O presidente Trump tentou proteger Jair Bolsonaro da prisão, mas o Brasil não cedeu. As instituições resistiram à pressão externa, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e Trump, fragilizado, acabou retirando as tarifas e reconhecendo Lula como interlocutor.
A avaliação é do jornal americano The New York Times, nesta segunda-feira (24).
O episódio marca uma guinada na relação entre Washington e Brasília, expondo a mudança de ventos em torno do ex-presidente brasileiro, que já não conta com o salvador estrangeiro que imaginava ter.
Trump soltou da mão de Bolsonaro, portanto, como avaliou o Blog do Esmael no sábado (22).
Em julho, o presidente dos Estados Unidos protagonizou uma intervenção inédita. Enviou carta agressiva ao presidente Lula (PT) exigindo o recuo nas acusações de tentativa de golpe por parte de Jair Bolsonaro (PL).
A Casa Branca elevou tarifas para 50% e sancionou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, numa escalada que tensionou o comércio bilateral.
Nada disso funcionou.
STF, Polícia Federal e Judiciário seguiram seus próprios ritos. A condenação avançou e a prisão foi decretada após Bolsonaro queimar a tornozeleira com ferro de solda, segundo ele, efeito de medicamentos. Moraes, ao determinar a prisão, apontou risco de fuga pela proximidade da casa de Bolsonaro com a Embaixada dos EUA em Brasília.
Cinco meses depois da ofensiva, Trump retirou justamente as tarifas que usara como porrete diplomático. Foi a rendição silenciosa.
Nos bastidores, republicanos temiam a pressão interna pelo aumento do preço da carne e do café, boa parte importada do Brasil.
Lula saiu maior. Trump, durante reunião bilateral, disse ter “ótima química” com o presidente brasileiro e, na sequência, desejou-lhe feliz aniversário. Esse gesto, por si, simboliza o abandono definitivo de Bolsonaro.
O ex-presidente brasileiro, antes tratado como aliado preferencial, virou peça descartável.
Preso, sem poder político e condenado a 27 anos, tornou-se exemplo de até onde líderes externos podem ir, e até onde não conseguem ir, para protegê-lo.
Analistas avaliam que a tentativa de Trump de interferir no processo acabou endurecendo a pena, reforçando a percepção de que havia risco concreto de ingerência estrangeira.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro (PL-SP) enfrenta denúncias por tentar influenciar diretamente a Casa Branca. O clã, outrora celebrando o alinhamento com Washington, virou alvo da própria diplomacia americana.
A reaproximação entre Trump e Lula atende a objetivos estratégicos de ambos:
• Trump busca aliviar a inflação americana e garantir acesso a minerais estratégicos brasileiros.
• Lula reforça a posição do Brasil como potência soberana, insubmissa a pressões externas.
Washington não retirou as sanções contra Moraes, mas o gesto perdeu o peso original.
A narrativa central da diplomacia brasileira, soberania e autonomia, saiu fortalecida.
Lula resumiu o caso com ironia fina: “Trump precisa entender que somos um país soberano”.
A crise expôs os limites de Trump, o isolamento de Bolsonaro e a força das instituições brasileiras. Quem imaginou usar a Casa Branca como escudo descobriu que o real poder, no fim, continuava em Brasília.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




