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Gilmar Mendes trava ações no país e reacende debate sobre vínculo trabalhista

Pejotização em xeque: Supremo Tribunal Federal paralisa julgamentos no Brasil

Em uma canetada poderosa, o ministro Gilmar Mendes suspendeu nesta semana todas as ações judiciais que tratam da pejotização no país. A decisão abrange milhares de processos em que se discute se há ou não fraude na contratação por meio de pessoa jurídica (PJ), uma prática comum no mercado de trabalho brasileiro, especialmente nos setores de tecnologia, saúde, advocacia e delivery.

O ministro argumenta que a avalanche de ações semelhantes e decisões conflitantes na Justiça do Trabalho causam insegurança jurídica e congestionam o Supremo Tribunal Federal (STF), que passa a funcionar, na prática, como revisor de sentenças trabalhistas.

Entenda o pano de fundo da decisão de Gilmar

A pejotização é um modelo onde o trabalhador, em vez de ser contratado via CLT, cria uma empresa e presta serviços como pessoa jurídica. A prática pode ser legal, desde que não haja elementos típicos de uma relação de emprego — como subordinação, jornada controlada e exclusividade.

Contudo, a fronteira entre autonomia e fraude é tênue. Não raro, empresas impõem regras rígidas e mantêm o controle direto sobre os “prestadores”, criando vínculos disfarçados e driblando direitos como férias, 13º, FGTS e INSS.

Dados do Judiciário mostram a escalada das disputas: só em 2024 já foram abertos mais de 285 mil processos pedindo o reconhecimento de vínculo empregatício.

As engrenagens da disputa: o que está em jogo no STF?

O julgamento do Tema 1389 — com repercussão geral — colocará um ponto final (ou vírgula polêmica) em três questões centrais:

  • Quem deve julgar os casos: Justiça do Trabalho ou Justiça Cível?
  • A contratação por PJ é ilícita ou constitucional?
  • De quem é o ônus da prova: do trabalhador ou da empresa?

Enquanto o STF já declarou válida a divisão livre do trabalho (ADPF 324), a Justiça do Trabalho insiste em reconhecer vínculos formais em casos onde há subordinação e pessoalidade. Esse “choque de jurisprudência” virou campo minado.

Falas que incendiaram o debate

“Há muitas fraudes escondidas sob o manto da pejotização”, afirmou Ricardo Patah, presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores).

“É uma relação entre iguais, desde que o trabalhador não seja hipossuficiente”, rebate Luiz Eduardo Amaral de Mendonça, mestre em direito do trabalho pela USP.

Gilmar Mendes, por sua vez, deixou o recado direto à Justiça do Trabalho:

“O descumprimento sistemático das decisões do STF cria um ambiente de insegurança e transforma o Supremo numa instância revisora”.

Reforma Trabalhista, pós-Dilma

A discussão sobre pejotização remonta à era FHC, ganhou força nos anos 2000 com o avanço da tecnologia, e explodiu de vez após a Reforma Trabalhista de 2017, após a queda da presidente Dilma Rousseff, que abriu ainda mais brechas para modelos “alternativos” de contratação.

Caminhos possíveis a partir de hoje

Com a decisão, todos os processos que discutem a legalidade da pejotização estão congelados, inclusive os que já estavam em fase de execução provisória. Não há previsão de quando o mérito será julgado — o que só aumenta o clima de incerteza para empresas e trabalhadores.

Quem já tem contrato PJ não será afetado por enquanto, mas pode entrar na linha de fogo após o julgamento final do STF.

Perguntas populares sobre pejotização

O que é pejotização?

É a contratação de um trabalhador como pessoa jurídica, sem vínculo formal pela CLT.

A pejotização é ilegal?

Depende. Pode ser legal se não houver subordinação, pessoalidade, habitualidade e remuneração típica de vínculo.

O que muda com a decisão de Gilmar Mendes?

Todos os processos sobre o tema ficam suspensos até julgamento final no STF.

Tenho contrato PJ. Serei afetado?

Não. A suspensão vale apenas para processos judiciais. Contratos em vigor continuam válidos.

Como provar que fui contratado de forma irregular?

É preciso demonstrar que sua relação de trabalho cumpre os quatro critérios da CLT: habitualidade, subordinação, pessoalidade e onerosidade.

Abusos x liberdade contratual

A suspensão determinada por Gilmar Mendes expõe uma tensão antiga entre o STF e a Justiça do Trabalho. Enquanto o Supremo defende a “liberdade contratual”, juízes do trabalho ainda enxergam abusos disfarçados de empreendedorismo.

No meio desse embate jurídico, econômico e ideológico, estão milhões de brasileiros sem carteira assinada, sem estabilidade e sem saber qual será o próximo passo da Justiça.

A pergunta que fica é: o Supremo vai proteger a liberdade ou regular o abuso?


Esmael Morais
Jornalista, advogado e editor do Blog do Esmael. Especialista em bastidores do poder, política e direitos sociais.


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