Bolsonaro vai nomear novo diretor-geral da PF nesta segunda-feira

O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo (3) que amanhã, segunda-feira (4), irá nomear o novo diretor-geral da Polícia Federal. Sem citar nome do futuro comandante do órgão, o presidente afirmou que “chegou no limite” e “daqui para frente não tem mais conversa” e a Constituição “será cumprida a qualquer preço”.

Bolsonaro ficou irritado a semana inteira por causa da decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem para a PF. Até agora, a Polícia Federal segue com a estrutura antiga.

“Vocês sabem que o povo está conosco, as forças armadas ao lado da lei, da ordem, da democracia, liberdade também estão ao nosso lado. Vamos tocar o barco, peço a Deus que não tenhamos problema nessa semana, porque chegamos no limite, não tem mais conversa, daqui para frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição, ela será cumprida a qualquer preço. Amanhã nomeados novo diretor da PF, e o Brasil segue seu rumo”, afirmou em discurso publicado nas suas redes sociais.

Parte da Praça dos Três Poderes, em Brasília, foi tomada hoje por manifestantes pró-Bolsonaro. Eles acamparam em frente ao Congresso Nacional e, nesta tarde, se deslocara até o Palácio do Planalto, de onde o presidente da República os saudou.

Jair Bolsonaro recebeu a manifestação de apoio algumas horas depois de o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, depor na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba. Após 8 horas de interrogatório, o ex-juiz teria entregado áudios e mensagens que comprovariam a tentativa de interferência do presidente nas investigações da PF e do Supremo Tribunal Federal.

Apesar de as barracas serem padronizadas [Made in Véio da Havan], Bolsonaro jurou que a manifestação organizada em Brasília foi espontânea, com chefes de família, “pela governabilidade, democracia e liberdade”. Ele disse ainda que tem o povo ao seu lado e as Forças Armadas ao lado do povo pela “lei, ordem, democracia e liberdade.

Bolsonaro voltou a defender a volta ao trabalho e criticou governadores e prefeitos que estariam, de forma irresponsável, destruindo empregos. “Brasil como um todo reclama volta ao trabalho, essa distribuição de empregos irresponsável por parte de alguns governadores é inadmissível, o  preço será muito alto na frente, desemprego, miséria”, afirmou.

Para o presidente Jair Bolsonaro, “o País de forma altiva vai enfrentar seus problemas, sabemos do efeito do vírus, mas infelizmente muitos serão infectados, infelizmente muitos perderão suas vidas também, mas é uma realidade, e nós temos que enfrentar. Não podemos fazer com o que o efeito colateral do tratamento do combate ao vírus, seja mais danoso que o próprio vírus”.
 
O Brasil tem 97.929 casos do novo coronavírus (Sars-CoV-2) confirmados e 6.777 mortes, neste domingo, segundo o Ministério da Saúde e secretarias estaduais de saúde.

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Barracas do Véio da Havan no acampamento pró-Bolsonaro em Brasília

Moro no Fantástico

Aumentam as apostas de que o ex-ministro Sérgio Moro reservou para o programa Fantástico, da Globo, a “bomba” contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Numa entrevista à Veja, esta semana, o ex-ministro disse ter provas de que o ex-chefe tentou interferir em investigações da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal.

Após depoimento de mais de 8 horas, na Polícia Federal de Curitiba, em inquérito aberto a pedido da PGR, Moro ainda não falou com a imprensa e ele deve estar com tremedeira por causa dessa abstinência.

Até agora, o ex-ministro só escreveu um lacônico Twitter: “Há lealdades maiores do que as pessoais”.

Sempre foi uma praxe do ex-juiz da Lava Jato vazar seletivamente informações para a velha mídia, que vestiu sua camisa nos últimos seis anos. Possivelmente, Sergio Moro usara desse mesmo expediente para atingir Bolsonaro –seu hipotético adversário eleitoral em 2022.

Para o advogado Wadih Damous, ex-deputado e ex-presidente da OAB do Rio, acerca do depoimento, disse que “ou dali sai uma bomba nuclear que leva Bolsonaro e seu governo de roldão ou a montanha terá parido um rato”.

“Aliás, se ex-juiz tinha tantas provas por que não denunciou o seu ex-chefe a tempo e a hora? Prevaricou. E mostrou ser mau caráter”, disparou Damous.

Aparecendo ou não no Fantástico, na noite deste domingo (3), Sérgio Moro já está em franca campanha. O ex-ministro e ex-juiz espalhou outdoors pela cidade de Curitiba, com sua foto, dizendo “Faça a coisa certa, sempre!”. A peça publicitária é “assinada” pelas hashtags #somostodossergiomoro #somostodoslavajato e pelos movimentos fake “Vem Pra Rua” e “Lava Togas”.

Moro responde Bolsonaro pelo Twitter

Alvo de protestos durante seu depoimento na PF, em Curitiba, o ex-ministro Sérgio Moro tentou explicar “telegraficamente” sua delação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Há lealdades maiores do que as pessoais”, escreveu no Twitter neste domingo (3).

O ex-ministro da Justiça foi chamado de “Judas” por Bolsonaro e correligionários do presidente da República xingam o ex-juiz da Lava Jato de “traída” –dentre outros adjetivos mais chulos e impublicáveis.

Na mensagem concisa na rede social, Sérgio Moro não explicou a presença do advogado Rodrigo Sanchez Ríos, que o acompanhou no depoimento de mais de 8 horas na Superintendência da Polícia Federal de Curitiba.

Sanchez Ríos foi o mesmo advogado que defendeu Marcelo Odebrecht das acusações do ex-juiz Moro na Lava Jato. O causídico foi quem preparou os termos da delação premiada do empreiteiro.

A respeito disso, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) vem retuitando informações sobre essa “relação perigosa” entre Moro e o defensor de Odebrecht.

“O advogado do Sérgio Mentiroso é o mesmo da Odebrecht. Esse é o tweet. Kkkk”, reverberou o filho do presidente Jair Bolsonaro, tido como chefe do “gabinete do ódio” no Palácio do Planalto.