Venezuela acusa Trump de ameaça colonialista ao fechar espaço aéreo

O governo da Venezuela chamou de “ameaça colonialista” a ordem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que declarou fechado todo o espaço aéreo sobre e ao redor do país, num movimento que eleva a tensão militar no Caribe e reacende temores de intervenção.

Caracas afirmou que a decisão viola a soberania venezuelana, desrespeita o direito internacional e suspendeu unilateralmente todos os voos de deportação, ponto sensível na política migratória da Casa Branca.

O comando militar dos EUA, pressionado por Trump, conduz desde setembro uma campanha letal contra embarcações suspeitas de tráfico de drogas. Foram ao menos 21 ataques no Caribe e no Pacífico, com mais de 80 mortos, segundo levantamentos da imprensa americana. A escala do arsenal empregado ultrapassa em muito operações de rotina antidrogas, alertam especialistas.

Trump, em uma postagem dirigida a “companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas”, ordenou que o espaço aéreo venezuelano fosse considerado “FECHADO EM SUA TOTALIDADE”. Não há voos diretos entre os dois países desde anos anteriores, mas companhias estrangeiras costumam seguir alertas da FAA, que recentemente classificou como “perigosa” a operação sobre o território venezuelano em razão do ambiente militarizado.

A resposta de Caracas veio horas depois. O governo Nicolás Maduro disse que não aceitará intimidações e denunciou que os EUA não têm qualquer autoridade sobre seu espaço aéreo. Também revogou direitos de operação de seis companhias internacionais que haviam suspendido voos após o aviso da agência americana.

A ofensiva de Trump ocorre enquanto Washington autoriza operações encobertas da CIA em território venezuelano e avalia ampliar ataques a alvos terrestres ligados ao narcotráfico. Fontes do Pentágono consultadas pela imprensa americana afirmam que unidades militares venezuelanas e instalações petrolíferas também estão entre as opções de ataque porque afetariam o financiamento do governo Maduro.

O presidente venezuelano, enquadrado pelos EUA como líder do “Cartel de los Soles”, nega participação no narcotráfico e afirma que Trump busca derrubá-lo pela força. A pressão militar se somou a uma reviravolta diplomática: o próprio Trump conversou recentemente por telefone com Maduro, acompanhado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, segundo reportagens americanas, discutindo até um possível encontro entre ambos.

No Congresso dos EUA, a escalada já provoca reação. O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, advertiu que Trump ameaça “arrastar o país para outra guerra cara” sem autorização legislativa. Especialistas em direito internacional lembram que ameaças ou ataques contra a Venezuela violariam a Carta da ONU.

Investigadores do Comitê de Serviços Armados do Senado, presidido pelo republicano Roger Wicker, anunciaram que vão revisar os ataques anteriores. Denúncias apontam que, na primeira operação em setembro, ordens verbais teriam determinado a eliminação total dos tripulantes de uma embarcação. O Pentágono nega extrajudiciais, mas admite que as ações são “letal e cinéticas”.

Enquanto isso, Maduro repete que o país está preparado para resistir. Para o Brasil e a América do Sul, o risco é imediato: qualquer passo em falso pode incendiar uma região que convive há anos com bloqueios econômicos, crises migratórias e disputas geopolíticas envolvendo China, Rússia e Estados Unidos.

A escalada militar no Caribe coloca a diplomacia regional diante de um teste decisivo num momento em que Washington amplia operações e Caracas denuncia que se trata de um novo capítulo da velha política intervencionista.

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