Decisão surpreendeu a classe política após almoço com a base no Palácio Iguaçu e reposicionou a sucessão paranaense no momento em que Ratinho embarca para Brasília para disputar o PL no campo de Sergio Moro.
O governador Ratinho Júnior (PSD) deu um cavalo de pau que pegou o Paraná político inteiro no contrapé nesta segunda-feira (23). A nota em que desistiu da corrida presidencial foi recebida, nos primeiros minutos, como se fosse montagem de algum grêmio estudantil. O espanto tinha motivo: cerca de meia hora antes, ele havia almoçado com deputados da base no Palácio Iguaçu, num encontro que, para muita gente, tinha clima de despedida antes da arrancada rumo ao Planalto. Horas depois, veio o movimento oposto. Ratinho decidiu ficar no governo até dezembro e tirou o nome da disputa nacional do PSD.
O susto atravessou governistas e oposicionistas. O Blog do Esmael apurou que, na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP), já havia deputado articulando caravana para Brasília, onde o PSD trabalhava o lançamento da candidatura presidencial no dia 31. A nota caiu como reviravolta brusca num roteiro que, até poucas horas antes, parecia apontar noutra direção.
No Centro Cívico, porém, a leitura dominante não é a de retirada, mas a de concentração de forças. Até prova em contrário, Ratinho não ficou para abrir caminho a Alexandre Curi. Ficou para tentar eleger Guto Silva (PSD), o nome que seu grupo sempre tratou como preferencial para a sucessão no Palácio Iguaçu, embora com dificuldades evidentes nas pesquisas e resistências no próprio bloco governista. Essa preferência de Ratinho por Guto já vinha sendo apontada nos bastidores do Palácio Iguaçu e em reportagens publicadas nos últimos dias.
Ainda assim, o recuo na disputa presidencial expôs a imprevisibilidade de Ratinho Júnior. Hoje, a leitura dominante no governismo continua sendo a de que ele ficará no cargo para tentar eleger Guto Silva, mas o Centro Cívico já evita descartar uma mudança de rumo caso Alexandre Curi passe a ser visto como nome mais competitivo contra Sergio Moro.
É aí que entra a viagem desta terça-feira (24). Segundo apuração do Blog do Esmael, Ratinho embarca para Brasília para tentar reabrir a conversa com Valdemar Costa Neto e disputar o PL, partido que já se moveu para receber Sergio Moro e transformá-lo em candidato ao governo do Paraná com o apoio de Flávio Bolsonaro. A operação é defensiva e ofensiva ao mesmo tempo: defensiva porque busca conter a perda de terreno do grupo governista; ofensiva porque tenta reconstruir, no limite do prazo, um palanque que dê viabilidade ao projeto de sucessão de Guto.
Moro convocou coletiva para as 11h desta terça, em Brasília, para anunciar sua filiação ao PL, ao lado dos senadores Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Rogério Marinho (PL-RN) e do deputado federal Filipe Barros (PL-PR).
O problema para Ratinho é que o movimento de Moro já avançou bastante. O PL confirmou para a manhã desta terça-feira (24), em Brasília, a filiação de Sergio Moro e de Rosangela Moro. O acordo foi fechado com a cúpula nacional da legenda e vincula a candidatura de Moro ao governo do Paraná ao palanque presidencial de Flávio Bolsonaro no estado. Nos últimos dias, também vieram sinais de afastamento do Novo em relação ao grupo de Ratinho, o que amplia a pressão sobre o governador.
Por isso a desistência do Planalto não pode ser lida apenas como gesto pessoal ou familiar, embora esse seja o argumento da nota oficial. Ela é, sobretudo, uma decisão de guerra local. Ao abrir mão da candidatura presidencial, Ratinho preserva a máquina, segura a caneta até dezembro e ganha tempo para tentar organizar o campo governista numa disputa que ficou mais difícil desde que Moro se aproximou do PL e passou a ameaçar diretamente o projeto de continuidade do PSD no Paraná.
O calendário também apertou o governador contra a parede. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fixou o dia 4 de abril como o marco de seis meses antes do primeiro turno, em 4 de outubro. Para quem ocupa cargo no Executivo e quer disputar outra função, esse é o prazo decisivo para desincompatibilização. Ratinho escolheu não saltar. Preferiu permanecer no Palácio Iguaçu e transformar a sucessão paranaense em prioridade absoluta.
Na ALEP, a leitura foi seca: Ratinho Júnior ficou no cargo para tentar fazer o sucessor. O almoço desta segunda-feira (23), no Palácio Iguaçu, mudou de sentido poucas horas depois, quando saiu a nota que o retirou da disputa pelo Planalto. O que parecia despedida de pré-candidato virou a primeira cena da guerra pela sucessão estadual. Hoje, no grupo governista, a interpretação corrente é uma só: Ratinho abriu mão da aventura presidencial para salvar o projeto de eleger Guto Silva no Paraná. Até prova em contrário, porém.
Ratinho Júnior jogou a toalha, mas não saiu de cena. Só deixou a mesa nacional para concentrar forças na sucessão paranaense. Hoje, a aposta do núcleo do Palácio Iguaçu é clara: usar o peso do governo até dezembro para tentar empurrar Guto Silva ao centro da disputa. A pergunta é: agora vai?
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.





Todos, farinha do mesmo joio.
É suicidio colocar Guto Silva com as polemicas da Sanepar, do Olho Vivo e dos convênios na alça de mira de Moro e Requião Filho.
É o tipo de polemica que da palanque para o discurso do Senador e alvo fácil para que o Requião Filho mantenha o ataque pesado para tentar o segundo turno.
Escolher Guto é abandonar a corrida ao planalto para ser achincalhado no Estado.
Até outubro veremos vaca voando!
Como era de se esperar é covarde, alongou a decisão do seu apoio aseu sucessor e o Flávio Bolsonaro viu que tinha um traidor e frouxo em Curitiba, aplicou um golpe que Ratinho sem pai e sem mãe. Agora a viola já foi pro saco, resta ao ratinho e seu grupo juntar os cacos , e sair de mansinho. Já era sua sucessão, deixou moro sozinho nadar de braçadas e terá que remar para não ser vergonhoso a sua derrota.