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3º bloco leva disputa ao agro, saúde e Alexandre de Moraes

O terceiro bloco do debate da Band Paraná entre os candidatos ao Senado terminou com ataques sobre Banco Master, agronegócio, saúde e Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto as considerações finais consolidaram seis discursos eleitorais distintos para a disputa por duas cadeiras em 4 de outubro. A troca mais dura envolveu Gleisi Hoffmann (PT), Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo), com acusações cruzadas sobre Daniel Vorcaro, Banco Master, Alexandre de Moraes e a situação eleitoral de Deltan.

A rodada começou com a continuidade do confronto entre Gleisi e Filipe Barros sobre o Banco Master. Filipe acusou aliados de Gleisi de manterem relações com Vorcaro e citou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, além de ministros do STF e ex-integrantes do governo Lula. As afirmações foram apresentadas pelo candidato como acusações políticas durante o debate.

Gleisi respondeu associando Filipe e a família Bolsonaro ao empresário. A petista afirmou que o deputado teria atuado na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional em um momento em que o Banco Master negociava sua venda ao Banco de Brasília (BRB). Também acusou Filipe de ter facilitado uma operação envolvendo dinheiro destinado a um fundo administrado por advogado ligado a Eduardo Bolsonaro.

Filipe rebateu dizendo que sua atuação na comissão teve como objetivo ampliar relações internacionais do Brasil e voltou a defender a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Gleisi insistiu nas acusações contra o grupo político adversário e afirmou que o Paraná precisa preservar sua soberania diante das disputas envolvendo os Estados Unidos.

Na sequência, Alexandre Curi (Republicanos) respondeu a Cristina Graeml (PSD) sobre a relação entre Senado e municípios. O deputado estadual defendeu um mandato municipalista, com revisão do pacto federativo, maior participação federal no financiamento da saúde e criação de um Fundo Sul para apoiar municípios da região.

Cristina sustentou que também pretende atuar em defesa dos prefeitos e afirmou que percorreu o Paraná durante a pré-campanha. Curi disse conhecer os 399 municípios e prometeu levar prefeitos paranaenses ao Senado para reivindicar recursos federais.

O agronegócio recolocou Gleisi e Filipe em confronto. Filipe perguntou de que lado a petista estaria, entre produtores rurais e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Gleisi respondeu que pretende atuar em defesa de todos os setores produtivos e citou as cooperativas ligadas ao MST, além de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em cooperativas agrícolas.

Filipe afirmou que seu lado é o produtor rural e associou o MST a ameaças de invasão de propriedades. Gleisi rebateu dizendo que o adversário não explicaria sua atuação no caso Banco Master e voltou a mencionar a relação entre o grupo de Filipe e Eduardo Bolsonaro.

Cristina e Curi então discutiram o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Curi defendeu a revisão da tabela SUS e destacou a dependência de hospitais filantrópicos e santas casas dos recursos públicos. Cristina acrescentou a reforma tributária à discussão e prometeu trabalhar por uma revisão que, segundo ela, descentralize recursos e reduza impostos.

O debate voltou ao STF quando Deltan perguntou a Gleisi sobre Alexandre de Moraes. A petista afirmou que não mantém silêncio sobre o ministro e disse defender investigação de qualquer envolvido no caso Master. Também declarou que eventual responsabilização deve alcançar Moraes, mas sustentou que isso não apaga, em sua avaliação, a atuação do ministro contra a tentativa de ruptura institucional.

Deltan respondeu que Gleisi representa apoio a Moraes e apresentou um pedido de impeachment do ministro. Gleisi contra-atacou questionando a situação eleitoral de Deltan e citando processos relacionados à Lava Jato. O candidato do Novo afirmou, em seguida, que decisão judicial havia confirmado sua elegibilidade.

O tema dominou os direitos de resposta. A Band informou durante o programa que recebeu oito pedidos, dos quais quatro foram deferidos naquele momento e outros seis indeferidos ao longo da análise jurídica.

Deltan recebeu direito de resposta sobre a acusação de inelegibilidade e afirmou que decisão judicial havia confirmado sua condição de candidato. Gleisi recebeu direito de resposta após declarações de Filipe sobre supostos “diálogos cabulosos” e disse ter obtido decisão favorável no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) contra o candidato.

Filipe também recebeu direito de resposta para contestar a acusação de facilitar remessa de dinheiro. Ele defendeu sua atuação na Comissão de Relações Exteriores e voltou a atacar o governo Lula. Outro direito concedido a Deltan permitiu que ele retomasse as críticas a Gleisi e a defesa do impeachment de Alexandre de Moraes.

Na reta final, Dr. Rosinha (PT) perguntou a Gleisi sobre a regionalização da saúde. A candidata defendeu o SUS e citou criação e expansão de programas federais, como Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Farmácia Popular.

O médico e candidato contestou a tese de que a saúde paranaense tenha sido plenamente regionalizada e citou deslocamentos de pacientes para atendimento fora de suas regiões. Na réplica, Gleisi listou investimentos federais em ambulâncias, transporte sanitário, carretas de atendimento, exames especializados e unidades de saúde no Paraná.

Considerações finais reforçam campos políticos

Cristina Graeml encerrou defendendo liberdade individual na vacinação, impeachment de Alexandre de Moraes, revisão da reforma tributária e redução de impostos. Também afirmou que pretende atuar no Senado por uma reforma administrativa e pela revisão do funcionamento do Judiciário.

Filipe Barros apresentou uma candidatura baseada em idade, segurança pública e renovação política. Aos 35 anos, afirmou querer ser o senador mais jovem da história do Paraná e vinculou sua campanha às candidaturas de Deltan, Flávio Bolsonaro e Sergio Moro.

Deltan encerrou com um discurso centrado na Lava Jato, no combate à corrupção e na crítica ao STF. Relatou a saída do Ministério Público e a campanha de doações que, segundo ele, permitiu pagar uma multa judicial e destinar mais de R$ 730 mil ao Hospital Erastinho. Também voltou a defender o impeachment de ministros do Supremo.

Alexandre Curi adotou tom diferente. Reforçou a defesa do municipalismo, citou os 399 municípios e vinculou sua candidatura à continuidade da gestão de Ratinho Junior. Também apresentou como prioridades a defesa da propriedade privada, liberdade econômica, liberdade religiosa e educação.

Gleisi encerrou atacando os candidatos de direita e associando suas campanhas ao sistema partidário e ao fundo eleitoral. A petista também alertou para propostas que, segundo ela, estariam no programa de Flávio Bolsonaro, como uma nova reforma da Previdência, mudanças nos pisos de saúde e privatização da Petrobras.

Dr. Rosinha fechou pedindo votos para Lula, Requião Filho, Gleisi e para sua própria candidatura. O candidato voltou a criticar o que classificou como excesso de ataques ao STF e ao presidente da República e afirmou que os adversários não apresentaram propostas suficientes durante o debate.

O terceiro bloco mostrou que a disputa pelo Senado no Paraná combina dois eixos eleitorais: de um lado, candidatos concentrados em STF, Lava Jato, segurança e confronto com o PT; de outro, candidaturas que enfatizam saúde, municípios, agricultura, recursos federais e políticas públicas. Com duas vagas em disputa, o debate terminou sem consenso sobre os nomes que chegarão ao Senado, mas deixou explícitas as linhas de confronto que devem marcar a campanha até 4 de outubro.

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Íntegra do debate na Band

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