Por Enio Verri

Desperte, Paraná

Publicado em 30/07/2019

Está faltando clareza à classe trabalhadora para perceber quem está a favor e quem está contra ela. Cerca de 70% dos trabalhadores paranaenses ficarão sem o PIS, porque seus rendimentos mensais, que não ultrapassam dois salários mínimos, passam de R$ 1.364,43. Esses são os privilegiados que os governos federal e estadual combatem. Bolsonaro e o governador, Carlos Massa Ratinho Júnior, negam esse direito humanitário a mais de um milhão de trabalhadores. E as ruas, independentemente de partido, ou de ideologia, estão vazias de uma população indignada com a supressão de direitos básicos, de subsistência, num dos países mais desiguais do mundo. Desde a reforma da Previdência ao contingenciamento dos recursos para a Educação, passando pelo asfixiamento dos sindicatos, há uma clara ofensiva contra a classe trabalhadora para que ela não consiga se mobilizar, por falta de condições para se organizar.

Infelizmente, o modus operandi de um governo ultraliberal com os recursos do Estado é o de favorecimento ao mercado privado, seja ele qual for. A elite possui parlamentares submissos, lacaios que não acreditam no potencial criativo dos cientistas brasileiros, os mesmos que retiram óleo do pré-sal, constroem acelerador de partículas, desenvolvem vacinas, entre tantas outras criações da ciência brasileira. Nesse sentido, é aviltante a proposta do governador Ratinho, de dividir a recomposição inflacionária, de 4,96%, aos profissionais do Estado, entre os quais, os que formam todos os demais profissionais de uma sociedade, os professores. A política adotada pelo governador denota a importância que ele dá a esses profissionais.

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Pelo silêncio das ruas, parece que a sociedade concorda com o governador. Quando a rua não protesta, consente com alguns parlamentares e com o governador, para quem quanto menos escola pública e mais escola privada, melhor. Quanto menos remunerado e mais sucateado o servidor público, melhor para a iniciativa privada. O governo do estado segue o velho caminho privatista de arrocho nos consumidores e desmonte do Estado. Um dos principais motivos do faturamento de R$ 1,1 bilhão da Copel, no primeiro trimestre de 2019, foi o reajuste de quase 16% na tarifa de energia elétrica paga pelo consumidor. A sociedade paranaense parece não enxergar que, enquanto a Copel paga R$ 506 milhões de lucro líquido, o governo divide 4,96% dos que mantém o funcionamento o estado do Paraná. Não é demais lembrar que o governo renunciará, em 2019, a R$ 10,5 bilhões, em impostos de empresários, entre os quais, muitos latifundiários.

Para a classe trabalhadora, cortes e sacrifício. De 1,5 milhão de trabalhadores do Paraná que teria direito ao abono do PIS, apenas 466 mil terão acesso ao recurso de um salário mínimo. É difícil imaginar uma sociedade que permita a um governo agir contra os interesses do bem geral, sem que as ruas já não estivessem completamente tomadas. As mais recentes revelações da agência de notícias Intercept Brasil reforçam a crença de que Bolsonaro e toda uma leva de políticos foram eleitos sob condições adversas, que favoreceram o ressurgimento do pensamento ultraliberal de direita, conservador e moralista, encoberto por uma investigação, até então, acima de qualquer suspeita. Duro com a classe trabalhadora, afável com os donos dos meios de produção.

Enquanto os trabalhadores não perceberem a diferença no tratamento, não haverá maneira de organização. A guerra ainda não está perdida. Assimilar a realidade é papel de todas as pessoas que se pretendem conscientes e que têm muito a perder com os governos federal e estadual. Para o bem da história e da atual conjuntura, é fundamental ter clareza sobre os fatos expostos e não tergiversar deles. Além da democracia, que é o maior bem em jogo, a pauta da reforma da Previdência ainda não se esgotou. Os três senadores do Paraná devem ser cobrados todos os dias para rejeitarem a tal reforma, que deixará não apenas os trabalhadores, mas o próprio estado do Paraná mais pobre.