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O primeiro bloco do debate entre os candidatos ao Senado pelo Paraná, realizado pela Band Paraná nesta quarta-feira (9), foi marcado por ataques diretos sobre segurança pública, ficha limpa, Banco Master e violência contra a mulher. Deltan Dallagnol (Novo) e Gleisi Hoffmann (PT) protagonizaram o confronto mais duro, enquanto Cristina Graeml (PSD) e Filipe Barros (PL) bateram de frente sobre o Fundo Garantidor de Crédito.
A rodada também colocou Dr. Rosinha (PT) contra Deltan no tema da Lei da Ficha Limpa e Gleisi contra Cristina na discussão sobre feminicídio. Ao final do bloco, Deltan recebeu um minuto de direito de resposta após a Band Paraná acolher um dos três pedidos apresentados por sua assessoria.
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Deltan cobra Gleisi sobre saidinhas
Deltan abriu sua participação perguntando a Gleisi sobre o voto dela em medidas relacionadas às chamadas saidinhas de presos. O candidato citou um caso de violência ocorrido no Paraná e questionou a petista sobre a responsabilidade política pela saída temporária de detentos.
Gleisi respondeu atacando a situação eleitoral de Deltan. A candidata afirmou que ele seria “inelegível e ficha suja” e acusou o ex-procurador de ter burlado a Lei da Ficha Limpa para deixar o Ministério Público e disputar eleições.
Na réplica, Deltan afirmou que a Justiça Eleitoral havia confirmado sua elegibilidade em decisão do dia 8 de setembro. Ele voltou a associar o debate sobre segurança às votações de Gleisi e do PT no Congresso e citou indulto, maioridade penal, organizações criminosas e castração química de pedófilos.
Gleisi respondeu apresentando propostas do governo federal para combater o crime organizado e citou a PEC da Segurança Pública, uma legislação voltada às organizações criminosas e a Operação Carbono Oculto. A petista rejeitou a acusação de conivência com criminosos.
Cristina questiona Filipe sobre o Banco Master
O segundo confronto de maior temperatura envolveu Cristina Graeml e Filipe Barros. A candidata do PSD questionou um projeto apresentado por Filipe em 2023 para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Cristina associou a proposta ao Banco Master e afirmou que o texto seria semelhante à chamada “Emenda Master”, que, segundo ela, teria sido redigida pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A candidata também questionou Filipe sobre a permanência do projeto depois de ele afirmar que havia denunciado o Banco Master em dezembro de 2024.
Filipe respondeu que havia denunciado o banco à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Defendeu o projeto do FGC como uma medida de proteção aos depositantes e afirmou que pretende reapresentá-lo.
Na réplica, Cristina voltou a mencionar Vorcaro e contestou a versão apresentada pelo deputado. O confronto terminou também com uma disputa política sobre a troca partidária de Cristina e a relação do PSD com o governador Ratinho Junior.
Filipe afirmou que Cristina estaria dividindo os votos da direita ao disputar pelo PSD. A candidata rebateu lembrando que foi convidada pelo governador para integrar o partido e que o PL manteve alianças com o PSD em diferentes momentos no Paraná.
Dr. Rosinha chama Deltan de ficha suja
Dr. Rosinha escolheu Deltan para responder sobre a Lei da Ficha Limpa. O petista afirmou que participou da elaboração, discussão e aprovação da legislação quando era deputado federal e questionou como Deltan poderia pedir votos e utilizar recursos do fundo eleitoral diante da controvérsia sobre sua elegibilidade.
Deltan respondeu que a Justiça Eleitoral havia confirmado sua candidatura e afastado, segundo sua versão, as alegações de inelegibilidade. Em seguida, transferiu o ataque para Dr. Rosinha e questionou sua atuação parlamentar na área da saúde.
Na réplica, Dr. Rosinha voltou a afirmar que Deltan era ficha suja e citou decisões e processos relacionados ao ex-procurador. Também mencionou o auxílio-moradia recebido durante a Lava Jato, viagens e uma condenação ao pagamento de R$ 100 mil.
Deltan encerrou o confronto reafirmando que sua elegibilidade havia sido reconhecida pela Justiça Eleitoral e acusou o PT de perseguir agentes responsáveis pelo combate à corrupção.
Gleisi e Cristina batem de frente sobre feminicídio
Gleisi direcionou sua pergunta a Cristina sobre políticas de enfrentamento à violência contra a mulher. A petista destacou sua atuação na criação da legislação do feminicídio e questionou as propostas da candidata do PSD.
Cristina atribuiu parte do debate sobre segurança aos governos do PT e afirmou que o Paraná teria avançado na redução de crimes violentos. Ela citou investimentos estaduais em treinamento e equipamentos policiais, a Secretaria da Mulher e as Casas da Mulher Paranaense.
A candidata também defendeu medidas como castração química para autores de crimes sexuais, redução da maioridade penal e equiparação de facções criminosas a organizações terroristas.
Gleisi contestou os números apresentados por Cristina e afirmou que o governo federal mantém parcerias com o Paraná no combate à violência contra a mulher. A petista citou o Pacto Nacional do Feminicídio e a Operação Mulher Segura.
O confronto ganhou componente político quando Gleisi recuperou declarações atribuídas ao ex-presidente Jair Bolsonaro sobre mulheres. Cristina respondeu lembrando que Bolsonaro havia tentado levá-la para o PL e que posteriormente a orientou a procurar outra legenda.
Deltan consegue direito de resposta
Depois do encerramento da rodada, o mediador Rodrigo Leite informou que a assessoria de Deltan havia apresentado três pedidos de direito de resposta. Dois foram indeferidos e um foi acolhido pela assessoria jurídica da Band Paraná.
Durante um minuto, Deltan respondeu especificamente aos ataques feitos por Gleisi. O candidato negou as acusações contra a Lava Jato e defendeu a operação como um marco do combate à corrupção no país.
Deltan também voltou a citar condenações e prisões de políticos de diferentes partidos durante a operação e afirmou que Gleisi, por ter presidido o PT durante anos, deveria dar explicações sobre os escândalos de corrupção envolvendo integrantes da legenda.
A Band informou ainda que pedidos de direito de resposta apresentados por Filipe Barros e Dr. Rosinha continuavam sob análise jurídica e que os pareceres seriam apresentados durante o intervalo ou no segundo bloco. Mas todos os demais pedidos foram rejeitados.
O primeiro bloco, portanto, estabeleceu o tom do debate: segurança pública e Lava Jato dominaram o embate entre Deltan e Gleisi; Banco Master colocou Cristina e Filipe em lados opostos; a Ficha Limpa virou munição contra Deltan; e o feminicídio abriu uma disputa entre Gleisi e Cristina sobre políticas para as mulheres e os governos federal e estadual.
Somente Alexandre Curi (Republicanos) saiu incólume no primeiro turno.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




