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Nubank entra na mira por InvestNews no caso Master

O Nubank entrou no centro de uma cobrança incômoda no caso Banco Master: o grupo é dono do InvestNews, veículo que publica reportagens duras sobre atores da Faria Lima, enquanto sua plataforma aparece entre as que venderam Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Master ao varejo. A pergunta que sobra é direta: quem distribuiu, quem ganhou com a distribuição e quem fiscalizou o risco antes da quebra?

O InvestNews informa em seu próprio site que pertence à Nu Pagamentos S.A., empresa do grupo Nubank. O mesmo aviso diz que os conteúdos são independentes e não sofrem influência das áreas técnicas ou comerciais do grupo.

Essa independência pode existir. Mas, num caso que envolve bancos, corretoras, plataformas, concorrentes, Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e Banco Master, a transparência precisa aparecer na vitrine, não escondida no rodapé.

A cobrança ganhou força depois de reportagem do InvestNews sobre a Latache Capital, gestora ligada a embates societários e a um elo com estruturas citadas nas investigações do Master. O texto afirma que empresas administradas por Renato Azevedo compraram R$ 125 milhões em cotas do fundo Hans II, apontado em documentos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social (CPMI do INSS) como peça de uma cadeia usada para inflar patrimônio ligado ao Master e a Daniel Vorcaro.

O problema para o Nubank é que o próprio grupo não estava fora do balcão. O Correio Braziliense informou, em 20 de novembro de 2025, que XP, BTG Pactual e Nubank comercializaram CDBs emitidos pelo Banco Master, com taxas que chegavam a 150% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), referência usada pelos bancos para remunerar aplicações.

CDB é, em linguagem simples, dinheiro que o investidor empresta a um banco em troca de juros. Quando o banco quebra, o FGC cobre até R$ 250 mil por Cadastro de Pessoa Física (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), por instituição financeira, dentro das regras do fundo.

O Correio também registrou que o Master tinha cerca de 1,6 milhão de clientes com produtos elegíveis à garantia, somando aproximadamente R$ 41 bilhões em depósitos e títulos. A dimensão do rombo tornou a crise uma conta nacional dentro do sistema financeiro.

A Agência Brasil informou, em 5 de março de 2026, que o FGC já havia desembolsado R$ 38,4 bilhões a credores do conglomerado Master, cerca de 94% do total previsto para indenizações. O fundo ainda aprovou antecipação de contribuições dos bancos para recompor caixa.

Não há, nas fontes consultadas pelo Blog do Esmael, um valor público comprovado que mostre quanto o Nubank recebeu em taxas, comissões ou margem pela distribuição dos CDBs do Master. Por isso, o ponto correto deste site não é cravar o lucro. É cobrar a abertura da conta.

Se a plataforma vendeu produto de alto rendimento ao pequeno investidor, deve explicar qual foi o critério de seleção, qual alerta de risco apareceu na tela, qual remuneração recebeu pela distribuição e quando retirou o papel da prateleira.

A mesma regra vale para XP e BTG. O varejo não comprou CDB do Master numa sala fechada com Daniel Vorcaro. Comprou em vitrines digitais de marcas grandes, com reputação suficiente para reduzir a desconfiança do investidor comum.

A outra ponta da cobrança mira Roberto Campos Neto. O ex-presidente do Banco Central, que comandou a autoridade monetária de 2019 a 2024, assumiu no Nubank em 1º de julho de 2025 como vice-chairman, chefe global de políticas públicas e membro não independente do Conselho de Administração da Nu Holdings.

A liquidação do Master ocorreu em novembro de 2025, já sob Gabriel Galípolo no Banco Central. Mas a expansão do modelo de CDBs de alto rendimento, vendido como aplicação protegida pelo FGC, não nasceu no dia da intervenção. O banco cresceu vendendo dívida de alto rendimento coberta pelo fundo garantidor e o colapso colocou cerca de R$ 41 bilhões em possíveis pagamentos do FGC no radar.

Em 9 de fevereiro de 2026, Galípolo defendeu a atuação do Banco Central e disse que o Master tinha menos de 1% dos ativos bancários do país, mas virou caso ruidoso pela venda agressiva de dívida de alto rendimento. Ele afirmou que, na semana da quebra, o banco tinha R$ 4 milhões em caixa, R$ 120 milhões em obrigações de curto prazo e deixou de recolher mais de R$ 2,5 bilhões em depósitos obrigatórios ao Banco Central.

Esses números não absolvem nem condenam Campos Neto. Eles tornam inevitável sua convocação ao debate público.

Se Galípolo precisa explicar a liquidação, Campos Neto precisa explicar a supervisão anterior. Se o Banco Central viu a engrenagem crescer, a pergunta não pode parar no liquidante. Ela precisa chegar ao período em que o Master ganhou escala, vendeu risco com aparência de renda fixa tranquila e ocupou prateleiras de gigantes digitais.

O Nubank, por sua vez, está em posição dupla. É plataforma financeira, foi distribuidora de produto do Master e controla um veículo de jornalismo econômico que cobre concorrentes, gestores, bancos e personagens do mesmo ecossistema.

Isso não proíbe o InvestNews de investigar Faria Lima. Ao contrário, jornalismo deve investigar. Mas obriga o grupo Nubank a tratar conflito de percepção com luz acesa, aviso claro e prestação de contas proporcional ao tamanho de sua marca.

O leitor precisa saber quando lê uma reportagem de um veículo pertencente a um grupo que também atua como banco, corretora, gestora, plataforma de criptoativos, sociedade de crédito e distribuidora de investimentos. O próprio aviso do InvestNews lista essas atividades.

O caso Master derrubou a fantasia de que renda fixa é sempre sinônimo de segurança. Taxa muito acima da média é sinal de risco, não presente do mercado.

A conta chegou ao FGC, aos investidores e aos bancos que agora reforçam o fundo. Falta chegar, com nome e sobrenome, às plataformas que venderam o produto e aos reguladores que deixaram a engrenagem rodar.

O Nubank precisa responder se quer ser apenas dono de mídia quando a reportagem mira os outros, ou se aceita o mesmo escrutínio quando o caso encosta em sua própria prateleira.

E Roberto Campos Neto precisa sair da blindagem dos oligarcas do sistema financeiro e da velha mídia corporativa. O cargo no Nubank tornou a pergunta ainda mais incômoda: o ex-chefe do Banco Central agora está no grupo de uma das plataformas que distribuíram CDBs do Master.

A crise do Master não é só um caso de banco quebrado. É um retrato de como o risco foi empacotado, distribuído e vendido com aparência de normalidade ao pequeno investidor.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

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