Por Esmael Morais

Argentinos farão protesto contra visita de Bolsonaro nesta quinta

Publicado em 05/06/2019

Partidos políticos de esquerda, movimentos sociais e sindicais da Argentina farão protesto contra a visita do presidente Jair Bolsonaro a Buenos Aires nesta quinta-feira (6). A visita do presidente brasileiro ocorre em meio ao imenso desgaste político de seu colega Mauricio Macri.

A manifestação está marcada para ocorrer durante a tarde na Praça de Maio, na região central da capital do país, onde fica a Casa Rosada, a sede do governo. No local, Bolsonaro será recebido pelo presidente da Argentina, Mauricio Macri.

“A ascensão de Bolsonaro à presidência e sua contínua apologia à tortura e à discriminação fazem com que no Brasil cresçam todos os indicadores de violência racista, de gênero, feminicídios, homofobia e transfobia”, denunaciam os organizadores do movimento #ArgentinaRechazaBolsonaro (Argentina rechaça Bolsonaro).

Entre as organizações que convocam os atos de protestos estão a Central dos Trabalhadores da Argentina (CTA), a Federação Argentina LGTB, a Mesa Nacional pela Igualdade e Contra Discriminação e a plataforma “Ni una a Menos” contra violência às mulheres.

A pauta dos protestos aborda também a defesa da soberania nacional, a solidariedade latino-americana e críticas aos ajustes neoliberais de Bolsonaro e Macri.

“O povo do Brasil sofre uma política de ajustes, privatizações e repressão que cresceu nos últimos meses. O governo brasileiro registrou no primeiro trimestre de 2019 um aumento do desemprego em 14 de seus 27 estados e um considerável aumento da pobreza”, diz um trecho de convocação do organizadores do protesto.

Esta será a primeira visita de Bolsonaro a Argentina. No encontro, serão tratados temas da agenda bilateral entre os dois países, a integração internacional e Mercosul

Em um país em que a ditadura é lembrada todas as quintas-feiras, quando as Avós da Praça de Maio voltam a seu ponto de encontro e leem o nome de parentes desaparecidos, os discursos de Bolsonaro podem ser mal recebidos e a associação do brasileiro com Macri, mal vista pelos eleitores – a eleição será em 27 de outubro e a chapa Alberto Fernández e Cristina Kirchner lidera as pesquisas.

“O presidente brasileiro é desprezível. Na Argentina, é muito claro que os militares sequestraram e desapareceram não só com militantes da luta armada, mas também estudantes, professores e trabalhadores. Neste país, esse discurso de ódio se sustenta apenas em setores minoritários”, diz Agustín Cetrángulo, da associação H.I.J.O.S. (sigla que significa “filhos pela identidade e justiça contra o esquecimento e o silêncio”).

*Com informações do Estadão/Agências Internacionais