Gleisi: O modelo perverso de Temer

gleisi_graficoA senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), em sua coluna desta segunda (26), diz que o ilegítimo Michel Temer (PMDB) adota o modelo neoliberal na economia que não deu certo em nenhum lugar do mundo. “Até mesmo o FMI, queridinho de Vossa Excelência e de seus aliados de ocasião, já deu a mão à palmatória e reconheceu que o receituário neoliberal do próprio Fundo para o crescimento econômico sustentável em países em desenvolvimento pode ter efeitos nocivos de longo prazo”, escreve a parlamentar.

O modelo perverso de Temer

Gleisi Hoffmann*

Na semana passada, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou estudo mostrando que, no segundo trimestre deste ano, a renda dos trabalhadores que estão entre os 10% mais bem remunerados do país aumentou 2,4% em termos reais, na comparação com o mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, a Carta de Conjuntura do Ipea apontou que as maiores perdas salariais foram registradas entre os mais vulneráveis, que recebem menos que o salário mínimo, e entre os que têm rendimento médio de R$ 2 mil. Nesses grupos a queda média em 12 meses foi de 8,8%.

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou, também na semana passada, que mais da metade (51,8%) das negociações coletivas com vigência em agosto resultaram em reajustes salariais abaixo da inflação. E o que é pior: além de não conseguirem aumento real em agosto, 17 categorias ainda tiveram redução de salário e de jornada. Esse quadro preocupante deixa claro que a recessão castiga em cheio os trabalhadores e contribui enormemente para o aumento da desigualdade em nosso país. Por isso, é preciso reagir, é preciso que o Estado volte a tomar medidas consistentes que possibilitem impulsionar a economia, gerar renda e riqueza. Não podemos permitir o retrocesso, com o agravamento das disparidades sociais.

Mas a nossa briga não é fácil. No modelo econômico de Michel Temer, o que prevalece é o “Estado mínimo”, o Estado do arrocho e do empobrecimento da população. E para implantá-lo, foi necessário deixar o caminho livre, patrocinando o golpe contra Dilma. Tanto é verdade, que em palestra a investidores internacionais, em Nova York, na última quarta-feira, o presidente golpista confessou, sem qualquer pudor, que o processo de impeachment foi a resposta a Dilma por ela ter se recusado a implantar o programa do PMDB, “Uma ponte para o futuro”, a carta aos brasileiros do escárnio e da maldade fiscal.

Para quem não se lembra – ou finge não se lembrar –, em 2013 e 2014 o Brasil vivia o que foi chamado de Pleno Emprego. A taxa de desemprego alcançou o menor patamar da história, a renda crescia e o mercado de trabalho cumpria um papel importante de desconcentrar a renda. Naqueles dois últimos anos do primeiro mandato de Dilma, começaram as teses de que nosso desemprego estava muito baixo e que isso gerava pressões inflacionárias. Vários analistas afirmavam que era preciso aumentar o desemprego para controlar a inflação.

Entre eles, nada menos que o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, que em março de 2013 escreveu em artigo: “Na atual conjuntura talvez seja necessário desaquecer temporariamente tanto o consumo, adequando-o, no curto prazo, à oferta mais restrita, quanto o mercado de trabalho, para permitir adequar os aumentos de salários ao crescimento da produtividade do trabalho”.

Esses argumentos falaciosos decorriam do ganho obtido pelos trabalhadores durante os governos dos presidentes Lula e Dilma.

Revertendo uma tendência histórica, desde 2004, os salários passaram a aumentar a sua participação no PIB. Na série histórica do IBGE, vimos que de 1990 (36,4%) a 2004 (30,8%), houve queda da participação do salário no PIB, enquanto que pela nova metodologia do instituto, de 2004 (30,6%) a 2013 (34,3%) registrou-se aumento ininterrupto da participação dos salários (veja gráfico).

Essa evolução foi fruto de políticas ativas de aumento do salário mínimo e de queda do desemprego de forma contínua, elevando o poder de barganha dos trabalhadores na renda. Esse poder dos trabalhadores se refletia nas negociações salariais que garantiam aumento real a cada ano. E, ao contrário do que dizia a teoria econômica dominante, o aumento do salário era acompanhado pelo crescimento da oferta de emprego, e não queda. Como explicar isso? Muito simples – o aumento do consumo dos trabalhadores mantinha a economia girando.

Um dos principais autores das correntes não dominantes na economia, o professor polonês Michal Kalecki, já explicava, em 1943, no clássico artigo “Aspectos Políticos do Pleno Emprego”, o efeito desse aumento de poder de barganha sobre as elites. Nesse texto ele deixa claro que, para elites, é muito importante que o Estado não possa ter instrumentos para garantir o Pleno Emprego, pois é importante que o nível de atividade dependa exclusivamente do “estado de confiança” dos empresários.

A PEC 241 – que limita o aumento dos gastos do governo à inflação do ano anterior e irá impor uma queda da participação do Estado na economia – é justamente o instrumento necessário para impedir que qualquer governo, nos próximos 20 anos, possa fazer o que foi feito de 2003 a 2014. Ou seja, o governo que usurpou o poder de uma mulher legitimamente eleita por mais de 54 milhões de brasileiros quer colocar na Constituição a agenda neoliberal que o povo rejeitou nas urnas.

Ora, senhor Temer, o mundo mudou. Até mesmo o FMI, queridinho de Vossa Excelência e de seus aliados de ocasião, já deu a mão à palmatória e reconheceu que o receituário neoliberal do próprio Fundo para o crescimento econômico sustentável em países em desenvolvimento pode ter efeitos nocivos de longo prazo.

Se o senhor não sabe, em maio deste ano três economistas do FMI escreveram em artigo na revista “Finance&Development” que “os benefícios de algumas políticas que são uma parte importante da agenda neoliberal parecem ter sido um pouco exagerados”. Em meio ao debate na Europa sobre a crise em países como Portugal e Grécia, os economistas destacaram que as políticas de austeridade, que frequentemente reduzem o tamanho do Estado, não somente geram custos sociais substanciais, mas também prejudicam a demanda e aprofundam o desemprego. “Em vez de gerar crescimento, algumas políticas neoliberais aumentaram a desigualdade”, completam os técnicos do Fundo Monetário Internacional.

Chega de arrocho, chega de tentativas de acabar com os avanços sociais e as conquistas dos trabalhadores! E chega também de tantas humilhações patrocinadas pelas forças que querem destruir Lula e o PT para, dessa forma, entregar o Brasil de mão beijada a grupos internacionais e impor o que tem de mais perverso nos modelos econômicos liberais.

*Gleisi Hoffmann é senadora da República pelo Paraná. Foi ministra-chefe da Casa Civil e diretora financeira da Itaipu Binacional. Escreve no Blog do Esmael às segundas-feiras.

9 Comentários

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  1. Além da corrupção, a educação no país é FUNESTA:

    O PT; Faustão; Globo e a Educação. Aqui:

    Muita coisa para se cuidar em nosso país e estados. Não apenas a corrupção
    O Brasil pós-PT e a educação & a cultura.

    A REDE GLOBO é tipo TUDO ao que o PT adora.

    REDE GLOBO é exatamente do estilo do PT. Do jeito exato do PT… DA E-DU-CA-ÇÃO do PT.
    Ou seja: é BARANGA, mau gosto, populista, brega, protetora de TODO LIXO MUSICAL, antigo e tradicional, OS LIXOS DO RIO DE JANEIRO. Faustão. Foi a GLOBO que criou IVETE SANGALO (que fechou as Olimpíadas do Rio — a dita Cidade Maravilhosa).
    Tudo isso aí em cima que o PT ama, adora.

    Naturalmente que a política da Globo é diferente daqueloutra política do PT. Pensemos apenas naquilo que se entrecruza entre PeTê e a REDE GLOBO. O PT e Globo cruzam-se entre si. É apenas um recorte. Daquilo em que ambos se encontram perfeitamente: que são iguais (2+2=4), — não sequer semelhantes, mas iguaizinhos. Como gêmeos univitelinos.
    Ou seja: a cultura e a educação veiculadas são as MESMAS que o PT ADORA, cobiça, venera, reverencia e ACATA. Sempre sonhou e invejou: o que a Globo faz. Enfatizando, atenção: eu disse que a educação do PT é a mes-mís-sima da REDE GLOBO. ¿Para que então petista odiar a Globo?
    FAUSTÃO, Regina Casé, filminhos clichês, sentimentalismo exacerbado, simplismos e ingenuidades múltiplas, facilidades, ensinamento engana-trouxa; educação ruim e de 3ª categoria, defasada e retrógrada etc. etc.

    A Rede Globo é o PT; o PT é a REDE GLOBO.

  2. Veja

    Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann são casados há duas décadas. Ela, senadora da República, foi ­ministra-chefe da Casa Civil de Dilma Rousseff. Ele foi ministro do Planejamento no governo Lula e ministro das Comunicações no governo Dilma. Ambos são petistas. Ambos integram a seleta lista de companheiros da estrita confiança do ex e da ex-presidente. Ambos são investigados pela Operação Lava-Jato. Paulo Bernardo chegou a ser preso pela Polícia Federal há três meses. Gleisi é alvo de inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal que a colocam como beneficiária de dinheiro do petrolão. Embora os dois sejam investigados em frentes diferentes, as suspeitas que recaem sobre eles se entrelaçam. E, nestes tempos em que os políticos se esforçam para tentar restringir os flagrantes de roubalheira a inocentes deslizes destinados a financiar campanhas eleitorais, o casal petista é a mais perfeita prova de que caixa dois e corrupção são, quase sempre, inseparáveis — um casamento, digamos assim, sólido.

  3. FALTA de JUSTIÇA com CARÁTER.vergonha.

  4. Caralho velho, a gente vê de tudo nessa vida, vê inclusive esta senadora mal caráter falando em modelo perverso de administração!!!!! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Perverso cara narizinho é o modelo corruPTo que vocês adotaram, a forma como tentaram destruir o Brasil, os assaltos descriminados aos cofres públicos. Você não tem realmente vergonha na cara, não tem moral alguma para criticar quem quer que seja!!!!

  5. o capitão assim como uma bicha atacada todos os dias não se cansa de ofender ,,,gosta de fender os do golpe já 100 votos ,já gleise esta correta e certa em o que esta falando o ilegitimo temer golpista ….não governa para o brasil e sim para p mercado do capital vadio,os grandes corruptos ??????já o que se refere a PALOCCI quem deve tem que pagar e não de hoje que esta palocci esta encrencado esperamos que a justiça prove 100 convicção .

  6. Realmente o que deu certo foi o modelo petista. Temos a melhor educação do mundo, a melhor infraestrutura, a melhor segurança, o menor índice de desemprego e a menor inflação. Os brasileiros que pagam impostos e não surrupiam dinheiro dos aposentados devem se revoltar contra essa gente. Vivemos aqui e temos direito a exigir que nossos governantes sejam honestos e capazes. O que a tal da Gleisi e o tal do Requião tem feito pelo Paraná no senado federal? Qual o legado do Requião na prefeitura de Curitiba, com exceção de legalizar invasões. Que saudades do Lerner!

  7. Senadora, você é uma fraude completa. Ao invés de desempenhar sua função, age como ativista do PT. Você não recebe para fazer defesa de ninguém, recebe para representar o estado do PR. Volta para o trabalho e desce do palanque.

  8. E ela insiste, mesmo mas suja que pau de galinheiro. Não vai defender também outro petista (Palocci) inocentemente preso? A Operação está avançado e vai chegar lá até livrar o país dessa doença chamada PT.

    • Essa senadorazinha perdeu totalmente a vergonha na cara, acha que consegue enganar mais alguém!!!! Nem mesmo a PTzada estão acreditando nas falcatruas dela, quanto mais nas tolices ditas por esta idiota.