Temer perde a maioria na Câmara

Pelo segundo dia consecutivo, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), o Botafogo, teve de cancelar votações estratégicas para não sofrer novas derrotas em plenário.

Estava na pauta desta quinta-feira (6) a ajuda para estados em situação de calamidade financeira, mas, em contrapartida, a União pede a privatização de água e energia, o congelamento de reajustes e aumento de 11% para 14% da contribuição na folha dos aposentados. Botafogo prometera entregar ontem ao Planalto a aprovação do texto, mas não conseguiu.

A última sabugada que o ilegítimo Michel Temer (PMDB) levou na Casa foi no dia 29 de março, quando tentava aprovar a cobrança de mensalidade nas universidades públicas. Ele não obteve êxito na reunião de 308 votos necessários para passar a PEC. Antes, porém, o presidente se gabava de ter 400 deputados na base de apoio.

Temer vê desmilinguir sua base na Câmara com rompimentos como aquele ocorrido nesta quinta (5), quando o PTN anunciou que pularia da “Ponte para o Futuro”.

O próprio ilegítimo teria brincado com a saída de 13 deputados da sustentação governista na Câmara: ‘Nos Phodemos‘ — fazendo trocadilho com o novo partido que o senador Alvaro Dias (PV-PR) está a criar.

A crise política no Senado também balança Temer. Lá, o líder “oposicionista” mais estridente é o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). É ele quem lidera a rebelião contra a lei das terceirizações, a reforma trabalhista e a reforma previdenciária.

No início da semana, durante um jantar na casa da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), Renan afirmou a colegas que “Temer não tem para onde ir. Assim como a Dilma [Rousseff] não tinha um ano atrás”.

Para o ex-presidente e atual líder do PMDB no Senado, se continuar como está, o “governo vai cair para um lado, e o PMDB, para o outro”. E não é isso que Renan deseja. Ele tem outros planos, dentre os quais reeleger seu rebento, Renan Filho, governador de Alagoas.

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