Trabalho intermitente cresce 70% em 2019 no Brasil

Dois anos após a aprovação da reforma trabalhista, o trabalho intermitente disparou. Em novembro, 12% das vagas criadas com carteira assinada no País foram de trabalho intermitente. Ao todo, 11.354 dos 99.232 postos abertos no mês passado foram desse tipo – um recorde.

Nessa modalidade, criada pelas novas regras, o funcionário é contratado, mas nem sempre trabalha. Ele tem de ficar à disposição da empresa para eventualmente ser chamado ao serviço apenas algumas vezes por semana.

Empresas de diferentes portes já aderiram a esse modelo precário, incluindo grandes redes como Lojas Renner, Magazine Luiza, Burger King e hotéis Hilton. Se nos primeiros 12 meses após a reforma (que foi aprovada em novembro de 2017) apenas 47.729 vagas foram criadas com trabalho intermitente, nos últimos 12 meses foram 82.536: um salto de 70%.

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Segundo especialistas, ainda que garanta salário e benefícios como férias e 13º, o contrato por trabalho intermitente é mais precário do que o modelo convencional. Isso porque o trabalhador é obrigado a abrir mão de vários direitos. Mesmo os benefícios acertados com o empregado são proporcionais aos dias trabalhados.

Segundo Daniel Duque, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), a tendência é que o trabalho intermitente continue aumentando seu peso na economia. As vantagens são óbvias – para quem emprega, mas não para quem trabalha.

“Com o contrato intermitente, as empresas podem modelar sua contratação de acordo com a demanda, como feriados e períodos de férias. Setores que trabalham com capacidade ociosa têm maior potencial de adesão ao modelo”, afirma Daniel.

Nas últimas semanas, em plataformas de recrutamento, redes varejistas como Magazine Luiza, Renner e Riachuelo anunciaram vagas intermitentes para assistente de loja. Procuradas, as redes não deram detalhes sobre as contratações.

De acordo com dados do Ministério da Economia, a ocupação que mais contratou trabalhadores intermitentes no mês de novembro foi assistente de vendas (7,3 mil), seguida por servente de obras (2,7 mil), cozinheiro geral (1,9 mil), faxineiro (1,8 mil) e garçom (1,7 mil).

As informações são do Portal Vermelho.