Carga tributária atinge 32,4% do PIB, que banca ricaços

O Tesouro Nacional informou nesta sexta-feira (10) que a carga tributária chegou a 32,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, o maior nível da série iniciada em 2010. Traduzindo: de cada R$ 100 produzidos no país, R$ 32,40 ficaram com o Estado na forma de impostos, contribuições e taxas.

O dado assusta à primeira vista.

Mas a pergunta certa não é só quanto o governo arrecada.

A pergunta que pesa no bolso do brasileiro é outra: para onde vai esse dinheiro?

Parte dessa alta tem explicação objetiva. Houve mais emprego formal, mais gente contribuindo para a Previdência e mais recolhimento de tributos ligados à renda e ao crédito. Ou seja, a arrecadação subiu também porque mais brasileiros entraram ou permaneceram no mercado formal.

Só que isso não resolveu a vida de quem trabalha.

O brasileiro continua espremido entre comida cara, crédito caro e prestação alta. A sensação de aperto permanece porque uma fatia brutal do orçamento público segue drenada pelos juros da dívida, uma engrenagem que enriquece o topo do sistema financeiro e trava investimento, consumo e produção.

É aí que mora o nó da economia brasileira.

O debate público costuma apontar o dedo apenas para a carga tributária, como se o problema começasse e terminasse no imposto. Não termina. O peso maior está no custo do dinheiro. Com juros elevados, empresas investem menos, famílias compram menos e o Estado paga mais para remunerar os donos de títulos da dívida pública.

Na prática, a conta fecha para os oligarcas do sistema financeiro.

A Faria Lima ganha com a renda do papel. A velha mídia trata isso como normalidade técnica. E o país real segue rodando com freio de mão puxado.

Por isso, o recorde de 32,4% do PIB não deve ser lido só como sinal de apetite arrecadatório do Estado. Ele precisa ser lido junto com a outra ponta da tesoura: o dinheiro que sai do caixa público para sustentar juros altos e um modelo que premia a especulação mais do que o trabalho e a produção.

O Brasil arrecada mais.

Mas o povo não sente alívio.

Sem mexer na lógica que protege o rentismo, o país continuará preso ao mesmo círculo: imposto alto, crédito caro, crescimento fraco e renda curta na base da sociedade.

Nos tempos do Brasil colônia, a Coroa arrancava o quinto. Em 2026, a engrenagem mudou de nome, ganhou planilhas, relatórios e comentaristas de mercado, mas continua sugando riqueza de baixo para cima.

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