A vital, delicada e perigosa interdição

Publicado em 19 maio, 2020

O líder do PT na Câmara, deputado Enio Verri (PT-PR), acusa o presidente Jair Bolsonaro de ser o responsável pela contaminação de “parte” de 250 mil pessoas pelo coronavírus e morte de 17 mil brasileiros e brasileiras.

“Dos mais de 250 mil contaminados e 17 mil mortos, uma parte se deve às desavergonhadas e indecentes saídas de Bolsonaro para estimular a reabertura do comércio”, afirma o líder petista, que emenda: “quando não para pedir a supressão da democracia.”

Enio Verri não tem dúvidas dos planos genocidas do presidente da República, que luta para encobrir seus crimes e de familiares.

“Bolsonaro é um incendiário e genocida, que não tem escrúpulos em convocar seu seus seguidores para se contaminarem em nome de um presidente cuja única preocupação é evitar que o sumido Queiroz seja obrigado a abrir a boca e revelar que o controle da Polícia Federal, caso ela não desminta, já sofresse ingerência, desde antes das eleições de 2018, dispa o parlamentar do PT.

Leia a íntegra do artigo:

A vital, delicada e perigosa interdição

Enio Verri*

Contra a presidenta Dilma Rousseff, o que se tinha era uma acusação mal-ajambrada de pedaladas fiscais, o rancor de parlamentares à disposição de um bom negócio, mas ignorados, quando não rechaçados pela presidenta e uma campanha diária dos maiores conglomerados de comunicação do País, de inoculação de ódio na população, contra o Partidos dos Trabalhadores e as esquerdas de um modo geral. Depois de o poder tomado, o Judiciário reconheceu que Dilma não cometeu crime algum. Os parlamentares à venda encontraram em Temer um lucrativo aliado para quem aprovaram a EC95, reformas trabalhistas e o arquivamento de pedido de investigação contra o golpista decorativo. Já a imprensa comercial, precisa sustentar o ministro da Economia, Paulo Guedes, mas morre de vergonha do eleito, que é uma usina de crises.

É profundamente triste a consciência da necessidade de se colocar em andamento um processo de impeachment do presidente, ainda mais durante a crise sanitária. Porém, é isso ou as suas ostensivas e calculadas omissão e negligência causarão uma crise humanitária sem precedentes num dos 10 países mais ricos do mundo. Dos mais de 250 mil contaminados e 17 mil mortos, uma parte se deve às desavergonhadas e indecentes saídas de Bolsonaro para estimular a reabertura do comércio, quando não para pedir a supressão da democracia. A outra, são os números que os governadores não conseguiram evitar porque os recursos do governo federal ainda não chegaram aos estados. Soma-se ao crime de abandono da população, o envolvimento do presidente não a uma tentativa de controlar parte da Polícia Federal, apenas, mas de participação de uma fraude eleitoral.

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O relator da operação Furna da Onça emitiu uma nota em que confessou ter participado da decisão construída com a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e o Judiciário, de não deflagrar a operação que atingiria o senador Flávio Bolsonaro, entre os 1º e a 2º turnos, com a justificativa de não atingir candidatos em disputa eleitoral. Porém, na mesma semana em que tomaram todos os cuidados para não melindrar o preferido de parte da PF, que foi respeitada e valorizada nos governos do PT, a imprensa recebe o vazamento de uma requentada delação premiada e vazia, de Antônio Palocci, que não continha uma única vírgula que comprometesse Lula, Dilma, ou o PT. Porém, ele cumpriu o seu papel. Foi divulgado com estardalhaço suficiente para prejudicar a candidatura do adversário do protegido da Polícia Federal, Fernando Haddad.

O nome disso é fraude e, com tal, deve ser investigada. Caso confirmada, abre-se um processo de cancelamento do pleito de 2018, com a convocação de novas eleições. A crise sanitária dispensa descrever a complexidade e a delicadeza desse processo, que deve ser feito com a participação de todas as forças progressistas para quem a democracia seja um pilar inegociável. O País não pode cair nas mãos de grupos aventureiros, como os que deram o golpe, de 2016. Eles não tem ligação alguma com o Brasil e não lhes importa se o País entrar em convulsão social. Aliás, para essa turma, quando maior o caos, melhor. O objetivo de tirar Bolsonaro é, justamente, evitar que ele aprofunde as crises política, social, econômica, cultural pelas quais passa o Brasil.

Da mesma forma, tudo deve ocorrer dentro do mais transparente e seguro processo democrático, com um muito bem montado aparato que coíba manifestações públicas que gerem aglomeração e incitação de embate entre as forças opostas. Portanto, com a necessidade de se estabelecer tais condições de segurança e transparência, o processo corre o sério risco de sabotagem. Bolsonaro é um incendiário e genocida, que não tem escrúpulos em convocar seu seus seguidores para se contaminarem em nome de um presidente cuja única preocupação é evitar que o sumido Queiroz seja obrigado a abrir a boca e revelar que o controle da Polícia Federal, caso ela não desminta, já sofresse ingerência, desde antes das eleições de 2018. A reflexão é urgente e deve ser feita por todas as forças que entendem a necessidade de proteger a população brasileira, notadamente a pobre, abandonada por Bolsonaro e seu desgoverno que nem ministro da Saúde tem.

*Enio Verri é economista e professor aposentado do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e está deputado federal e líder da bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados.