O Banco Genial contratou a Quaest para medir a disputa pelo Palácio Iguaçu justamente depois de o Blog do Esmael apontar o sumiço das pesquisas no Paraná após a escolha de Sandro Alex (PSD). O registro no Tribunal Superior Eleitoral é o PR-02588/2026, com 1.104 entrevistas entre 21 e 25 de abril, divulgação prevista para 27 de abril (segunda-feira) e custo de R$ 215.479,57.
O detalhe que fez o mundo político paranaense sentir cheiro de enxofre aparece no meio do questionário. Depois do bloco sobre avaliação do governo Ratinho Junior e do principal problema do estado, entram duas perguntas específicas sobre IPVA: se o eleitor soube de alguma mudança recente no valor do imposto e se considera essa alteração muito positiva, positiva, neutra, negativa ou muito negativa.
Não é um detalhe lateral. No questionário, o tema entra antes do bloco presidencial e no mesmo trecho em que a pesquisa mede aprovação de Ratinho, merecimento para eleger sucessor, impacto do apoio do governador e percepção das notícias sobre o governo estadual. Em linguagem de bastidor, o IPVA não entrou ali por distração.
A presença do Banco Genial como contratante também acendeu o alerta político por outro motivo. Documento do Tribunal de Contas do Estado do Paraná lista o Banco Genial S.A. como autor da avaliação econômico-financeira da Copel e do relatório de detalhamento da modelagem usados no processo de privatização da companhia de energia em 2023.
O extrato do negócio enviado ao Blog do Esmael reforça que essa relação não foi periférica nem informal. Publicado no Diário Oficial do Paraná de 17 de fevereiro de 2023, o resumo do contrato Copel HOL230016 registra a contratação do Banco Genial S.A. pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) para prestação de assessoria, com assinatura em 3 de fevereiro de 2023, vigência de 24 meses e valor de R$ 6.991.200,00. Em linguagem direta, o mesmo banco que agora banca a sondagem da Quaest no Paraná já havia sido contratado, com cifra milionária, no coração da operação que levou à privatização da Copel.

Foi esse elo que o deputado Arilson Chiorato (PT), líder da oposição na Assembleia Legislativa do Paraná, puxou de volta para o debate. Em texto publicado pelo PT do Paraná, ele relacionou o Banco Genial à Operação Carbono Oculto e afirmou que a instituição assessorou a privatização da Copel, usando esse ponto para atacar o modelo de concessões e privatizações do governo Ratinho.
Arilson, que também preside o PT no Paraná, é um dos líderes de uma campanha pela encampação da Copel. O petista e seus companheiros coletam 90 mil assinaturas para um Projeto de Iniciativa Popular (PLIP), que, de acordo com ele, acabaria com apagões e atendimento precário, além de devolver ao povo paranaense o patrimônio usurpado.
Entretanto, o Banco Genial afirma que renunciou à prestação de serviços a um fundo citado na Operação Carbono Oculto. Ao mesmo tempo, o banco declarou que não foi notificado sobre a existência de investigações que o envolvam diretamente.
A comparação de preços também chama atenção. A nova Quaest custará R$ 215.479,57. Tomando como referência os R$ 135 mil do levantamento anterior citado pelo Blog do Esmael, a nova sondagem sai cerca de R$ 80,5 mil mais cara, algo próximo de 60% acima. O número abre a pergunta que já corre no Centro Cívico: a Paraná Pesquisas é barata demais ou a Quaest é cara demais?
O questionário da Quaest também mostra que a pesquisa foi desenhada para medir um Paraná ainda em rearranjo. Sandro Alex aparece nos cenários de primeiro turno contra Sergio Moro (PL), Rafael Greca (MDB), Requião Filho (PDT) e Tony Garcia (DC), enquanto o eleitor é perguntado sobre quem seria o candidato apoiado por Jair Bolsonaro, por Lula e por Ratinho Junior. Ou seja, não é só uma foto de intenção de voto. É um teste de ambiente político.
O que mudou, no fim, foi o silêncio. O Paraná passou dias sem novo registro de pesquisa depois da queda de Guto Silva (PSD) e da entrada de Sandro Alex. Quando a sondagem reapareceu, reapareceu com o Banco Genial na contratação, com IPVA no meio do formulário, a lembrança deletéria da privatização da Copel, e com um custo que salta aos olhos. Em política, às vezes o diabo não está no resultado. Está no questionário.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




