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Ratinho Júnior copia tática de Kassab ao manter sucessão em aberto no Paraná

Bastidores eleitorais seguem quentes no Paraná, com o governador Ratinho Júnior (PSD) mantendo em suspense a escolha do sucessor e replicando, no plano local, a mesma tática de indecisão que marca o PSD no cenário nacional.

Ratinho Júnior (PSD-PR) torce publicamente pelo secretário das Cidades, Guto Silva (PSD), mas ainda não bateu o martelo. A indefinição mantém em expectativa o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD), hoje secretário de Desenvolvimento Sustentável.

Nos corredores do Centro Cívico, a leitura é de simetria entre Paraná e Brasília. Um observador político resumiu assim: “aqui se faz, aqui se paga”. A indefinição nacional do PSD não constrange Ratinho. Ao contrário, reforça seu papel como fiador local de uma estratégia que mantém portas abertas em Brasília e no Paraná.

A estratégia local repete a nacional. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, lançou uma lista tríplice para o Planalto que inclui o próprio Ratinho, além de Eduardo Leite (PSDB-RS) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO). No Paraná, a lógica é idêntica: múltiplos nomes, nenhuma decisão final.

Enquanto aguarda o desfecho, Alexandre Curi retomou os trabalhos da Assembleia Legislativa colocando o bloco na estrada. As sessões itinerantes começam por Arapongas, no norte do estado, movimento lido como pré-campanha territorializada. Se for preterido na majoritária governista, Curi avalia reagir. O mesmo vale para Greca, que já recebeu convites de PP, Podemos e MDB para uma candidatura independente ao Palácio Iguaçu.

Pelo lado da oposição, Ratinho observa com atenção o desempenho do senador Sergio Moro (União Brasil), hoje à frente nas pesquisas de intenção de voto. O problema é político-partidário. Moro não conta com o apoio do PP, integrante da federação União Progressista. Na avaliação do mundo político, cresce a hipótese de migração para uma legenda menor, abrindo caminho para viabilizar a candidatura.

No campo progressista, o deputado Requião Filho (PDT) avança na montagem de uma frente ampla. Com apoio da Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), o pedetista trabalha para ter como vice o médico Alceni Guerra, um dos formuladores do SUS nos anos 1990, ampliando o diálogo com o PSB. A costura inclui ainda a federação PSOL-Rede e o Avante.

A semana passada marcou um passo decisivo. A ministra Gleisi Hoffmann foi anunciada como candidata ao Senado para reforçar a chapa majoritária e o palanque de Lula no Paraná. Nos próximos dias, o PT deve anunciar o nome para a segunda vaga ao Senado, com o objetivo claro de amarrar o segundo voto e evitar dispersão.

Portanto, a indefinição virou método no PSD e produz efeitos colaterais. Ao adiar a escolha, Ratinho preserva poder de arbitragem, mas alimenta movimentos autônomos, tanto no campo governista quanto na oposição. A disputa pelo Palácio Iguaçu entra em 2026 sem favorito consolidado e com múltiplas frentes abertas.

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