Início / Banco Master

Quaest testa se Vorcaro abriu plano B contra Flávio Bolsonaro

A Quaest registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma pesquisa nacional que vai medir se Banco Master, Daniel Vorcaro, Donald Trump, Pix, tarifaço dos Estados Unidos e facções criminosas já atingiram a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

O levantamento BR-07661/2026 foi contratado pelo Banco Genial, custou R$ 433.255,92 e prevê 2.004 entrevistas presenciais, domiciliares, entre sexta-feira (5) e segunda-feira (8). A divulgação está registrada para 10 de junho. A margem de erro máxima informada é de cerca de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa vai muito além do placar eleitoral. O questionário mede voto espontâneo, conhecimento dos nomes, potencial de voto, rejeição, primeiro turno, segunda opção e cenários de segundo turno. Também pergunta se o eleitor votaria em Flávio Bolsonaro mais para derrotar Lula ou por considerar o senador o melhor candidato.

O cenário de primeiro turno apresentado ao eleitor inclui Aécio Neves, Augusto Cury, Cabo Daciolo, Edmilson Costa, Flávio Bolsonaro, Heró Bezerra, Hertz Dias, Joaquim Barbosa, Lula, Renan Santos, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Samara Martins. No segundo turno, a Quaest testa Lula contra Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado.

A parte mais sensível para o bolsonarismo vem depois. O questionário pergunta se Jair Bolsonaro deveria continuar apoiando Flávio Bolsonaro ou escolher outro candidato a presidente. Em seguida, testa quem poderia substituir o senador: Michelle Bolsonaro, Rogério Marinho, Renan Santos, Romeu Zema ou Ronaldo Caiado.

Esse bloco transforma a pesquisa em termômetro interno da direita. A Quaest não mede apenas se Flávio Bolsonaro perde votos para Lula. Mede se ele começa a perder utilidade como herdeiro eleitoral de Jair Bolsonaro.

O caso Banco Master entra no questionário com perguntas diretas. A Quaest quer saber se o eleitor já conhecia o escândalo, quem teve a imagem mais prejudicada e como recebeu as notícias sobre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O roteiro apresentado ao entrevistado menciona áudios, mensagens e uma visita do senador à casa de Vorcaro quando o ex-banqueiro cumpria prisão domiciliar.

O mesmo enunciado registra a versão de Flávio Bolsonaro, segundo a qual ele negociou com Vorcaro o custeio de um filme sobre Jair Bolsonaro. O questionário também informa ao eleitor que a Polícia Federal investiga repasses de cerca de R$ 61 milhões ligados a essa negociação. Flávio Bolsonaro nega ilegalidade.

A Quaest pergunta se o senador acertou ou errou ao pedir financiamento a Vorcaro, se as conversas foram normais ou levantaram suspeitas, se o eleitor acredita na versão de Flávio Bolsonaro e se a revelação aumenta, diminui ou mantém igual a chance de voto nele. É a medição mais objetiva, até agora, do estrago político do caso.

Trump aparece como outro teste de desgaste. A pesquisa pergunta a opinião do eleitor sobre os Estados Unidos, a imagem de Donald Trump, o conhecimento do encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro e o efeito de um eventual apoio do presidente norte-americano ao senador na disputa brasileira.

A sequência das facções também entra no roteiro. A Quaest pergunta se o eleitor sabia que Trump classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, se o Brasil deveria fazer o mesmo e se Flávio Bolsonaro influenciou a decisão americana.

O questionário ainda mede o medo de intervenção ou interferência dos Estados Unidos no Brasil. Também pergunta se sanções ligadas à classificação de PCC e CV podem prejudicar bancos e empresas que vendem produtos ao mercado americano, inclusive quando houver relação financeira indireta com esses grupos.

O tarifaço fecha o cerco político. A Quaest informa ao entrevistado que os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos brasileiros vendidos aos americanos e uma taxa adicional de cerca de 12% motivada por situações apontadas pelo governo dos EUA como prejudiciais aos seus interesses.

A pesquisa pergunta se o eleitor acha que as tarifas impostas por Trump podem prejudicar sua vida ou a de sua família. Também testa duas versões em confronto: a do governo Lula, de que o tarifaço foi anunciado a pedido de Flávio Bolsonaro para prejudicar o Brasil, e a do senador, que nega a acusação e diz ter pedido a Trump para não taxar o país.

O Pix aparece dentro dessa disputa. O questionário diz que Lula atribui as novas tarifas a uma retaliação dos Estados Unidos ao sistema brasileiro de pagamentos, a pedido de empresas americanas de cartão de crédito que perderam espaço no Brasil. Flávio Bolsonaro, no roteiro, atribui as novas taxas a declarações de Lula contra os Estados Unidos.

O impacto eleitoral dessa pergunta pode ser maior que o debate diplomático. O Pix é usado por trabalhadores, pequenos comerciantes, aposentados, motoristas de aplicativo, famílias de baixa renda e empresas. Se o eleitor associar a ofensiva de Trump a ameaça ao bolso e aos pagamentos do dia a dia, o tema deixa de ser assunto de Brasília.

No Paraná, a leitura passa por exportadores, cooperativas, Porto de Paranaguá, bancos, fintechs, indústria e empresas dependentes de dólar. A pesquisa é nacional, mas o resultado interessa diretamente ao Sul se houver recorte regional, porque o eleitor conservador pode reagir de forma diferente a segurança pública, soberania, tarifa comercial e ameaça ao Pix.

O dado de 10 de junho não deve ser tratado como sentença. Pesquisa eleitoral captura um momento, dentro de metodologia, questionário, margem de erro e ordem de perguntas. Mas o roteiro da Quaest já revela o que está no centro da eleição de 2026: Flávio Bolsonaro será medido ao mesmo tempo como candidato, herdeiro familiar, aliado de Trump e personagem do caso Vorcaro.

Se o resultado mostrar desgaste, a direita terá um problema antes da largada oficial. Se não mostrar, Flávio Bolsonaro ganha fôlego para dizer que a crise ainda não passou das redes, do Congresso e do mercado financeiro.

Leia também no Blog do Esmael: EUA tornam PCC e CV risco para bancos brasileiros; Sanção dos EUA transforma PCC e CV em teste para Lula e Flávio Bolsonaro; Ação na PGR cerca palanque de Moro com Flávio Bolsonaro