Moro desafia Barros e insiste em disputar o governo pelo União Progressista

O senador Sergio Moro (União-PR) decidiu bater de frente com o Progressistas e com parte do próprio União Brasil ao reafirmar, nos bastidores de Brasília, que será candidato ao governo do Paraná em 2026 pela federação União Progressista. A informação foi apurada pelo Blog do Esmael, direto de Brasília, poucas horas após a chegada deste jornalista à capital federal.

Nem bem pisei o solo de Brasília, na manhã desta terça-feira (16), e já circulavam relatos de que Moro desafia abertamente as ordens do deputado Ricardo Barros (PP-PR), principal articulador do Progressistas no estado. O recado é direto: o ex-juiz da Lava Jato não abre mão da cabeça de chapa, mesmo diante de veto expresso do PP.

O movimento, porém, não enfrenta resistência apenas dos progressistas. O Blog do Esmael apurou que o clima também é tenso dentro da bancada federal do União Brasil. Deputados do partido rejeitam apoiar Moro e, em conversas reservadas, afirmam preferir “ver o gramulhão” a subir no palanque do senador. A avaliação é de que Moro não agrega eleitoralmente e ainda cria passivos políticos difíceis de administrar.

Entretanto, há um jogo de morde e assopra dentro da federação União Progressista. O presidente nacional do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PP-PI), que também é vice-presidente da federação, endurece o discurso contra o ex-juiz sob influência do deputado Ricardo Barros. Em sentido oposto, Antônio Rueda, presidente nacional da federação e do União Brasil, adota um tom mais conciliador com Moro. O contraste expõe uma federação longe da unidade e sugere que alguém pode estar sendo enganado por trás das cortinas.

Nos bastidores, um nome aparece como pano de fundo desse bloqueio interno: o governador Ratinho Júnior (PSD). Aliados do Palácio Iguaçu atuam para evitar que Moro se viabilize pela federação, preservando o espaço do grupo governista na sucessão estadual.

Ratinho Júnior tem hoje três pré-candidatos no radar para 2026. O presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi (PSD), o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD-PR), e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD), atual secretário do Desenvolvimento Sustentável. A estratégia oficial é manter o controle do jogo, mas o risco de racha é real e cresce à medida que Ratinho estica a corda.

A insistência do senador em se colocar como candidato da União Progressista embaralha a engenharia política do campo conservador no Paraná. De um lado, o PP de Ricardo Barros fecha a porta. De outro, o União Brasil sinaliza desconforto. No meio do tabuleiro, Ratinho tenta evitar que a disputa interna vire guerra aberta e fragilize o projeto de continuidade no Palácio Iguaçu.

O gesto de Moro, mais uma vez, confirma seu estilo confrontacional. Ao desafiar aliados e ignorar vetos explícitos, o senador aposta na pressão pública para forçar uma definição a seu favor. Resta saber se a federação vai bancar o embate ou se o ex-juiz ficará isolado, como já ocorreu em outras encruzilhadas de sua trajetória política.

Não é de somenos que Sergio Moro tenha ficado isolado ou simplesmente ausente dos principais eventos políticos recentes no Paraná.

Na sexta-feira (13), por exemplo, o palanque era crítico ao governador Ratinho Júnior, mas o ex-juiz não capitalizou politicamente o jantar pelos 69 anos da confraria da Boca Maldita.

Já na segunda-feira (15), durante a filiação do ex-senador Álvaro Dias ao MDB, o eixo se inverteu: Moro novamente não apareceu, enquanto houve superexposição do governador e dos três pré-candidatos do grupo palaciano à sucessão estadual.

Ao insistir em uma candidatura rejeitada por aliados-chave, Sergio Moro testa os limites da União Progressista e tensiona a sucessão paranaense. O movimento pode acelerar um racha no campo governista ou empurrar o senador para um beco sem saída político.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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