O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), apresentou nesta quarta-feira, 28 de outubro, à diretoria da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) o plano de enxugamento da máquina estadual. A estrutura atual tem 24 secretarias e deve cair para 20 a partir de 2027.
O encontro ocorreu no Campus da Indústria, em Curitiba, e foi conduzido pelo presidente do Sistema Fiep e vice-governador eleito, Edson Vasconcelos (PL). A pauta incluiu o papel da indústria no crescimento econômico, a composição da equipe de governo e as diretrizes de relacionamento institucional.
Moro prometeu manter o perfil técnico dos escolhidos para as secretarias. Até aqui, foram anunciados dois nomes: Priscilla Santana para a Fazenda e Fátima Gavioli para a Educação. A primeira foi indicada pelos ex-ministros Paulo Guedes e Daniella Marques e comandava a Fazenda do Rio Grande do Sul. A segunda dirigiu a Educação de Rondônia e de Goiás, indicada pelo ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).
A sinalização ao empresariado industrial é política. Ao reduzir secretarias e prometer um canal permanente com o setor produtivo, o governador eleito tenta separar a gestão da disputa eleitoral e construir apoio para a reforma administrativa que precisará enviar à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).
O plano de governo também prevê a criação de uma secretaria anticorrupção, voltada ao controle preventivo no âmbito estadual. A proposta é reduzir custos operacionais e melhorar o ambiente de negócios, segundo a apresentação feita à Fiep.
Na relação com o governo federal, Moro adotou tom apaziguador. Disse que manterá atuação institucional junto à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que dará apoio técnico à bancada paranaense no Congresso Nacional, com orientações sobre o impacto econômico e social dos projetos em votação.
O gesto interessa diretamente ao Paraná. O estado depende de repasses federais, de financiamento para obras e de articulação para pautas como portos, cooperativas e agronegócio. Um canal com a bancada e com o setor industrial funciona como ponte para destravar investimentos e evitar perda de competitividade.
O enxugamento, porém, tem custo político. Cada secretaria extinta mexe com cargos, aliados e bases regionais. A Alep precisa aprovar a nova estrutura, e a base do governo eleito ainda está em formação. O PL passou de 12 para 14 deputados estaduais, e o PSD, do governador Ratinho Junior, segue com bancada relevante, bem como o PT, que elegeu 8 parlamentares.
A Fiep não divulgou documento com compromissos assumidos pelo governador eleito. A promessa de canal direto com a indústria e a redução de secretarias estão no campo das declarações, sem prazo ou texto formal apresentado até aqui.

Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




