Seria justificável o auxílio-moradia se juízes defendessem a nação

A velha mídia emenda na discussão do auxílio-moradia — que ela trata como uma questão moral — o pagamento de gratificações a desembargadores e juízes que acumularem “jurisdição, funções administrativas ou acervo processual”. A sociedade poderia até pagar esses penduricalhos de bom grado, se a magistratura ao menos defendesse o país e a soberania nacional. Não o faz, por isso é vítima deste debate umbilical, desgastante, despolitizado.

O ex-jornal curitibano Gazeta do Povo, por exemplo, aborda em editorial “as vias tortas da gratificação” no Tribunal de Justiça do Paraná. O blog se mostra pequeno ao querer economizar no “cafezinho” e torrar trilhões de reais pela ausência de projeto de desenvolvimento e de brasilidade. Afinal, o que seria mais importante para o país, a defesa do estratégico petróleo e das empresas públicas — que valem a nossa independência enquanto nação — ou o histérico debate sobre gratificações?

Nesta quinta (22) haverá a apreciação no STF do auxílio-moradia de R$ 4,3 mil por mês a juízes, procuradores e servidores com carreira de Estado. Mas antes de ser uma questão moral é uma pauta política. A sociedade não está enxergando que a magistratura está fazendo jus ao benefício.

O fetiche do combate à corrupção não é suficiente para juízes convencer a nação de que são merecedores de uma gratificação aqui e outra ali. Poderiam receber esses aumentos “por dentro”, no holerite, se estivessem sintonizados com os interesses do povo.

A magistratura está indo para as cordas por fazer vistas grossas ao desmonte do Estado Social. Portanto, esse debate “moral” da velha mídia é mais falso que uma nota de três reais.

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