Início / Notícias

Institutos seguram mão após Ratinho trocar candidato no Paraná

O sistema público de consulta a pesquisas eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) segue sem exibir, até esta terça-feira (21), um novo registro para a disputa ao Palácio Iguaçu posterior à troca feita por Ratinho Junior (PSD) em sua linha sucessória. O último levantamento de peso em circulação continua sendo a Paraná Pesquisas registrada sob o nº PR-06559/2026, divulgada em 13 de abril. O TSE mantém aberta ao público a consulta aos registros, e as regras de 2026 exigem que pesquisas eleitorais sejam registradas na Justiça Eleitoral desde 1º de janeiro.

Esse vazio não prova, por si só, desinteresse definitivo dos institutos. Mas, nos bastidores da política paranaense, a leitura é que o mercado de pesquisas preferiu esperar antes de sair a campo outra vez. O motivo apontado por interlocutores ouvidos pelo Blog do Esmael é simples: ainda há dúvida real sobre a estabilidade da chapa governista, mesmo depois de Ratinho retirar Guto Silva (PSD) da cabeça de chapa e escalar Sandro Alex (PSD), ex-secretário da Infraestrutura e Logística, para a corrida estadual.

A cautela tem base numérica. Na sondagem da Paraná Pesquisas, Guto aparecia com 3,6% no principal cenário estimulado e com 0,5% na espontânea. Sergio Moro (PL) liderava com 46,0% no cenário principal, enquanto 72,9% dos eleitores ainda diziam não saber em quem votar espontaneamente para governador. Em português claro: Ratinho trocou o nome, mas o quadro geral ainda estava muito aberto quando decidiu empurrar Sandro Alex para a vitrine.

O governo tenta vender Sandro como o rosto da infraestrutura e da Ponte de Guaratuba. O próprio Executivo estadual o exibiu ao lado de Ratinho no anúncio da entrega da obra, marcada para 29 de abril. O ex-secretário foi alçado por Ratinho como “homem da infraestrutura”, com capital político construído em leilões, concessões e obras rodoviárias. No entanto, nos bastidores, Alex também é lembrado como o “homem do pedágio”.

O problema para o Palácio Iguaçu é que essa operação ainda não fechou o jogo. Segundo apuração do Blog do Esmael, daqui a cerca de duas semanas, em Brasília, dirigentes de MDB, PP, União Brasil, Podemos e Republicanos devem discutir uma frente anti-Moro no Paraná e levar ao governador uma proposta alternativa à fórmula Sandro Alex. A ideia em circulação no entorno desse grupo é uma chapa Rafael Greca (MDB)-Alexandre Curi (Republicanos), ou o inverso, num desenho que preserve Ratinho com mais influência sobre o Senado e sobre a costura geral da campanha. A federação entre União Brasil e PP já foi oficializada nacionalmente, e os presidentes desses partidos continuam no centro desse rearranjo.

Curi e Greca cercam Ratinho na sucessão do Paraná. Foto: reprodução
Greca e Curi cercam Ratinho na sucessão do Paraná. Foto: reprodução

É justamente essa possibilidade de reviravolta que ajuda a explicar a mão no freio dos institutos. Se houver chance concreta de substituição, ninguém quer gastar tempo e dinheiro para medir um nome que ainda pode ser descartado antes das convenções. Pelo calendário oficial do TSE, as convenções partidárias vão de 20 de julho a 5 de agosto, e os registros das candidaturas devem ser apresentados até 15 de agosto. Até lá, a política paranaense continuará operando mais no subsolo do que no palanque.

Outro efeito desse hiato é a proliferação de enquetes de rede social e de WhatsApp, tratadas por muitos operadores como se fossem pesquisa eleitoral. Não são. O TSE distingue pesquisa registrada de enquete, e a divulgação de pesquisa sem registro prévio pode gerar multa. Em resumo: enquete pode servir para torcida, ruído ou propaganda de bolha, mas não substitui levantamento com metodologia, amostra, margem de erro e contratante identificados.

A ressaca política de abril, portanto, não é só sobre quem Ratinho escolheu. É sobre quanto tempo esse escolhido resiste. Enquanto o TSE não recebe novo registro para o governo do Paraná, o que cresce nos bastidores é a suspeita de que Sandro Alex ainda está mais próximo de uma solução provisória do que de um desfecho fechado. A eleição segue em aberto, e os institutos, ao que tudo indica, perceberam isso antes de muita gente.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Leia também no Blog do Esmael: Veritá inclui Greca e Cristina em pesquisa no Paraná; Pesquisas invertem liderança e dividem o voto por renda; Gleisi fecha entregas com Pimentel; Moro reúne a direita