O Conselho Norueguês da Paz anunciou o cancelamento da cerimônia que celebraria a entrega do Prêmio Nobel da Paz à líder da oposição venezuelana María Corina Machado. A entidade alegou que a escolha da laureada “não está alinhada” com os princípios e valores que o órgão representa.
A decisão, comunicada nesta sexta-feira (24), não altera o resultado da premiação decidido pelo Comitê Norueguês do Nobel, mas retira o tradicional evento paralelo que ocorre em Oslo, conhecido pelo cortejo de tochas e discursos de organizações civis.
Segundo a presidente do conselho, Eline H. Lorentzen, “esta é uma decisão difícil, mas necessária”. Ela declarou que o grupo, formado por 17 organizações independentes, deve “ser fiel aos próprios princípios e ao amplo movimento pela paz que representamos”.
María Corina Machado, de 58 anos, foi anunciada como vencedora do Nobel da Paz em 10 de outubro de 2025. O comitê justificou a escolha pelo “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e na busca de uma transição pacífica da ditadura para a democracia”.
A líder opositora ganhou projeção internacional ao comandar a campanha da oposição nas eleições de 2024, quando o regime de Nicolás Maduro declarou vitória contestada por supostas fraudes. Desde então, María Corina vive escondida para evitar prisão.
O cancelamento do evento em Oslo expõe o desconforto de setores pacifistas com a politização do prêmio. Entidades ligadas ao movimento pela paz criticaram a decisão do comitê, apontando que o reconhecimento a uma liderança apoiada por Washington fere o espírito histórico do Nobel.
O governo venezuelano, por sua vez, ironizou a situação, afirmando que “até os pacifistas da Europa perceberam a manipulação política por trás do prêmio”.
O episódio reacende o debate sobre a credibilidade do Nobel da Paz, já questionada por premiar figuras associadas a agendas geopolíticas. Analistas apontam que o veto à cerimônia simboliza um raro racha entre o comitê oficial e a rede civil que sustenta a imagem moral do prêmio.
O Prêmio Nobel da Paz, criado em 1901, é tradicionalmente entregue em Oslo e inclui medalha, diploma e R$ 6,5 milhões. María Corina dedicou sua conquista ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gesto que ampliou as críticas de que o prêmio se tornou “instrumento de propaganda” ocidental.
O Blog do Esmael já havia registrado que a premiação de María Corina teve “cara de provocação geopolítica”. A suspensão da cerimônia reforça essa leitura: o Nobel da Paz 2025 terminou em guerra simbólica.
O cancelamento da cerimônia do Nobel da Paz de María Corina Machado sinaliza que a Europa pacifista não quer ser coadjuvante na disputa entre Caracas e Washington. O prêmio, criado para honrar a paz, tornou-se espelho das contradições de um mundo dividido entre a diplomacia e o poder.
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Jornalista e Advogado. Especialista em política nacional e bastidores do poder. Desde 2009 é autor do Blog do Esmael.




