STF reage a sanção dos EUA contra Moraes

Supremo sai em defesa de Alexandre de Moraes e reafirma soberania constitucional

O Supremo Tribunal Federal divulgou nota oficial nesta quarta-feira (30) em firme defesa do ministro Alexandre de Moraes, após a aplicação de sanções unilaterais pelos Estados Unidos, sob a justificativa da Lei Magnitsky. A Corte classificou a medida como uma afronta à soberania jurídica do Brasil e reafirmou sua autoridade para julgar crimes contra a democracia.

A resposta veio poucas horas depois de o Departamento do Tesouro americano anunciar o congelamento de bens e a proibição de transações com Moraes, acusando-o de “graves violações de direitos humanos”. A decisão, tomada pelo governo de Donald Trump, coincide com a intensificação da ofensiva bolsonarista internacional contra o STF, impulsionada por Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que comemorou a sanção.

O STF não deixou dúvidas em sua manifestação: “O julgamento de crimes que implicam atentado grave à democracia brasileira é de exclusiva competência da Justiça do país, no exercício independente do seu papel constitucional”. A nota também recorda que há uma ação penal em curso que imputa crimes a um ex-presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), incluindo tentativa de golpe e plano de assassinato de autoridades.

O tribunal enfatiza que todas as decisões de Moraes, relator do processo, foram validadas pelo colegiado e garantem o devido processo legal. “O Supremo Tribunal Federal não se desviará do seu papel de cumprir a Constituição e as leis do país”, reiterou.

Silêncio no Planalto, apoio no Judiciário

Até o momento, o Palácio do Planalto não emitiu nota oficial sobre o episódio. Contudo, o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, já havia publicado mais cedo uma manifestação contundente, afirmando que “não nos curvaremos a pressões ilegítimas” e que a medida americana é um “grave e inaceitável ataque à soberania do nosso país”.

A manifestação do STF foi lida como um recado direto ao governo Trump e também aos setores internos que seguem tentando desestabilizar o Judiciário brasileiro por meio de articulações internacionais. Moraes, que também preside o TSE, é o principal algoz dos investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e pela tentativa de golpe militar denunciada no Supremo.

Golpe, PIX e a cruzada de Eduardo Bolsonaro

A ofensiva contra Moraes vem sendo orquestrada desde os Estados Unidos, onde Bolsonaro e seus aliados se exilaram politicamente. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por exemplo, já defendeu publicamente a aplicação de sanções contra membros do STF e tem feito lobby junto a congressistas republicanos e ao governo Trump.

Aliados do STF e do governo Lula denunciam a movimentação como uma tentativa de manipular instituições estrangeiras para interferir em investigações legítimas em curso no Brasil. “Trata-se de uma violação à soberania judicial, movida por interesses políticos e ressentimentos autoritários”, resumiu uma fonte do Judiciário.

O Brasil não se ajoelha

A nota do STF é mais do que uma defesa institucional: é um grito por soberania. Em tempos de lawfare internacionalizado e tentativas de cerco jurídico contra magistrados, o que está em jogo não é apenas a honra de Moraes, mas a independência da Justiça brasileira.

O leitor atento entende que a pressão externa é parte de uma estratégia de desestabilização. A resposta do Supremo, ainda que técnica, carrega uma mensagem política clara: o Brasil não aceitará tutela nem submissão, seja de dentro, seja de fora.

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Leia a íntegra da nota pública do STF:

Nota oficial do STF sobre sanções dos EUA ao Ministro Alexandre de Moraes

Em razão das sanções aplicadas ao Ministro Alexandre de Moraes, um dos seus integrantes, o Supremo Tribunal Federal vem se pronunciar na forma abaixo:

1 . O julgamento de crimes que implicam atentado grave à democracia brasileira é de exclusiva competência da Justiça do país, no exercício independente do seu papel constitucional.

2. Encontra-se em curso, perante o Tribunal, ação penal em que o Procurador-Geral da República imputou a um conjunto de pessoas, inclusive a um ex-Presidente da República, uma série de crimes, entre eles, o de golpe de Estado.

3. No âmbito da investigação, foram encontrados indícios graves da prática dos referidos crimes, inclusive de um plano que previa o assassinato de autoridades públicas.

4. Todas as decisões tomadas pelo relator do processo foram confirmadas pelo Colegiado competente.

5. O Supremo Tribunal Federal não se desviará do seu papel de cumprir a Constituição e as leis do país, que asseguram a todos os envolvidos o devido processo legal e um julgamento justo.

6. O Tribunal manifesta solidariedade ao Ministro Alexandre de Moraes.

Brasília, 30 de julho de 2025.