O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), empregou em seu gabinete três funcionárias com rotinas incompatíveis com o exercício de cargo público no Legislativo. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, as contratadas atuavam como fisioterapeuta, estudante de medicina e assistente social, sem cumprir a carga horária exigida de 40 horas semanais. Os vínculos já duravam anos e revelam um esquema de possíveis “funcionárias fantasmas” que operava no gabinete desde 2017.
Duas das três servidoras, Gabriela Pagidis e Monique Magno, foram demitidas após a reportagem solicitar esclarecimentos em 8 de julho. A terceira, Louise Lacerda, filha de um ex-vereador aliado de Motta na Paraíba, ainda constava na folha de pagamento até o fechamento da matéria. Os salários, somados aos auxílios, ultrapassaram R$ 112 mil apenas em 2025.
Gabriela Pagidis, filha de uma ex-chefe de gabinete de Motta, atuava como fisioterapeuta em clínicas particulares durante o horário em que deveria cumprir expediente no Congresso. Já Louise cursava medicina em regime integral, incompatível com o cargo de assessora parlamentar. Monique, por sua vez, acumulava funções na Prefeitura de João Pessoa e na Câmara, o que é vedado pelas regras da Casa.
Apesar da gravidade das denúncias, Hugo Motta se limitou a dizer que “preza pelo cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários”, mas se recusou a apresentar registros de ponto ou detalhar as funções das funcionárias. O caso levanta suspeitas sobre o uso de cargos públicos para beneficiar aliados e parentes políticos na Paraíba.
Além das três servidoras com rotinas incompatíveis, a reportagem revelou que o deputado também emprega a ex-sogra de seu pai, Maria do Carmo Brito, que alegou em juízo não possuir renda além da aposentadoria. Mesmo assim, recebe salário e benefícios no gabinete desde 2020.
As denúncias recaem sobre o atual presidente da Câmara num momento de forte desgaste da classe política, aumentando a pressão por transparência na folha de pagamento dos gabinetes parlamentares. Parlamentares ouvidos sob reserva avaliam que o episódio pode manchar a imagem de Motta no comando da Casa, principalmente em meio a disputas internas e negociações orçamentárias.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




