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Mino Carta, fundador da CartaCapital, morre aos 91 anos

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O jornalista Mino Carta, fundador da revista CartaCapital e referência incontornável da imprensa crítica, morreu nesta terça-feira (2), em São Paulo, aos 91 anos. Ele estava internado havia duas semanas na UTI do Hospital Sírio-Libanês, após um ano de complicações de saúde.

Nascido em Gênova, na Itália, em 1933, Mino veio para o Brasil após a Segunda Guerra Mundial e construiu aqui uma das carreiras mais influentes da comunicação nacional.

Criador de revistas históricas

Foi responsável pela criação de Quatro Rodas (1960), Jornal da Tarde (1966), Veja (1968), IstoÉ (1976) e, por fim, a CartaCapital (1994), onde exerceu até os últimos anos sua visão editorial crítica e independente.

Cada projeto de Mino transformou a imprensa brasileira, introduzindo novas linguagens, diagramas modernos, capas ousadas e pautas que confrontavam o poder.

ditadura-militar”>Resistência à ditadura militar

Durante a ditadura militar, enfrentou censura, pressões e interrogatórios. A Veja sob sua direção publicou a denúncia de 150 casos de tortura em 1968. A edição foi apreendida, e o próprio Mino chegou a ser chamado para depor pelo temido delegado Sérgio Fleury.

Ele recusou-se a aceitar imposições do regime, pediu demissão da Abril e abriu mão de indenizações. Era a escolha clara pela liberdade de expressão.

Relação com a política e Lula

Mino também foi personagem da história política. Na IstoÉ, em 1978, publicou uma das primeiras entrevistas com o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva, em ascensão no ABC paulista.

Mais tarde, seria um dos incentivadores de Lula a participar do comício das Diretas Já, movimento que mobilizou milhões pelo fim da ditadura. A relação entre os dois transformou-se em amizade e admiração mútua.

CartaCapital, trincheira progressista

Fundada em 1994, a CartaCapital nasceu em parceria com amigos e familiares como alternativa às grandes corporações de mídia. Tornou-se um espaço de resistência e análise crítica, sempre em oposição ao neoliberalismo, às oligarquias políticas e à desinformação.

A revista completou 31 anos em 2025, com reportagens marcantes sobre corrupção, privatizações, abusos de poder e golpes contra a democracia.

Intelectual e escritor

Além de jornalista, Mino foi escritor e artista plástico. Publicou romances como Castelo de Âmbar (2000), A Sombra do Silêncio (2003) e A Vida de Mat (2016). Em 2013 lançou o ensaio O Brasil.

Recebeu o título de doutor honoris causa pela Faculdade Cásper Líbero e foi premiado pela Associação dos Correspondentes da Imprensa Estrangeira (ACIE).

Reações e homenagens

Parlamentares e colegas lamentaram a perda. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) destacou “o intelectual refinado e a robustez analítica”. Já a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) o chamou de “gigante do jornalismo brasileiro” que “abriu caminhos” para a resistência democrática.

Adeus a Mino

Com a morte de Mino Carta, o Brasil perde não apenas um jornalista, mas uma referência ética. Sua trajetória prova que é possível desafiar ditaduras, enfrentar censura e criar veículos independentes em defesa da democracia.

Em tempos de desinformação e algoritmos, seu exemplo é ainda mais necessário: jornalismo não é negócio, é missão.

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