O Dia Nacional da Indústria, celebrado nesta segunda-feira (25), cobra dos pré-candidatos do Paraná uma resposta que não cabe em slogan: como reduzir custo de energia, pedágio, crédito, qualificação profissional, maquila paraguaia e reforma tributária sem tratar o parque fabril como peça decorativa de campanha. A Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) informa que o estado é o quarto maior polo industrial do país, com mais de 72 mil empresas representadas e mais de 977,5 mil empregos diretos.
A indústria de transformação amplia o tamanho da cobrança. Com base na Pesquisa Industrial Anual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Paraná tem o terceiro maior Valor de Transformação Industrial do país, com R$ 165,3 bilhões. O indicador mede a riqueza gerada pela indústria ao transformar insumos em produtos.
Isso coloca o senador Sergio Moro (PL), o deputado federal Sandro Alex (PSD), o deputado estadual Requião Filho (PDT) e o deputado estadual Alexandre Curi (Republicanos) diante de uma régua objetiva. Moro, Sandro Alex e Requião Filho aparecem no debate sobre o governo estadual; Curi, segundo o Blog do Esmael e publicação de seu próprio perfil, aceitou disputar o Senado na chapa articulada pelo grupo de Ratinho Junior.
Moro já levou a energia para o centro da disputa. Em pronunciamento no Senado, em 5 de maio, criticou a Companhia Paranaense de Energia (Copel) por falhas no fornecimento, reclamações de moradores e demora no restabelecimento da rede em cidades paranaenses. Para a indústria, falta de luz não é transtorno doméstico. É máquina parada, turno perdido e contrato atrasado.
O limite de Moro está no tamanho do programa. Cobrar a Copel rende confronto com o governo estadual e fala diretamente com empresários, produtores rurais e consumidores. Mas um plano industrial exige mais: tarifa, rede de distribuição, crédito produtivo, inovação, formação técnica, política para exportação e resposta concreta à concorrência do Paraguai.
Sandro Alex entra na pauta pelo caminho da infraestrutura. O PSD confirmou em 30 de abril sua pré-candidatura ao governo do Paraná e o apresentou como nome ligado ao grupo de Ratinho Junior, com passagem pela Secretaria de Infraestrutura e Logística.
Esse currículo vira cobrança. Se a campanha falar em obra, a indústria vai perguntar quanto o pedágio pesa no frete, quais duplicações saem do papel, que estradas ligam produção a porto e quanto tempo o novo modelo de concessões levará para aparecer no custo final. No Paraná, estrada ruim vira imposto invisível sobre cada produto.
Requião Filho tenta ocupar a pauta econômica por outra porta. Em março, lançou a plataforma ICMS Zero para defender a eliminação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre mercadorias e serviços comercializados por micro e pequenas empresas no Paraná. A proposta mira pequenos negócios, empreendedores e parte da cadeia de fornecedores.
O desafio é sair do recorte tributário e alcançar a indústria de transformação. Pequena empresa precisa de alívio, mas fábrica cobra energia previsível, mão de obra qualificada, crédito de longo prazo, segurança jurídica e mercado consumidor. Requião Filho tem uma bandeira compreensível para o eleitor. Ainda precisa conectá-la a uma política industrial completa.
Curi tem ligação direta com a agenda legislativa do setor. Como presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), participou da entrega da Agenda Legislativa da Indústria do Paraná em 2025, documento da Fiep com posições sobre projetos em tramitação na Casa. A própria Alep registrou a entrega do documento no Campus da Indústria, em Curitiba.
Para Curi, a cobrança muda de natureza porque a disputa é pelo Senado. A indústria vai querer saber como ele votaria em temas nacionais que batem no chão de fábrica: reforma tributária, crédito, desoneração, política energética, comércio exterior e regras que afetam a concorrência com países vizinhos.
A maquila paraguaia deixa essa cobrança mais dura. O Blog do Esmael informou que o Paraguai atraiu 232 empresas brasileiras desde 2007 para atuar sob a Lei de Maquila, modelo em que companhias estrangeiras produzem no país vizinho com menor carga tributária e foco em exportação. Também registrou o impacto estimado de 25 mil empregos deslocados do Brasil.
Para Foz do Iguaçu, Cascavel, Toledo e municípios do Oeste, a pergunta não é ideológica. É saber como o Paraná mantém emprego formal, arrecadação municipal e produção local quando empresas atravessam a fronteira em busca de imposto menor, energia barata e regras mais simples.
O governo estadual e a Fiep afirmam que já iniciaram uma resposta institucional. Em março de 2025, a AEN informou que Estado e Fiep preparavam o Plano Paraná/Brasil Indústria, com ações como Qualifica Paraná em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), cursos técnicos no contraturno e incentivo à produção de energia renovável.
Essa iniciativa cria uma pergunta objetiva para 2026. Moro, Sandro Alex, Requião Filho e Curi vão manter, ampliar, revisar ou substituir esse plano? Quem fala em indústria precisa dizer de onde virá o dinheiro, qual secretaria executa, qual meta será medida e qual prazo será cobrado.
A indústria do Paraná não cabe em release de efeméride. Ela chega à eleição com número, emprego, imposto, estrada, energia, fronteira e salário. Quem quiser falar com trabalhador industrial, empresário, fornecedor, transportador e jovem do ensino técnico terá de apresentar plano verificável.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




