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A Quaest vai colocar no ar, na próxima quarta-feira (11), uma nova pesquisa nacional para presidente registrada no TSE sob o número BR-05899/2026, contratada pelo Banco Genial por R$ 465.820,00, com entrevistas feitas entre 5 e 9 de fevereiro, nas vésperas do Carnaval.
O que diz o registro no TSE
Pelo cadastro, a sondagem da Quaest ouvirá 2.004 entrevistas presenciais e domiciliares em território nacional, e divulgação autorizada a partir de 11 de fevereiro de 2026.
O desenho amostral é por conglomerados em três estágios, com sorteio probabilístico de municípios e setores censitários do IBGE, e seleção final por cotas de sexo, idade, renda e escolaridade, com margem de erro máxima prevista de cerca de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Quem paga e por quê
O contratante é o Banco Genial S.A., que vem colando sua marca às rodadas Genial/Quaest e transformou pesquisa eleitoral em “termômetro” também para o mercado.
Não é detalhe. Quando banco paga pesquisa, não paga por curiosidade acadêmica. Paga porque o humor do eleitor vira risco político, e risco político vira preço.
A própria Justiça Eleitoral lembra que pesquisas para conhecimento público precisam ser registradas no PesqEle, com regras e informações padronizadas, justamente para dar transparência e permitir contestação quando necessário.
O que a Quaest vai medir
Pelo questionário anexado ao registro, a pesquisa mira três cenários que costumam mexer com a disputa real.
Intenção espontânea, quando o eleitor fala um nome sem lista.
Conhecimento, potencial de voto e rejeição, com nomes e partidos apresentados.
Cenários estimulados de 1º turno e simulações de 2º turno, além de blocos de avaliação de governo, percepção da economia e sentimentos sobre a polarização.
Entre os nomes listados em cenários e testes aparecem Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de governadores e quadros partidários como Ratinho Junior (PSD-PR), Eduardo Leite (PSD-RS), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Romeu Zema (Novo-MG).
Regras e transparência
O pacote do registro descreve checagens de consistência, georreferenciamento e auditorias internas, com checagem de áudio em amostra de questionários.
Também remete ao rito previsto em norma do TSE sobre complementação de informações no período de divulgação, um mecanismo para reduzir “pesquisa caixa-preta” em ano eleitoral.
Por que essa rodada ganha peso político
A janela de divulgação, 11 de fevereiro, cai na semana que antecede o Carnaval. Em Brasília, isso costuma significar menos plenário e mais bastidor.
E bastidor, em ano eleitoral, é onde pesquisa vira munição.
Líderes partidários usam números para empurrar pré-candidatura, fritar adversário interno, forçar composição e, principalmente, vender a ideia de “viabilidade” antes que o eleitor comum esteja sequer prestando atenção.
Pesquisa não é urna
Pesquisa séria ajuda a entender o retrato do momento, não a escrever o resultado final. A pergunta que fica é outra: quem vai tentar mandar na narrativa com os números da véspera do Carnaval, e a serviço de qual projeto de poder.
Bancos fazem farra de pesquisas
e prevalecer a lógica das eleições passadas, os bancos e seus braços financeiros vão dominar a temporada de pesquisas de pré-campanha, não por altruísmo cívico, mas porque número vira ativo político e, no fim da linha, influência também vira negócio.
O caso mais didático foi o Futura em 2022, quando várias rodadas saíram com a etiqueta ModalMais/Futura. Nos próprios relatórios do ModalMais, a contratação aparece de forma explícita, com pesquisa “realizada pela Futura para o Banco Modal S/A”.
Na mesma prateleira de interesses cruzados, o Datafolha integra o Grupo Folha. E o Grupo Folha controla o UOL, que controla a PagSeguro, dona da marca PagBank, segundo relatos de mercado e perfis corporativos amplamente publicados.
Outro exemplo é o Poder360, dono do PoderData, que recebeu investimento com compra de participação por Frederico Trajano, do ecossistema do Magazine Luiza, num movimento que também conecta mídia, pesquisa e capital.
Em 2022, o Blog do Esmael já apontava essa “farra” e o impacto no debate público, quando a vitrine das sondagens passou a ser ocupada por marcas financeiras e seus interesses.
Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.
Leia também no Blog do Esmael: Datafolha mede Lula e direita em pesquisa registrada para quinta; Paraná Pesquisas registra pesquisa presidencial para sexta; Quaest mostra Lula à frente e Flávio como rival direto

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




