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A decisão do governador Ratinho Junior (PSD) de se licenciar do cargo a partir desta quinta-feira, 17 de setembro, para participar da campanha de Sandro Alex (PSD) abriu uma nova frente de críticas da oposição justamente durante a crise provocada pelas fortes chuvas no Paraná.
Em entrevista à RPC TV, o candidato Requião Filho (PDT) aproveitou a pergunta sobre os temporais para questionar a ausência do governador no comando direto do Estado.
A entrevistadora iniciava a pergunta afirmando que o Paraná havia registrado muitas chuvas no fim de semana, com mais de 70 cidades afetadas, quando Requião Filho interrompeu:
“Parece que não, né? Porque o governador até tirou licença.”
A referência ocorreu em meio a uma sequência de temporais que atingiu dezenas de municípios paranaenses, provocando alagamentos, deslizamentos, danos à infraestrutura e mortes. Segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (15), 72 cidades haviam registrado ocorrências relacionadas às chuvas e mais de 20 mil pessoas tinham sido afetadas.
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) também havia apontado que setembro teria chuva acima da média em todas as regiões do Estado, com influência do fenômeno El Niño, além da atuação de frentes frias e sistemas de baixa pressão.
Os línguas-preta que frequentam a Boca Maldita, centro nervoso da política paranaense, também não deixaram passar batido o pedido de licença. Exageros à parte, eles lembraram que Ratinho teve mais tempo de férias e folga do que governando nos últimos 8 anos.
Ratinho deixa o governo para fazer campanha

Ratinho Junior confirmou nesta quarta-feira, 16 de setembro, que vai se licenciar para dedicar-se integralmente à candidatura de Sandro Alex ao Palácio Iguaçu.
O governador justificou a decisão pelo calendário eleitoral curto e pela necessidade de percorrer o Paraná sem as limitações impostas pelo exercício do cargo.
“Vou me licenciar. A partir de amanhã eu vou me licenciar, porque a campanha é uma campanha muito curta”, afirmou Ratinho durante o anúncio da programação do Verão Maior Paraná.
Com o afastamento, o vice-governador Darci Piana (PSD) assumirá temporariamente o comando do Executivo estadual. A previsão é que ele permaneça à frente do governo até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
A licença ocorre nas duas semanas finais da campanha. O horário eleitoral gratuito e os comícios podem ser realizados até 1º de outubro.
Moro entra na disputa pela crítica

A decisão também passou a ser explorada por apoiadores de Sergio Moro, candidato do PL ao governo do Paraná.
Nas redes sociais, aliados do ex-juiz associaram a licença de Ratinho ao anúncio feito por Ronaldo Caiado no início de setembro. O presidenciável do PSD apresentou Ratinho Junior como futuro ministro da Infraestrutura em um eventual governo federal, com atribuições sobre rodovias, ferrovias e hidrovias.
A crítica dos apoiadores de Moro foi construída em cima de uma aparente contradição eleitoral: Ratinho deixa temporariamente o governo para ajudar Sandro Alex, enquanto adversários lembram que o próprio governador já foi anunciado como integrante de um eventual ministério de Caiado.
Na formulação usada pelos apoiadores de Moro, Ratinho estaria “abandonando o Paraná debaixo d’água e sem luz”, numa crítica política à licença. Também houve ataques à cobrança feita contra Moro por supostamente querer “largar” o Senado para disputar o governo do Paraná.
A comparação é eleitoral e não equivale a uma avaliação administrativa sobre a condução das respostas às chuvas. Durante a licença, a responsabilidade formal pelo Executivo estadual passa ao vice-governador Darci Piana.
A eleição entra na reta final

A decisão de Ratinho tem efeito direto sobre a campanha de Sandro Alex, que disputa a sucessão estadual pelo PSD. O governador passa a ter liberdade para participar de agendas eleitorais durante o horário comercial, sem as restrições decorrentes do exercício simultâneo do cargo público.
Sandro Alex foi secretário de Infraestrutura e Logística do governo Ratinho Junior e representa a continuidade do grupo político que administra o Paraná.
A oposição, por sua vez, encontrou na licença um novo argumento para questionar a prioridade dada pelo governador à sucessão estadual.
O conflito ganha peso porque a mudança de comando ocorre justamente quando o Paraná ainda contabiliza os efeitos dos temporais e enquanto a campanha entra na reta decisiva.
A partir de 17 de setembro, portanto, a eleição paranaense terá um novo personagem em campo: Ratinho Junior deixa temporariamente o Palácio Iguaçu e passa a atuar diretamente pela candidatura de Sandro Alex.
O eleitor decidirá nas urnas, em 4 de outubro, se a licença será interpretada como uma estratégia eleitoral do grupo governista ou como um afastamento inconveniente diante dos problemas enfrentados pelo Estado.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




