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Requião Filho dispara contra Moro, Ratinho e Sandro Alex em entrevista à RPC

Requião Filho (PDT) transformou a entrevista à RPC nesta quarta-feira, 16 de setembro, em uma ofensiva contra Sergio Moro (PL), Ratinho Junior (PSD) e Sandro Alex (PSD), enquanto tentava explicar a aliança recente com o PT, defender a reversão da privatização da Copel e responder a questionamentos sobre o próprio partido e o legado político da família Requião.

A entrevista de 30 minutos fez parte da série da RPC com os três candidatos mais bem colocados na pesquisa Quaest divulgada em agosto. Sergio Moro abriu a rodada na segunda-feira, Sandro Alex foi entrevistado na terça e Requião Filho encerrou a sequência nesta quarta-feira.

O confronto mais direto apareceu quando Requião Filho atacou a estratégia eleitoral de Moro e do grupo de Ratinho Junior. Sem citar o senador apenas como adversário eleitoral, o pedetista tentou enquadrá-lo no campo do discurso nacional ligado ao bolsonarismo.

Na fala final, Requião Filho resumiu a disputa em três campos. Segundo ele, haveria um projeto voltado ao cuidado com as pessoas, representado por sua candidatura, enquanto Moro estaria associado a um discurso de ódio e Sandro Alex representaria a continuidade de um governo que, na avaliação do pedetista, elevou custos de serviços públicos.

A crítica a Moro apareceu também na resposta sobre o escândalo dos descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Requião Filho afirmou que, se houver responsabilidade, os envolvidos devem ser punidos, mas questionou a atuação do então ministro da Justiça Sergio Moro diante de alertas sobre irregularidades no instituto.

O candidato do PDT procurou, assim, deslocar o debate sobre Carlos Lupi, presidente nacional do partido e ex-ministro da Previdência, para uma comparação com a gestão de Moro. A estratégia foi admitir a necessidade de investigação sobre o caso do INSS e, simultaneamente, lembrar que Moro ocupava o Ministério da Justiça durante o governo Jair Bolsonaro quando, segundo a narrativa apresentada na entrevista, já havia alertas sobre descontos indevidos.

A mesma lógica apareceu na discussão sobre a Copel.

Requião Filho afirmou que pretende auditar a privatização da Companhia Paranaense de Energia e voltou a responsabilizar Sandro Alex pelo discurso utilizado para atribuir ao governo federal o aumento da tarifa de energia.

Segundo o candidato, Sandro Alex e Ratinho Junior tiveram de retirar conteúdo das redes sociais por determinação judicial. Requião Filho afirmou que a decisão sobre o reajuste partiu dos acionistas da Copel depois da privatização e não do governo federal.

O pedetista também acusou Sandro Alex de apresentar uma “meia verdade” sobre a construção de subestações e comparou o volume de obras atual com números do período em que seu pai, Roberto Requião, governava o Paraná.

A Copel virou, portanto, um dos principais campos de batalha entre Requião Filho e a candidatura governista. O candidato prometeu revisar custos, auditar ativos e tentar reduzir tarifas, além de retomar programas de desconto de energia para setores do agronegócio e da indústria.

Mas a resposta mais explosiva veio quando a entrevista entrou no terreno das denúncias envolvendo a privatização.

Requião Filho citou um vídeo do presidenciável e influenciador Renan Santos, do Missão Brasil, no qual, segundo ele, é feita uma relação entre a privatização da Copel, o banco Master e Daniel Vorcaro. O candidato disse que uma eventual administração sua investigaria a denúncia e encaminharia eventuais irregularidades ao Ministério Público e à Polícia Federal.

“Existe um vídeo do Renan Santos, do Missão Brasil, onde ele diz claramente que o Ratinho Júnior desistiu de ser candidato a presidente da República porque a privatização envolveria o banco Master e o Vorcaro”, disparou.

A afirmação foi apresentada como denúncia a ser investigada, e não como fato comprovado. Requião Filho não apresentou na entrevista prova de que a privatização da Copel tenha sido determinada ou condicionada por qualquer relação com o banco Master.

A contradição que a aliança com o PT não resolveu

Outro momento de tensão ocorreu quando a RPC lembrou que Requião Filho deixou o PT pouco mais de um ano atrás fazendo críticas duras à direção nacional do partido.

Naquela ocasião, segundo a própria entrevista, ele havia acusado o PT de não ter democracia interna, de tratar mal o Paraná e de trabalhar mais por um projeto de poder do que por um projeto para o Estado.

Agora, o candidato disputa o governo com apoio do PT e esteve ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A resposta foi reconhecer a divergência, mas sustentar que a convergência eleitoral e programática seria maior.

Requião Filho afirmou que o PT aderiu ao programa do PDT para o Paraná e garantiu que eventual governo não será dividido em loteamento de secretarias.

“Terá espaço quem tiver capacidade técnica e capacidade de gestão”, afirmou.

A fórmula resolve politicamente a aliança, mas não apaga a contradição explorada pela entrevistadora: o candidato passou de uma crítica frontal ao PT nacional para uma campanha apoiada pelo partido e por Lula.

Requião Filho respondeu que manter críticas e, ao mesmo tempo, construir uma aliança seria justamente uma expressão da democracia.

Cutucada em Ratinho Junior passa pela conta de luz

A principal linha de ataque ao governador Ratinho Junior foi econômica.

Requião Filho associou a privatização da Copel e a chamada semiprivatização da Sanepar ao aumento do custo de vida no Paraná. Também afirmou que a atual gestão prioriza o lucro dos acionistas em detrimento de investimentos e tarifas mais baixas.

O candidato governista, porém, não foi o único alvo.

Sandro Alex recebeu ataques específicos pela condução do discurso sobre a tarifa de energia, enquanto Ratinho Junior foi incluído na responsabilidade política pela comunicação da administração estadual.

A ofensiva ocorre em uma eleição na qual a aprovação do governador não se converteu automaticamente em intenção de voto para Sandro Alex. Na pesquisa Quaest utilizada pelo Blog do Esmael em julho, Ratinho tinha 81% de aprovação, enquanto Sandro aparecia com 7%.

Esse contraste ajuda a entender por que a entrevista de Requião Filho mirou simultaneamente o governador e seu candidato.

Escolas cívico-militares viram outra frente de confronto

Na educação, Requião Filho prometeu retirar o modelo cívico-militar das escolas, mas fez questão de diferenciar a medida do fechamento das unidades.

A proposta, segundo ele, seria manter as escolas abertas e retirar o modelo militar da gestão pedagógica.

O candidato chamou o programa de propaganda ideológica do governo e afirmou que policiais militares não têm formação pedagógica para lidar com adolescentes.

Em substituição, defendeu ampliar o efetivo do Batalhão Escolar para atuar no entorno das instituições.

A crítica atinge diretamente uma das marcas da política educacional do governo Ratinho Junior e reforça a tentativa do pedetista de transformar educação pública em uma das principais diferenças entre sua candidatura e a atual administração.

A placa secreta e a pensão do pai

A entrevista também levou Requião Filho a terrenos menos confortáveis.

Questionado sobre a chamada “placa secreta” utilizada por integrantes da Mesa da Assembleia Legislativa do Paraná, o candidato confirmou que recebeu o dispositivo enquanto fazia parte da Mesa.

A justificativa foi a segurança e a legalidade da regra que autorizava o benefício. Segundo ele, todos devolveram as placas depois da revogação da norma.

Em contraposição, o pedetista afirmou que Moro anda com 18 seguranças pagos pelo Senado enquando Sandro utiliza serviço de segurança do Palácio Iguaçu.

Na sequência, a RPC colocou o candidato diante da aposentadoria especial recebida por seu pai, o ex-governador Roberto Requião.

Requião Filho defendeu a verba de representação para ex-governadores como instrumento de proteção contra corrupção. Afirmou que a remuneração permitiria que quem ocupasse o cargo máximo do Estado deixasse o governo sem a necessidade de formar patrimônio durante o mandato.

A defesa é politicamente sensível porque envolve diretamente um benefício recebido pelo próprio pai do candidato.

Porte de armas e voto impresso mostram distância do PT

Outro conflito apareceu dentro da própria aliança eleitoral.

Requião Filho afirmou ser favorável à posse e ao porte de armas e disse possuir porte por vir de uma família de colecionadores.

Também defendeu o voto impresso auditável, embora tenha ressaltado acreditar na urna eletrônica.

As posições o colocam em situação distinta de setores da esquerda que integram sua aliança, incluindo PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede.

O candidato respondeu que não pretende alterar suas posições para acomodar a coligação.

Meio ambiente, litoral e promessa de auditoria

Na pauta ambiental, Requião Filho defendeu a recuperação de programas de proteção de mata ciliar, corredores biológicos, reflorestamento e preservação de nascentes.

No litoral, disse ser favorável à Ponte de Guaratuba e à engorda das praias, mas criticou projetos que, segundo ele, sejam feitos de forma apressada ou com custos elevados.

“Não existem outras obras assinadas de verdade pelo governo estado porque ele, Ratinho, inaugura a obra dos outros”, torpedeou.

Também prometeu ampliar saneamento, duplicação de estradas e atração de indústrias consideradas limpas para reduzir a dependência econômica do litoral em relação ao verão.

A entrevista terminou com Requião Filho confirmando presença no debate da RPC marcado para 29 de setembro. O candidato também afirmou estar processando outra emissora após o cancelamento de um debate.

Na consideração final, o pedetista condensou a estratégia eleitoral apresentada ao longo dos 30 minutos: atacar Moro pelo discurso nacional, associar Sandro Alex e Ratinho Junior ao aumento das tarifas e apresentar sua candidatura como uma terceira via entre os dois polos.

O resultado foi uma entrevista menos centrada em propostas isoladas e mais orientada pela tentativa de definir adversários.

De um lado, Requião Filho tentou explorar as contradições da candidatura governista, principalmente a diferença entre a aprovação de Ratinho Junior e o desempenho eleitoral de Sandro Alex. De outro, precisou administrar suas próprias contradições: a antiga ruptura com o PT, a defesa da verba recebida pelo pai e posições sobre armas e voto impresso que não coincidem integralmente com setores da aliança.

A campanha entra, assim, em uma fase em que o debate deixa de ser apenas sobre quem ocupa a segunda posição nas pesquisas e passa a envolver também qual narrativa cada candidatura conseguirá impor sobre os adversários.

Acompanhe a cobertura das eleições de 2026 no Blog do Esmael.

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