27 de Janeiro de 2014
por esmael
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Essenciais nas escolas, mas governos tratam professores como profissionais de segunda classe

por Cida de Oliveira e Sarah Fernandes, da Rede Brasil AtualDas 20 metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação (PNE) que tramita no Congresso Nacional há quatro anos, a que equipara o rendimento dos professores ao de outras categorias com escolaridade equivalente é a que terá maior impacto na melhoria do ensino público brasileiro. A opinião é do presidente da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (Fineduca), José Marcelino de Rezende Pinto, que avaliou o impacto financeiro do PNE numa perspectiva de superação do déficit de atendimento e de um ensino de qualidade. O grande responsável pelo aumento da qualidade da educação é o aumento da qualidade do trabalho do professor!, avalia Marcelino, que é também integrante da Campanha Nacional pelo Direito à  Educação e docente no campus de Ribeirão Preto da USP.

“Não é você colocar um giz na mão do professor, que é um trabalhador essencial para o desenvolvimento do país, e achar que isso é suficiente para que ele possa prestar um trabalho de qualidade. à‰ preciso que ele tenha condições para trabalhar de forma confortável e empolgante”, diz a presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Virgínia Barros.

Entre trabalhadores, estudantes e analistas do setor, o consenso é que a equação depende diretamente da qualidade das condições salariais e de trabalho de quem tem sob sua responsabilidade ensinar a ler, escrever, fazer contas e, mais que isso, contribuir para a formação de cidadãos e de futuros profissionais. Nobre e estratégica em qualquer projeto de nação, porém, a profissão é cada vez mais desprestigiada no país e também a menos atrativa, o que preocupa gestores, que temem por um colapso. E não faltam motivos para a carência cada vez maior de mestres em sala de aula.

De acordo com uma estimativa do impacto financeiro do PNE, que leva em consideração dados de 2009 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE, elaborada pelo presidente da Fineduca, um professor dos anos finais do ensino fundamental, que precisou se graduar numa faculdade para ocupar a função, ganha menos que um profissional que não tem a mesma exigência para exercer seu ofício.

Com salário médio mensal de R$ 1.603,00 na época em que o estudo foi feito, ele ganhava menos que um caixa de banco !“ profissão que dispensa nível de formação mínimo !“ e que um técnico em química, com nível médio de escolaridade; o equivalente a 3/4 da remuneração de jornalistas; e menos que a metade do que ganham economistas, administradores ou advogados.

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De modo geral, segundo o Pnad, a média salarial dos professores da educação básica no Brasil equivale a pouco mais da metade (59%) da de outros profissionais com nível superior, como engenheiro civil e médico