Dallagnol e Moro fingiram imparcialidade para ferrar Lula, revela Intercept

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O ex-juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol não só blindaram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o FHC, como também fingiram que eram imparcial ao mandar para São Paulo –uma espécie de cemitério informal de denúncias contra tucanos– a acusação de caixa dois da Odebrecht para as eleições vitoriosas de 1994 e 1998. As revelações são do site Intercept, na noite desta terça-feira (18), na série de reportagens batizada de #VazaJato.

Segundo a reportagem sustentada em mensagens trocadas em Moro e Deltan, o processo contra FHC foi enviado para São Paulo com o intuito de passar “recado de imparcialidade”, qual seja, fingir isenção e tentar validar o bordão de que “a lei é para todos”.

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Esse trecho divulgado pelo Intercept é arrasador para os “dois acusadores’ da Lava Jato cujo diálogo ocorreu em 13 de abril de 2017:

Dallagnol – 13:26:42 – Foi enviado pra SP sem se analisar prescrição

Dallagnol – 13:27:27 – Suponho que de propósito. Talvez para passar recado de imparcialidade

Moro – 13:52:51 – Ah, não sei. Acho questionável pois melindra alguém cujo apoio é importante

Sim, Moro não quis melindrar [investigar] FHC. O então “impoluto” juiz não quis incomodar um ex-presidente tucano porque achava seu apoio importante…

A reportagem do site fundado pelo jornalista Glenn Greenwald lembra que FHC foi citado na Lava Jato pelo menos nove vezes e que, se tivesse sido investigado, não haveria prescrição em todos os crimes cometidos pelo ex-presidente tucano.

Os procuradores da Lava Jato não quiseram investigar FHC, de acordo com o Intercept, porque isso daria margem para a defesa do tucano alegar “questões tributárias” e essa linha corria risco de ser usada pelos advogados de Lula, alvo preferencial da força-tarefa em todas as conversas secretas.

“O plano de Moro – manter FHC como seu aliado, protegendo-o de processos judiciais – funcionou. FHC é grato a Moro, como deveria ser. Assim que publicamos nossas primeiras exposições #VazaJato, FHC foi um dos primeiros a defender Moro e LJ. A gratidão de FHC é compreensível”, escreveu Greenwald, ao referir-se à declaração do tucano que viu “tempestade num copo d’água nos vazamentos das conversas”.

Resumo da ópera: no mundo da Lava Jato, a lei é só para Lula e o PT; os tucanos são inimputáveis aos olhos de Moro, Deltan & Cia.

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