O editorial d’O Globo nesta quinta-feira (15/12) é uma prova inconteste da subserviência e viralatismo da burguesia brasileira, que defende o atraso das forças de produção e a submissão econômica do País às nações mais industrializados do planeta. Um horror, para não dizer um crime de lesa-pátria cometido pela velha mídia corporativa.
No afã de defender a condição de colônia do Brasil, em relação aos países mais ricos, o jornal carioca O Globo – que ostenta a opinião da família Marinho e da Rede Globo – dispara contra o economista Aloizio Mercadante, que foi indicado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a tarefa de reindustrializar o país – cujo processo de desindustrialização se acentua desde o início dos anos 1990.
Para o jornalão carioca, Mercadante é péssima escolha para presidir o BNDES – o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
“Isso ficou evidente no discurso em que Lula anunciou seu nome. Ele disse que, sob Mercadante, economista de ideias desenvolvimentistas, o Brasil voltará a se industrializar. Também afirmou que acabaria com as privatizações. A primeira afirmação é uma quimera, a segunda um retrocesso absurdo”, diz um trecho do editorial.
Não satisfeito, O Globo ainda defendeu a continuidade das privatizações do patrimônio do povo brasileiro – onde os bancos são os principais compradores de ativos, a preço de banana.
“A desindustrialização é uma tendência global. Mesmo nos poucos países que têm mantido constante a participação da indústria no PIB, o emprego no setor cai, em razão do avanço tecnológico. Sonhar com a recuperação da indústria brasileira com a ajuda do BNDES é certeza de jogar dinheiro fora, como tantas vezes já se fez. Melhor seria preparar o país para aproveitar as oportunidades criadas pela disputa comercial entre China e Estados Unidos, com maior abertura do mercado e fechamento de indústrias zumbis mantidas graças a proteções e incentivos”, acreditam os Marinho.
Monteiro Lobato foi combatido e preso por defender a industrialização do País

Esse editorial do Globo lembra muito a burguesia brasileira que se contrapunha a Monteiro Lobato, que, na década de 1930, advogava a existência de jazidas de petréleo no Brasil. No entanto, a imprensa liderava a campanha dizendo que o país deveria importar combustíveis dos EUA ao invés de perder tempo furando poços. Hoje, no entanto, somos um dos maiores produtores do “ouro negro” do mundo.
Na época, empresários brasileiros argumentavam que se houvesse petróleo no país as petrolíferas americanas já teriam descoberto. Monteiro Lobato, por sua vez, suspeitava que os americanos já trabalhavam clandestinamente no mapeamento das áreas petrolíferas.
Na verdade, O Globo – e demais veículos de imprensa da velha mídia corporativa – sonha com um mercado consumidor brasileiro para apenas 60 milhões de brasileiros enquanto 160 milhões de pessoas ficariam à margem da sociedade, como reserva de mão de obra barata, semiescravizadas; uma economia exportadora de commodities e importadora de bugigangas dos países industrializados. É isso, não mais do que isso, que essa burguesia pensa sobre Brasil. Uma lástima.
Os jornalões da velha mídia querem fazer de Aloizio Mercadante um novo Monteiro Lobato, que, inclusive, há 90 anos, foi preso por teimar na industrialização do Brasil, por meio da exploração do petróleo, para manter-se independente e soberano em relação ao estrangeiro.
O Globo faz ode ao atraso e à submissão econômica do Brasil aos países industrializados não por ignorância, burrice, mas porque está atrelado aos banqueiros e à especulação financeira. Não tem compromissos com o país e os brasileiros, a não ser com a própria pança. Portanto, há método e má-fé nesse pensamento arcaico da velha mídia corporativa.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




