da oposição. “Espero que ele comece a descobrir que está sujeito ao estado de direito.”

O gabinete do presidente recusou entrevistas nesta semana. Mas, à medida que Bolsonaro se tornou radioativo para grande parte do establishment político da capital, Brasília, diplomatas e cientistas políticos começaram a adivinhar o quanto os tumultos que os generais que ocupam cargos de chefia vão tolerar.

A era Bolsonaro deu aos generais do Brasil uma abertura para se inserir de volta nas linhas de frente da política, um papel que eles tiveram durante a ditadura militar de 21 anos do país, que terminou em 1985.

Atualmente, oficiais ativos e ex-militares ocupam nove das 22 posições do gabinete, incluindo três que operam fora do palácio presidencial. Esses cargos deram ampla autoridade militar ao Brasil sobre questões como política fiscal, desenvolvimento na Amazônia e resposta à pandemia.

“Acho que esta é a melhor equipe do governo que tivemos nos últimos 30 anos, de longe”, disse o general Paulo Chagas, que se candidatou a um cargo, mas não está no governo, disse em entrevista. “No entanto, a vulnerabilidade do governo é seu próprio líder, que está sempre dando munição aos seus adversários.”

À medida que o caos toma conta da presidência de Bolsonaro, as especulações de que seu vice-presidente, general Hamilton Mourão, está se preparando para assumir o cargo, estão repletas de memes e conversas de bastidores. Mourão, às vezes, parece gostar do pandemônio.

Pouco depois de Bolsonaro demitir seu ministro da Saúde em 17 de abril – depois de reclamar do forte endosso das medidas de distanciamento social do ministro – o vice-presidente sorriu quando disse aos jornalistas : “Tudo está sob controle: simplesmente não sabemos quem.”

Amy Erica Smith, cientista política da Universidade Estadual de Iowa, especializada no Brasil, disse que os generais que amarraram seu lote a Bolsonaro agora devem estar preocupados com sua reputação pessoal e com a imagem dos militares como garantidor da ordem.

“A crise que estamos enfrentando aumenta a ameaça de que os militares decidam que a liderança civil não é eficaz e decidem assumir o controle”, disse ela. “Parece claro que os militares continuam tendo essa idéia de si mesmos como uma força tutelar na política”.

Analistas políticos dizem que uma aquisição militar convencional é impensável no Brasil de hoje, dada a força do Congresso, dos tribunais, da sociedade civil e da imprensa. Smith disse, porém, que os generais podem transformar Bolsonaro em um líder em figura de proa ou apoiar tacitamente os esforços para impeach-lo, o que deixaria Mourão no controle.

A súbita perspectiva de uma nova deposição presidencial quatro anos após o tumultuado impeachment da presidente Dilma Rousseff mexeu com a política em Brasília, onde os legisladores apresentaram pelo menos 29 petições de impeachment contra Bolsonaro.

Bolsonaro é o raro presidente sem partido político, quebrando fileiras com o que o levou ao poder em novembro passado. Apesar de ter passado quase três décadas no Congresso, ele não fez nenhum esforço para construir uma coalizão de governo na legislatura multipartidária do Brasil.

Isso levou um agrupamento de partidos de centro e centro-direita, informalmente conhecido como o centrão, a exigir cargos lucrativos e influentes do governo em troca de protegê-lo do impeachment.

Roberto Jefferson, ex-deputado do centrão no Congresso que admitiu ter desempenhado um papel de liderança em um esquema de propinas em 2005, disse que a sobrevivência política de Bolsonaro agora depende de acordos com corretores de energia no centrão, muitos dos quais também foram contaminados por alegações de corrupção.

“Toda parte tem seus pecadores”, disse Jefferson em entrevista. “Quem é um santo nesse reino?”

Os empregos pelos quais os líderes do centrão estão buscando dariam a seus partidos discrição em bilhões de dólares.

A aliança emergente do centrão com Bolsonaro também daria aos seus membros influência significativa sobre um enorme plano de gastos em infraestrutura pública anunciado por um membro militar do governo em um esforço para gerar empregos. A economia deverá contrair entre 5% e 9% este ano.

Analistas políticos veem esses planos como um anátema aos objetivos de austeridade de Bolsonaro e seu compromisso de romper com o tipo de negociação de cavalos que causou níveis surpreendentes de corrupção no passado.

Moro, um ex-juiz federal que se tornou a figura mais visível de uma repressão nacional contra a corrupção iniciada em 2014, diz que não acredita mais que o governo esteja comprometido em erradicar a corrupção.

“Concordei em me juntar ao governo Bolsonaro para fortalecer a luta contra a corrupção”, disse ele em uma mensagem de texto ao The New York Times. “Desisti quando concluí que não teria capacidade de avançar nessa área”.

A maneira como o presidente lidou com a crise dos coronavírus e a saída de Moro decepcionou alguns de seus partidários mais ricos e com melhor educação. Mas uma recente pesquisa de opinião pública realizada pela Datafolha, uma empresa de pesquisa brasileira líder, mostrou que 33% dos entrevistados continuaram a apoiá-lo, sugerindo que sua taxa geral de aprovação permaneceu relativamente estável.

Ao longo de sua campanha e presidência, Bolsonaro se beneficiou de campanhas bem organizadas e ágeis de propaganda e desinformação que ultrapassaram a imprensa, contando com plataformas de mídia social e aplicativos de mensagens de texto.

“O direito político no Brasil tem o sistema mais sofisticado para contar com apoiadores para espalhar desinformação ao público”, disse Marco Ruediger, pesquisador da Universidade Fundação Getulio Vargas que estuda desinformação política online.

Mas essa vantagem estratégica se tornou uma responsabilidade, à medida que a polícia federal e um comitê do congresso investigam a estrutura e o funcionamento de comunidades on-line sombrias que apóiam o presidente. Entre os que estão sob investigação estão dois dos filhos do presidente, Eduardo e Carlos Bolsonaro.

O tratamento errático do presidente do coronavírus, que ele chamou de “mísero resfriado”, testou a resiliência de seus apoiadores on-line, disse Ruediger.

Mas uma base que parece ser firme são os cristãos evangélicos, que apoiaram Bolsonaro firmemente durante a campanha.

Bolsonaro nos últimos dias acenou para as questões que animam esse círculo eleitoral, lembrando-os de sua oposição ao aborto e afirmando falsamente que a Organização Mundial da Saúde promove a homossexualidade e incentiva as crianças a se masturbarem.

“Todos os principais líderes de igrejas evangélicas no Brasil, todos continuam apoiando-o da mesma maneira”, disse Silas Malafaia, líder de uma das mega-igrejas do país, em entrevista. “Bolsonaro só perderá nosso apoio se ele acabar envolvido pessoalmente na corrupção.”

Do NYT, com acréscimo de informações.