Assassinato de menino de 14 anos em São Gonçalo revolta o país

Publicado em 19 maio, 2020

O menino João Pedro, de 14 anos, foi morto em sua casa, durante uma operação das Polícias Federal e Civil no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, na noite desta segunda-feira (18).

De acordo com relatos, os policiais jogaram granadas e atiraram contra a casa. A versão da Polícia Civil afirma que o adolescente foi atingido durante confronto na comunidade enquanto agentes federais e civis atuavam na região.

“Um jovem de 14 anos, um jovem com um futuro brilhante pela frente, que já sabia o que queria do seu futuro. Mas, infelizmente a polícia interrompeu o sonho do meu filho. A polícia chegou lá de uma maneira cruel, atirando, jogando granada, sem perguntar quem era”, lamentou o pai.

Após ser baleado, João Pedro foi levado no helicóptero da polícia, sem o consentimento da família, que só teve conhecimento da morte do rapaz na manhã desta terça-feira (19). Após uma busca em diversos hospitais, o corpo do adolescente foi encontrado no Instituto Médico Legal (IML) de São Gonçalo.

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI) instaurou inquérito para apurar a morte do adolescente. Foi realizada perícia no local e duas testemunhas prestaram depoimento. Os policiais foram ouvidos e as armas apreendidas para confronto balístico.

A morte de João Pedro resultou em revolta e indignação nas redes sociais. O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Guilherme Boulos, lembra que a população da favela continua sendo assassinada, mesmo durante a pandemia do novo coronavírus.

“Mais uma vítima da política de segurança genocida contra pobres e negros. Witzel posa de “defensor da vida” na pandemia, mas é agente da morte nas favelas cariocas”, publicou.

A deputada federal Talíria Petrone (Psol-RJ) lembra que João entra na estatística brasileira em que um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos. “Depois de horas sem saber do filho, a família do João Pedro, jovem de 14 anos baleado dentro de casa, descobre que ele está no IML. Desumano. Triste. Avassalador. Até quando o Estado vai enxugar o sangue de jovens, pretos e favelados?”, indagou.

“João Pedro foi encontrado no IML. Uma vida arrancada pela violência policial e novamente choramos. Um jovem negro em sua casa com mil possibilidades impedido de viver não por estar no ‘meio da guerra às drogas’, mas porque ela é feita para exterminar corpos como o dele”, criticou a cientista social e youtuber Nátaly Neri.

Nesta terça-feira, praticamente a metade dos assuntos mais comentados do país são relacionados ao assassinato de João Pedro.

Menino de 14; #VidasNegrasImportam; João Pedro; ASSASSINADO; #JUSTICAPARAJOAOPEDRO; DENTRO DE CASA; Witzel; ATÉ QUANDO; São Gonçalo; Complexo; são alguns dos assuntos que estão nos trending topics.

Veja algumas das postagens:

Bolsonaro e Witzel vão se manifestar?

Com informações da Rede Brasil Atual

Paulo Marinho depõe à PF nesta quarta-feira sobre vazamento de operação

O empresário Paulo Marinho deve falar à Polícia Federal (PF) nesta quarta-feira (20), no Rio de Janeiro. O depoimento deve ocorrer às 15 horas, de acordo com a jornalista Andreia Sadi, do G1.

Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo no último domingo (17), Marinho afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) foi avisado com antecedência por um delegado da PF sobre a Operação Furna da Onça e que seu assessor Fabrício Queiroz seria um dos alvos.

LEIA TAMBÉM:
PT, PSOL e Rede pedem no Conselho de Ética do Senado cassação de Flávio Bolsonaro

“Tem alguma coisa de podre no reino do Brasil”, diz editorial do Le Monde sobre governo Bolsonaro

A vital, delicada e perigosa interdição

Nesta segunda-feira (18), o empresário disse que tem “elementos que comprovam” seu relato. Marinho foi um dos principais apoiadores da campanha presidencial que elegeu Jair Bolsonaro e é suplente de senador de Flávio.

Com as declarações, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu depoimento de Marinho no âmbito do inquérito que está no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura suposta interferência política de Bolsonaro na PF, com base em acusações de Sérgio Moro, ex-ministro da Justiça.