Novo-PR inicia desembarque do projeto Ratinho Júnior

O partido Novo, seção Paraná, começa a se afastar do projeto presidencial do governador Ratinho Júnior (PSD) depois que o advogado Jeffrey Chiquini, principal influencer da agremiação no estado, passou a orientar publicamente um alinhamento total da direita em torno do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o presidente Lula (PT), na esteira da nova rodada da Paraná Pesquisas divulgada na sexta-feira (27).

A pesquisa registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como BR-07974/2026 mostra Ratinho Júnior com 7,6% no cenário de primeiro turno em que Lula lidera com 39,6% e Flávio Bolsonaro aparece com 35,3%.

Mesmo com desempenho baixo no primeiro turno, Ratinho entra no radar por encostar em simulações de segundo turno, o que vinha alimentando, nos bastidores, a tese de “terceira via” na direita. A própria série do levantamento indica Lula com 43,6% e Ratinho com 39,7% em uma disputa de segundo turno, dentro do ambiente de alta competitividade do momento.

Só que, no campo do Novo, Chiquini resolveu bater o martelo na política do “foco único”. Em postagens no X na manhã de sexta-feira (27), ele defendeu “esforço total” para eleger Flávio Bolsonaro e pregou união da direita para derrotar Lula, elevando o tom contra o PT.

O recado, na prática, funciona como ordem-unida para o Novo priorizar o Planalto e rebaixar acordos estaduais, inclusive qualquer arranjo que mantenha o partido preso à canoa de Ratinho Júnior, que está no segundo mandato e termina o governo em 2026.

O pano de fundo é que a mesma pesquisa que dá 7,6% a Ratinho no primeiro turno também traz Romeu Zema (Novo) com 3,8% no cenário testado, reforçando a leitura de que o eleitorado liberal-conservador segue pulverizado e que a direita tende a ser empurrada para uma aposta “majoritária” no segundo turno.

Esse movimento tem custo político no Paraná. Ao defender que a prioridade absoluta seja a Presidência, Chiquini puxa o Novo para uma lógica de bloco, menos programática e mais plebiscitária, o que esvazia o espaço para projetos próprios no estado e pressiona líderes locais a escolher lado.

Vale um ajuste factual: Chiquini suplantou o inelegível Deltan Dallagnol, que teve o mandato cassado em 2023 pelo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nesse sentido, o ex-deputado cassado está inelegível até 2031.

No balanço, o Novo sinaliza que prefere entrar na fila da direita em torno de um nome competitivo no segundo turno, mesmo que isso signifique abandonar, no atacado, o projeto nacional de Ratinho Júnior. Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

One Reply to “Novo-PR inicia desembarque do projeto Ratinho Júnior”

  1. É mentira que Deltan esteja inelegível, a justiça eleitoral do Paraná já se pronunciou em uma ação do PT contra o Deltan, colocando claramente que ele não teve seus direitos políticos cassados na decisão imoral que cassou o mandato dele de dep. federal, as informações estão aí disponíveis para todos, só não coloca quem não está bem intencionado.

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