Cristina Graeml tenta barrar divulgação de pesquisa da Quaest

Candidata do PMB conseguiu censurar reportagem da rádio Banda B simulando o preço da tarifa de ônibus, caso a proposta dela seja a vencedora no segundo turno

A candidata à prefeitura de Curitiba, Cristina Graeml (PMB), entrou com uma ação nesta quinta-feira (17) para impedir a divulgação da pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto Quaest, contratada pela RPC TV.

A pesquisa está prevista para ser publicada no próximo sábado (19), antes do debate na RICtv, afiliada da Record TV na capital paranaense.

Graeml, ex-funcionária da Globo e colunista da Gazeta do Povo, veículos com os quais mantém vínculos profissionais, questiona a metodologia adotada pelo instituto.

Na representação protocolada na 177ª Zona Eleitoral de Curitiba (nº 0600350-97.2024.6.16.0177), a candidata alega que a pesquisa “deixou de observar a obrigação de indicar com clareza a fonte pública dos dados utilizados no plano amostral”.

A defesa de Graeml, representada pela advogada Tainara Prado Laber, argumenta que o instituto limitou-se a informar fontes genéricas como “TSE – Tribunal Superior Eleitoral – julho/2024” e dados do IBGE, sem especificar detalhes essenciais.

Com base nisso, solicita o indeferimento do registro da pesquisa e a suspensão de sua divulgação.

Além disso, pede a aplicação de multa de R$ 200 mil em caso de desobediência.

A movimentação da campanha de Graeml levanta questionamentos nos bastidores da política na capital paranaense.

Seria uma estratégia para ocultar “derretimento” da campanha ou uma preocupação genuína com a transparência das pesquisas eleitorais?

Além de questionar a pesquisa da Quaest, Cristina Graeml também requereu e a justiça eleitoral determinou que a rádio Banda B excluísse matéria sobre tarifa de ônibus a R$ 23.

A candidata do PMB defende a cobrança de tarifa de ônibus de acordo com a quilometragem, ou seja, quem mora mais loge paga mais caro de quem mora mais perto do centro da cidade, por exemplo.

Há uma evidente tensão na campanha de Graeml, que ficou a semana inteira na defensiva devido às polêmicas de sua campanha.

Vale lembrar que, nesta semana, o Instituto AtlasIntel divulgou uma pesquisa mostrando Eduardo Pimentel (PSD) com 49% das intenções de voto e Cristina Graeml com 44,9%.

Com margem de erro de 3%, os dois estão tecnicamente empatados.

A pesquisa foi registrada sob o número PR-03464/2024 e realizada entre os dias 8 e 13 de outubro, ouvindo 1.203 pessoas pela internet.

Além da pesquisa da Quaest, estão previstas para sábado (19) a divulgação de outros dois levantamentos, dos institutos Radar e IRG.

Ou seja, independentemente da ação movida por Graeml, novas sondagens trarão um panorama atualizado da corrida eleitoral em Curitiba.

O fato de Cristina Graeml questionar uma pesquisa contratada pela RPC TV, afiliada da Globo no Paraná, empresa com a qual já teve vínculo profissional, adiciona mais um tempero a essa história.

Ainda mais considerando que o dono da RPC também é proprietário da Gazeta do Povo, veículo onde Graeml atua como colunista.

Essa teia de relações midiáticas coloca em evidência os bastidores do poder e da comunicação na política local.

A tentativa de barrar a pesquisa pode indicar que a campanha de Graeml está preocupada com os números que serão apresentados ou busca evitar um possível resultado negativo antes do debate na RICtv.

Com o segundo turno se aproximando, as tensões entre as campanhas tendem a aumentar.

A justiça eleitoral deve se manifestar nas próximas horas sobre o pedido de impugnação da pesquisa da Quaest.

Enquanto isso, os eleitores aguardam ansiosos por informações que possam ajudá-los a definir ou reafirmar seus votos.

Independentemente do resultado dessa ação, é fundamental que o processo eleitoral seja conduzido com transparência e respeito às normas vigentes.

As pesquisas eleitorais, quando realizadas de forma séria e transparente, são instrumentos importantes para a democracia, permitindo que a sociedade acompanhe as tendências e reflita sobre suas escolhas.

A movimentação jurídica da candidata Cristina Graeml adiciona mais um capítulo emocionante à disputa pela prefeitura de Curitiba.

Na Boca Maldita, centro nervoso da política em Curitiba, fala-se abertamente que a “vaca foi para o brejo, com corda e tudo”.

O eleitor, mais do que nunca, deve estar atento aos próximos acontecimentos e exercer seu direito de voto de forma consciente.