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Trump diz que Brasil foi para esquerda radical e ameaça ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (5) que o Brasil deu uma guinada para a “esquerda radical” e estaria “se saindo muito mal”. O republicano, que já aplicou tarifas de 50% contra produtos brasileiros, não descartou restringir vistos de autoridades brasileiras durante a Assembleia Geral da ONU, marcada para este mês em Nova York.

Trump afirmou no Salão Oval da Casa Branca que “ama o povo do Brasil”, mas que está “muito chateado” com a condução do governo. Segundo ele, a guinada à esquerda estaria “prejudicando muito o país”. A fala se soma à escalada de críticas do presidente americano a países que não seguem a cartilha de Washington, como Rússia, China, Índia e Venezuela.

As sobretaxas impostas ao Brasil em agosto já provocaram queda de 18,5% nas exportações para os Estados Unidos, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O governo brasileiro calcula perdas de US$ 600 milhões apenas no primeiro mês do tarifaço, que afeta 35,9% da pauta exportadora. Enquanto isso, as importações de produtos americanos subiram 4,6% no mesmo período.

Trump também justificou as tarifas com base em “ações lamentáveis” do Brasil, sem citar diretamente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado, que serviu de pano de fundo para sanções recentes. Ministros como Alexandre de Moraes (STF) e Ricardo Lewandowski (Justiça) já foram alvo de retaliações americanas.

O endurecimento da Casa Branca ocorre em meio a uma estratégia de isolamento de governos considerados hostis ou autônomos em relação à política externa dos EUA. A ameaça de barrar delegações brasileiras na ONU amplia a tensão diplomática e atinge em cheio a imagem internacional americana.

Portanto, a ofensiva de Trump é mais uma tentativa de usar o comércio e a diplomacia como armas políticas, submetendo países soberanos à lógica dos interesses dos EUA. Cabe ao governo brasileiro reforçar a defesa da soberania nacional e articular alianças estratégicas com outros polos globais.

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Por tradição, cabe ao Brasil abrir as assembleias gerais da ONU desde 1948. Foto: Loey Felipe

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