Olimpíadas de Tóquio e o resgaste do símbolo da bandeira nacional, por Arilson Chiorato

Olimpíadas de Tóquio e o resgaste do símbolo da bandeira nacional, por Arilson Chiorato

Por Arilson Chiorato*

Desde criança aprendi a ter apreço pelos símbolos nacionais e, sem dúvidas, a bandeira, o verde e o amarelo são grandes referências para os brasileiros e brasileiras. Além das escolas que buscam incutir nas crianças o nacionalismo, o futebol certamente também foi grande responsável por fortalecer este sentimento em várias gerações de brasileiros.

O verde e amarelo, as cores predominantes de nossa bandeira, recentemente foram utilizados por movimentos de direita que buscaram fazer mais do que utilizá-los, mas apropriarem-se daquilo que remonta à nossa cultura e brasilidade. Apropriaram-se das nossas cores, que são comuns, como se estas representassem um campo político. As cores que aprendemos a nos identificar desde pequenos. Tomaram a bandeira como se esta fosse o símbolo de um movimento político, quando na realidade ela é a bandeira do Brasil, que não deve ser associada a grupo A ou B, mas que deve ser reivindicada por quem queira.

Fizeram isso acusando-nos de que a esquerda utiliza bandeiras vermelhas, ora, é fato. É histórico, é uma prática internacionalista, da luta dos trabalhadores, dos camponeses, dos de baixo. Mas isso não quer dizer que em algum momento abrimos mão da bandeira do Brasil e do que ela representa para nós, a defesa de uma nação, de uma cultura diversa, verdadeiramente plural.

A questão é que tanto fizeram que de fato conseguiram associar a bandeira nacional a um pensamento político, conseguiram fazer com que, talvez nosso maior símbolo nacional, fosse automaticamente compreendido enquanto manifestação de um determinado grupo. Porém, já passou da hora de darmos um basta a essa apropriação indevida.

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A utilização da bandeira em atos, independe de orientação ideológica e é completamente legítimo. Mas não podem e não têm o direito de tentarem nos acuar, como se ela não fosse nossa referência. A bandeira do Brasil é do Brasil e dos brasileiros e, convenhamos, faz todo sentido que a utilizemos indiscriminadamente, pois, se há quem defenda os interesses dos brasileiros, quem elevou a moral do Brasil a nível mundial, quem defende a soberania nacional, os povos originários, nossa fauna e nossa flora, nosso povo aguerrido, somos nós.

Que qualquer brasileiro tem o direito de reivindicar a bandeira nacional, isso é um fato. Mas há coerência em utilizá-la e querer entregar nossas riquezas para o grande capital? Há coerência em utilizá-la e bater continência para a bandeira norte-americana? Há coerência entre utilizá-la e defender aqueles que cometem crimes lesa-pátria?

Deixo esta reflexão para os leitores e quero aqui debater também o quanto as Olimpíadas de Tokyo 2020 foram fundamentais para nos devolver este orgulho nacional que há anos não sentíamos. O Brasil tem enfrentado um duro momento de sua história, com desregulamentação de leis trabalhistas, volta ao mapa da fome, aumento das desigualdades, da miséria, redução do poder de compra, entrega de nossas estatais, a morte de mais de meio milhão de pessoas e uma péssima gerência da pandemia, além de tantas outras situações lamentáveis.

O esporte nos devolveu, mesmo que por pouco tempo, o brilho no olhar. A vontade de ser representados por aqueles que empunham nossa bandeira. Foi com as Olimpíadas que vimos milhões de brasileiros voltarem a sentir orgulho do Brasil e esperança de que vamos dar a volta por cima, apesar do Governo que está aí. Foi pela coragem dos atletas, em sua maioria jovens, que pudemos sentir novamente esta sensação de leveza, de orgulho, pois já cansamos de ser motivo de chacota e denúncia nos grandes jornais internacionais.

Além disso, é importante evidenciar que em muitos casos, estes jovens atletas encontraram no esporte a chance de mudar o rumo de suas vidas. O Brasil pode ser uma potência no esporte, em muitas modalidades e mudar a vida de tantas crianças e adolescentes. É fundamental dar mais importância para o esporte, no alto rendimento e também nas bases, pensando a curto, médio e longo prazo. E quando digo isso, não é pensando em medalhas, mas em qualidade de vida, em mudança de paradigma e no quanto podemos trabalhar para mudar as vidas das pessoas. Não basta torcer para quem carrega o nome de nosso país, as nossas cores e nossa bandeira, devemos fazer com que nosso país mude a realidade das pessoas. Este deve ser o espírito do verde e amarelo. Lutar por um país justo e que nos orgulhe.

*Arilson Chiorato, Deputado Estadual, Presidente do PT – Paraná e Mestre em Gestão Urbana pela PUC-PR.