A Universidade Federal do Paraná (UFPR) publicou nesta sexta-feira, 9 de outubro, uma nota em defesa da democracia, da liberdade acadêmica e da Constituição de 1988. Divulgado depois da manifestação por Lula (PT) na Praça Santos Andrade, em Curitiba, o documento afirma a independência da instituição diante dos governos, sem declarar apoio a candidato.
O texto, publicado às 17h58 no portal da universidade, estabelece um limite para qualquer governante: “nenhum governo está acima da Constituição”. Também afirma respeito ao resultado das urnas e à liberdade dos brasileiros de escolher seus representantes.
Na quinta-feira, 8 de outubro, estudantes lotaram a praça diante do prédio histórico da UFPR em apoio à reeleição de Lula e contra a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). Conforme a cobertura do Blog do Esmael, a convocação partiu de entidades estudantis, incluindo os diretórios centrais dos estudantes da UFPR e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).
A distinção importa: a participação de estudantes e de suas organizações em uma campanha não equivale a uma adesão institucional da universidade. O prédio histórico como cenário de um ato eleitoral também não transforma a instituição em integrante daquele palanque.
A nota não menciona Lula nem Flávio Bolsonaro. Tampouco atribui a qualquer candidatura um projeto de ataque à universidade. Seu posicionamento explícito é pela liberdade, pela democracia, pelo povo e pela Constituição.
A UFPR é dirigida pelo reitor Marcos Sunye e pela vice-reitora Camila Fachin, filha do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF). Ambos integram a gestão 2024–2028, mas assumiram os cargos em datas diferentes: Sunye recebeu a Reitoria em dezembro de 2024; Camila assumiu a Vice-Reitoria em março de 2025.
Isso não esvazia o conteúdo político do documento. Na leitura editorial do Blog do Esmael, a UFPR apresenta critérios pelos quais pretende enfrentar qualquer governo: preservação de direitos, liberdade de pensamento e condições para produzir conhecimento. O recado alcança quem vencer a eleição.
“Não aceitamos nenhum projeto de sucateamento que nos tire do objetivo de estar na fronteira da ciência e da tecnologia”, afirma a universidade.
Para sustentar essa posição, a instituição recupera sua própria história. Segundo a nota, em 1915, decretos federais ameaçaram sua continuidade, mas professores, estudantes e comunidade mantiveram as aulas e sustentaram a universidade com recursos próprios. O documento relaciona essa resistência à sobrevivência da instituição até sua federalização, em 1950.
A memória centenária serve de argumento para a defesa da autonomia: a universidade atravessou governos e crises porque sua existência responde a uma necessidade da sociedade.
“Porque a universidade não pertence a governo nenhum. Ela pertence à sociedade, pertence ao Brasil e aos brasileiros”, registra o texto.
Os entendidos entenderão o recado, mas a interpretação precisa respeitar o que foi escrito. Defender a democracia tem consequências políticas; converter essa defesa em anúncio de voto seria acrescentar à nota uma declaração que ela não contém.
A Praça Santos Andrade continua sendo o cenário da manifestação estudantil registrada pelo Blog. A posição institucional da UFPR está no documento: liberdade para ensinar, pesquisar, discordar e pensar o país, independentemente de quem ocupe o governo.
Acompanhe no Blog do Esmael a disputa presidencial e a defesa da educação pública.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




