Início / brasil

Aliados de Moro comemoram queda de Gomyde e Tony Garcia na DC

A direção estadual da Democracia Cristã (DC) no Paraná, presidida por Ricardo Gomyde, foi inativada por decisão do partido em registro validado pela Justiça Eleitoral em 15 de julho de 2026. A mudança enfraquece a pré-candidatura de Tony Garcia ao Palácio Iguaçu e é comemorada por aliados do senador Sergio Moro (PL) como a retirada de um adversário disposto a levar os métodos da Lava Jato aos debates eleitorais.

A certidão de composição completa mostra que o órgão provisório da DC estava vigente desde 2 de fevereiro e tinha validade até 14 de julho. Além do prazo expirado, o documento registra expressamente a situação “inativado por decisão do partido”.

Gomyde aparece como presidente da composição. Os demais integrantes da direção estadual também foram registrados como inativos. A certidão foi emitida às 15h03 de 15 de julho, um dia depois do encerramento da vigência do órgão partidário.

O documento confirma a queda do comando de Gomyde, mas não identifica quem pediu a inativação, não menciona Sergio Moro e não apresenta a composição de uma eventual nova direção estadual. A afirmação de que Moro derrubou o grupo é, neste momento, uma interpretação política defendida pelos aliados do senador, não uma conclusão registrada pela Justiça Eleitoral.

A distinção importa porque a inativação também não cancela automaticamente a pré-candidatura de Tony Garcia. A escolha dos candidatos depende das convenções partidárias, previstas entre 20 de julho e 5 de agosto. A DC ainda poderá constituir outro órgão provisório, submeter o caso à direção nacional ou adotar uma composição diferente para conduzir a convenção no Paraná.

O calendário, porém, trabalha contra Tony. A direção caiu a quatro dias da abertura do período convencional, quando as siglas começam a formalizar candidaturas, coligações e chapas proporcionais. Sem o controle estadual da legenda, o empresário perde a estrutura partidária que sustentava seu projeto contra Moro.

Tony Garcia havia se filiado à DC com o apoio de Gomyde e passou a ser apresentado como pré-candidato ao governo do Paraná. O projeto nasceu com um alvo político declarado: colocar em discussão a atuação de Moro como juiz e as tarefas que Garcia afirma ter executado como informante do sistema de Justiça.

Garcia se apresenta como antigo “agente infiltrado” de Moro e sustenta que recebeu ordens para gravar autoridades e reunir informações. Moro nega as acusações e já atribuiu as declarações do empresário a uma tentativa de vingança. Os relatos de Garcia chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas suas alegações não podem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados.

O peso de Tony na disputa não estava apenas na intenção de voto. Sua pré-candidatura criava a possibilidade de confrontos diretos em entrevistas, sabatinas e debates, com perguntas sobre episódios da trajetória judicial de Moro que o senador prefere manter fora do centro da campanha.

O Blog do Esmael havia registrado, em 25 de maio, as primeiras movimentações para afastar Gomyde do controle da DC. Naquele momento, o grupo de Moro articulava o nome do empresário Fabio Aguayo como alternativa para assumir a legenda no Paraná, aproveitando a crise instalada na direção nacional do partido.

No entanto, o Blog do Esmael apurou nesta quinta-feira (16) que o advogado Jorge Casagrande, ligado a Moro, é cotado para assumir o comando da legenda no Paraná.

A inativação confirma que a ofensiva política avançou, embora ainda não exista documento atribuindo a decisão ao senador ou aos seus aliados. O próximo registro da Justiça Eleitoral será decisivo para mostrar quem assumirá a DC e qual grupo terá poder para convocar a convenção estadual.

Caso uma direção alinhada a Moro seja instalada, o senador ganhará duas vantagens: poderá incorporar a DC ao seu campo político ou, no mínimo, impedir que a legenda ofereça estrutura a Tony Garcia. Para a campanha do PL, retirar Tony dos debates significa eliminar uma voz dedicada a questionar diretamente o legado da Lava Jato.

O Blog do Esmael entrou em contato com Tony Garcia, mas ainda não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação de Garcia e dos integrantes da direção inativada.

A certidão estabelece um fato objetivo: Gomyde já não comanda um órgão partidário vigente. O eventual fim da pré-candidatura de Tony, no entanto, dependerá da nova composição da DC e das decisões tomadas durante as convenções.

Acompanhe no Blog do Esmael a cobertura das eleições de 2026 e da disputa pelo governo do Paraná.

Leia também: