Nassif denuncia “poder de chantagem” que Lava Jato conquistou contra adversários políticos até no Supremo

nassif_veja_moroO jornalista Luis Nassif, no portal GGN, se solidarizou com o ministro do STF Dias Toffoli que foi alvo do “poder de chantagem” que a Lava Jato conquistou em conluio com a mídia golpista.

“O assassinato de reputação mostra o enorme poder de chantagem que a Lava Jato conquistou. Basta induzir um delator a mencionar qualquer coisa sobre um adversário da operação, para liquidar com seu nome. E tudo isso valendo-se do poder de Estado do qual estão revestidos delegados e procuradores. É a própria essência do Estado policial”, protesta o jornalista.

O atento senador Roberto Requião (PMDB-PR), sempre no olho do furacão, também registrou sua impressão sobre o fato:

“Pelo visto a agressão da Veja ao Tofoli não passa de mais uma safadeza imperdoável, insinuação canalha”, tuitou o parlamentar.

Abaixo, a íntegra do texto de Nassif:

A vingança torpe da Lava Jato contra Dias Toffoli

por Luís Nassif

Ontem à noite abri espaço para a capa da Veja com supostas denúncias de Léo Pinheiro da OAS, contra o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. A revista divulgara a capa, mas não o conteúdo da denúncia.

Lendo hoje de manhã, constato que não passou de uma vingança torpe da Lava Jato contra Toffoli, provavelmente devido ao fato de ele ter autorizado a libertação do ex-Ministro Paulo Bernardo.

A facilidade com que se assassinam reputações até de Ministros do STF mostra o grau de apodrecimento das instituições brasileiras.

A rigor, o que diz a matéria:

1. Que certo dia Toffoli pediu dicas para Léo Pinheiro sobre a impermebialização da sua casa. E Léo Pinheiro indicou uma empresa para fazer os serviços.

2. Não há nenhuma prova de que a OAS pagou a empresa. Toffoli diz que ele pagou. Léo PInheiro não diz que a OAS pagou.

3. A revista apresenta como evidência apenas um fato: se Léo Pinheiro mencionou o episódio nos preparativos para a delação, certamente é porque possui mais dados a serem apresentados quando a delação for formalizada. E nada mais disse.

Mas poderia tranquilamente ter ocorrido o seguinte:

1. Irritados com Toffoli, os operadores da Lava Jato exigem de Pinheiro qualquer coisa que envolva o nome do Ministro.

2. Com a qualquer coisa oferecida, procura-se alguma publicação especializada em assassinatos de reputação e publica-se.

3. Mais tarde, se não houver mais nenhuma evidência, fica-se por isso mesmo.

O assassinato de reputação mostra o enorme poder de chantagem que a Lava Jato conquistou. Basta induzir um delator a mencionar qualquer coisa sobre um adversário da operação, para liquidar com seu nome. E tudo isso valendo-se do poder de Estado do qual estão revestidos delegados e procuradores. É a própria essência do Estado policial.

Antes do impeachment, conversei com um MInistro do STF intimidado com os ataques feitos à sua esposa. Procurei acalmá-lo mostrando que nenhuma pessoa com discernimento acreditaria nos factoides divulgados. E ele:

– E as pessoas sem discernimento?

Minhas desculpas aqui ao Toffoli – por quem não nutro nenhuma admiração -, por ter acreditado que a mudança de direção de redação pudesse melhorar o jornalismo de Veja. E, ao STF, o óbvio: “Cria cuervos que te sacarán los ojos”.

Comentários encerrados.