Índice de Tópicos
O Senado aprovou nesta quarta-feira (28) o projeto de lei que reajusta os salários de servidores públicos federais e reestrutura diversas carreiras na administração pública. O impacto direto no Orçamento de 2025 será de quase R$ 18 bilhões.
O texto, construído a partir de acordos do governo com 38 categorias ainda em 2024, segue agora para sanção presidencial. A proposta vinha tramitando em regime de urgência após a medida provisória original, enviada no apagar das luzes de 2024, travar no Congresso.
Bastidores da negociação
A medida substitui a MP que perderia validade em 2 de junho, após atritos entre Câmara e Senado sobre o rito de tramitação. A costura política foi liderada pelo Ministério da Gestão, que negociou com praticamente toda a máquina administrativa federal.
O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), defendeu o texto como parte de uma “recuperação histórica” das perdas salariais acumuladas entre 2017 e 2022. Não houve reajuste linear nesse período, o que abriu espaço para pressões por recomposição inflacionária.
O que muda para os servidores
O projeto institui três novas carreiras: Desenvolvimento Socioeconômico, Políticas de Justiça e Defesa, e Fiscalização da CVM. Também transforma cargos vagos em funções estratégicas e redefine estruturas de gratificação.
O reajuste médio previsto é de 27% no período entre 2023 e 2026. Para cargos comissionados e funções de confiança, o aumento pode chegar a 69% até 2026. Os primeiros efeitos financeiros serão sentidos a partir de fevereiro de 2025.
A proposta também altera regras de progressão e capacitação, com foco em desempenho e qualificação profissional. Técnicos universitários, por exemplo, terão progressão acelerada se cumprirem metas de formação.
Impacto fiscal e críticas no plenário
O impacto orçamentário estimado pelo Ministério da Gestão é de R$ 17,9 bilhões em 2025, R$ 26,7 bilhões em 2026 e R$ 29,1 bilhões em 2027. A conta, segundo o governo, é “administrável” porque está limitada aos acordos já firmados.
Mas a oposição não engoliu o argumento. Parlamentares como Eduardo Girão (Novo-CE) e Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) apontaram falta de isonomia entre as categorias e denunciaram a pressa na tramitação.
“A proposta não passou por audiências públicas. Está sendo votada no atropelo. E o governo não tem dinheiro nem para a saúde nem para a educação”, criticou Girão.
Blindagem evita greves
O texto aprovado é tecnicamente robusto e politicamente pragmático. Consegue atender demandas reprimidas sem abrir guerra com o mercado ou o TCU. Mas falta-lhe isonomia e debate público.
Trata-se, sobretudo, de uma vitória do Executivo, que conseguiu blindar sua base e evitar greves em ano pré-eleitoral. O risco, porém, está na fragmentação institucional — cada categoria buscando seu quinhão, sem plano de carreira integrado.
Se o governo Lula quiser consolidar essa reestruturação como política de Estado, precisará mais do que decretos e planilhas: terá que abrir o jogo com a sociedade sobre o papel do funcionalismo no projeto de país.
Leia também no Blog do Esmael: Por que não há teto de gastos com juros?; CNTE denuncia que governo Bolsonaro quer barrar reajuste de 33% no piso de professores; Taxa Selic é o verdadeiro rombo, diz Haddad

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




