Moro ensaia trocar Gomyde por Aguayo na DC do Paraná
Início / aldo rebelo

Moro ensaia trocar Gomyde por Aguayo na DC

O senador Sergio Moro (PL), pré-candidato ao governo do Paraná, tenta aproveitar o racha nacional da Democracia Cristã (DC) para redesenhar o comando da sigla no estado, após o entrevero entre o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa e o ex-ministro Aldo Rebelo.

Pelo desenho discutido no entorno do ex-juiz da Lava Jato, o sindicalista Fabio Aguayo assumiria a DC no Paraná no lugar de Ricardo Gomyde, que havia sido escalado para montar o palanque estadual ligado a Aldo.

Aguayo não é um nome solto nessa engrenagem. Ele é aliado próximo de Moro, atua no gabinete do senador e aparece nas conversas como possível nome para a chefia da Casa Civil em uma eventual vitória do ex-juiz ao Palácio Iguaçu.

A Casa Civil, traduzindo para o leitor, é a sala de máquinas do governo. É de lá que passam articulação política, relação com deputados, prefeitos, secretários e parte decisiva da pauta enviada à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

A brecha para Moro se abriu quando a direção nacional da DC deslocou Aldo Rebelo e apresentou Joaquim Barbosa como pré-candidato à Presidência da República. O movimento rachou o partido, porque Aldo não recebeu a troca como simples ajuste eleitoral.

Apesar da decisão da DC, Rebelo prometeu lutar pela candidatura ao Planalto até o último minuto.

O choque nacional desorganiza o projeto que Gomyde vinha tentando montar no Paraná. O ex-deputado federal assumiu a presidência estadual da DC com a tarefa de dar palanque a Aldo e discutir candidatura própria ao governo ou outro arranjo majoritário em 2026.

Agora, com Joaquim Barbosa como pré-candidato presidencial pela DC, Moro enxerga uma janela para reduzir a autonomia de Gomyde e aproximar a legenda de sua pré-campanha ao governo. A troca por Aguayo teria esse sentido: colocar no comando estadual alguém de confiança direta do ex-juiz.

Sem ato formal da DC, Aguayo não substitui Gomyde. O fato político, por enquanto, é a articulação. E ela já altera o humor de um partido pequeno, mas útil para quem precisa montar chapa, alojar aliados e negociar apoio político em uma eleição fragmentada.

Para Moro, a DC pode funcionar como peça lateral de contenção e aproximação. Mesmo filiado ao PL, o senador precisa controlar o entorno, neutralizar candidaturas incômodas e impedir que uma legenda em crise vire palanque contra ele no Paraná.

O namoro de Moro com a DC não começou com a crise entre Joaquim Barbosa e Aldo Rebelo. Em fevereiro, o Blog do Esmael já havia registrado que o senador avaliava a legenda como rota possível depois do veto interno à sua candidatura na federação União Progressista, enquanto Gomyde segurava a chave do diretório estadual e da nominata no Paraná.

A diferença é que, naquele momento, a DC aparecia como porto alternativo para Moro. Agora, com a troca de Aldo por Joaquim Barbosa no plano nacional, a legenda virou território de disputa direta no Paraná.

Para Gomyde, a manobra é uma tentativa de esvaziamento. Ele chegou à DC com lastro próprio, relação antiga com Aldo Rebelo e ambição de disputar espaço majoritário. A entrada de Aguayo no radar desloca esse projeto para uma disputa interna de comando.

O detalhe paranaense pesa. A eleição de 2026 no estado não será decidida apenas pela cabeça de chapa. A briga envolve Senado, nominata de deputados, relação com prefeitos, controle de diretórios e promessa de espaço em um eventual governo.

Nesse ponto, Aguayo vira mais do que assessor de Moro. Ele aparece como operador de confiança para travar a DC por dentro e, ao mesmo tempo, manter uma ponte com setores empresariais, sindicais e políticos de Curitiba que já orbitam a pré-campanha do ex-juiz.

A operação também revela um limite da nova fase de Moro. O discurso público fala em segurança, gestão e combate ao PT. O bastidor mostra outra necessidade: dominar partidos, vigiar aliados e impedir que adversários usem a crise da DC para abrir uma frente anti-Moro no Paraná.

A DC saiu do rodapé da eleição e virou território em disputa porque Joaquim Barbosa mexeu na placa nacional, Aldo Rebelo reagiu e Gomyde ficou exposto no Paraná. Moro tenta entrar por essa rachadura com Aguayo na mão.

Se a manobra avançar, o ex-juiz não estará apenas buscando apoio. Estará tentando trocar o comando de uma legenda que, até poucas semanas atrás, servia de abrigo para um palanque alternativo no estado.

Continue acompanhando os bastidores da política e do poder pelo Blog do Esmael.

Siga o Blog do Esmael no WhatsApp

*Requer WhatsApp atualizado. Se não abrir, atualize o app.