Alvaro Dias volta ao MDB ensaiando frente ampla contra Moro

O ex-senador Alvaro Dias reuniu uma frente ampla contra o senador Sergio Moro (União) em Curitiba ao retornar ao MDB, num ato que funcionou como demonstração de força política e recado direto para a disputa pelo Palácio Iguaçu em 2026. A filiação, realizada nesta segunda-feira (15), no restaurante Cascatinha, em Santa Felicidade, transformou-se numa manifestação inequívoca anti-Moro, antigo desafeto desde a eleição de 2022.

O evento superlotou o tradicional restaurante da capital paranaense. Centenas de pessoas se acotovelaram no local, com filas e acesso restrito ao salão principal por causa da muvuca. O público e o prestígio político deram o tom de pré-campanha majoritária, apesar do discurso cauteloso do anfitrião.

Em entrevista ao Blog do Esmael, Alvaro Dias afirmou que sua volta ao MDB não implica necessariamente uma candidatura. Nos bastidores, porém, a apuração indica que o ex-senador deixou claro a aliados que o sucesso do evento seria determinante para definir se disputará o Senado ou o Governo do Paraná. Pelo tamanho do ato, o movimento aponta mais para o Palácio Iguaçu do que para Brasília.

A lista de presenças reforçou o caráter de frente ampla. Participaram o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, um representante do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o governador Ratinho Júnior (PSD), o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná Alexandre Curi (PSD), o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PSD), o secretário estadual das Cidades Guto Silva (PSD) e o prefeito de Curitiba Eduardo Pimentel (PSD). Prefeitos do interior, vereadores, deputados estaduais e federais completaram o cenário de casa cheia.

A ausência mais notada foi a do senador Sergio Moro (União). O ex-juiz da Lava Jato, que também mira o governo estadual em 2026, não apareceu, como era esperado. A relação entre os dois azedou definitivamente em 2022, quando Moro derrotou Alvaro Dias na disputa pelo Senado, episódio ainda tratado como “vaga roubada” por aliados do emedebista.

Desde então, a rivalidade se consolidou. O ato explicitou que Alvaro trabalha para se colocar como polo agregador da centro-direita e de setores do centro político, isolando Moro num campo mais estreito. Não por acaso, outros pré-candidatos ao governo estadual desse espectro passaram a “namorar” politicamente Alvaro, enxergando nele uma alternativa com musculatura eleitoral e trânsito institucional.

O MDB, que busca recuperar protagonismo no Paraná, ofereceu a Alvaro a estrutura e o símbolo partidário. Em troca, ganhou visibilidade e a chance de liderar uma articulação ampla, capaz de dialogar tanto com o Palácio Iguaçu quanto com forças nacionais. A presença de representantes ligados a Alckmin ampliou o sinal de diálogo além das fronteiras partidárias tradicionais.

No cálculo político, Alvaro Dias sabe que o tempo joga a favor de quem demonstra força antes. Ao lotar o Cascatinha e reunir nomes centrais da política paranaense, ele indicou que não voltou ao MDB apenas para um gesto simbólico. O recado foi dado, e Sergio Moro foi o destinatário preferencial.

O ato de filiação mostrou que Alvaro Dias reapareceu no tabuleiro com força real e discurso calculado. Ao reunir aliados diversos e expor o isolamento de Moro, o ex-senador sinaliza que pode ser o eixo de uma recomposição da centro-direita paranaense. A política é feita de gestos, e este foi grande.

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