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Flávio sustenta que TSE garante Dallagnol, mas inelegibilidade trava PL

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) entrou em modo “central de comando” no PL após a Folha revelar um documento interno, com rabiscos à caneta, que lista riscos e oportunidades nos estados e sugere até troca de vice do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo.

As anotações, discutidas na terça-feira (24) numa reunião da cúpula do PL, expõem o que raramente vai para o microfone: quem “puxa para baixo”, quem “puxa para cima”, quem é indispensável no palanque e quem virou problema político antes mesmo de agosto, quando o registro oficial de candidaturas costuma se consolidar.

No topo da primeira página do rascunho, segundo a a publicação, aparece um recado direto, “ligar Tarcísio”. A leitura em Brasília é simples: São Paulo é vitrine, mas também é risco, ainda mais depois de o vice Felício Ramuth (PSD) virar alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro em Andorra, caso que ele nega.

A disputa pelo vice, aliás, ganhou carne e osso com um nome, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado (PL), citado no papel como hipótese para a vaga. A movimentação coincidiu com a agenda de homenagem a Valdemar Costa Neto, articulada na Alesp para sexta-feira (27), num gesto que, no subtexto, sinaliza quem está “fiando” o desenho da chapa paulista.

A Folha também registrou que Flávio convocou, para esta quarta-feira (25), um encontro com bancadas do partido com o objetivo de estancar brigas internas e impor hierarquia à campanha, num momento em que a família Bolsonaro e dirigentes do PL passaram a trocar farpas em público.

Esse pano de fundo ajuda a entender por que um “brainstorm” vira notícia de Estado. Se a casa está em disputa, o mapa dos palanques vira instrumento de poder, quem controla a planilha, controla o enredo.

O rascunho descrito pela Folha mostra descrença com o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), anotado como alguém que “me puxa para baixo”, e levanta o temor de uma corrida congestionada com nomes como Rodrigo Pacheco (PSD) e Cleitinho (Republicanos).

O PL, ali, sinaliza a tentação recorrente de 2026: trocar o candidato “natural” por um nome com melhor aceitação setorial, como o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, citado no papel com a observação de “conversar com Nikolas”.

No Paraná, o documento citado pela Folha aponta o plano de apoiar Filipe Barros (PL) ao Senado e registra que o deputado Fernando Giacobo (PL) “não pode ser candidato (Valdemar)”, indicando o esforço da cúpula para compor no estado do Sul.

O ponto mais ruidoso está no trecho que sugere contar com Deltan Dallagnol para uma das vagas ao Senado. Aqui, o PL esbarra no básico: o Blog do Esmael já mostrou que Dallagnol segue inelegível até 2031, o que transforma “pesquisa” em fumaça quando o filtro é jurídico, não eleitoral.

Tiro, porrada e bomba na reta final da campanha no Paraná
Flávio afirma que TSE garante Dallagnol no Senado do Paraná, mas ex-deputado cassado está inelegível. Reprodução/Folha

Esse contraste é revelador: enquanto a cúpula rabisca cenários, a realidade jurídica pode atropelar a estratégia e obrigar o bolsonarismo a recalcular a chapa no Paraná, onde Barros aparece forte em recortes regionais.

O PL tenta organizar um projeto presidencial com Flávio, mas o documento “situação nos estados” mostra que a campanha depende de costuras finas e, principalmente, de controle interno, porque cada estado tem um cacique, um aliado disputando espaço e um ressentimento pronto para explodir.

Na quadra nacional, a cúpula do PL já trata Flávio Bolsonaro como o nome do bolsonarismo para o Planalto, enquanto Tarcísio de Freitas se move para a reeleição em São Paulo. Por isso a anotação “ligar Tarcísio” não é sobre rivalidade, é sobre alinhamento de palanque, controle de danos e entrega de um estado-chave para o projeto presidencial da direita.

Ao fim e ao cabo, o PL parece querer transformar improviso em engenharia eleitoral, mas as próprias anotações indicam um partido que ainda negocia consigo mesmo. E quando a prioridade vira “enquadrar” aliados, o risco não é só perder palanque, é perder rumo.

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