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Câmara envia à Corregedoria denúncias contra deputados bolsonaristas

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A crise no Plenário da Câmara dos Deputados ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (8), quando a Mesa Diretora decidiu encaminhar à Corregedoria Parlamentar todas as denúncias envolvendo o protesto da oposição contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), realizado nos dias 5 e 6 de agosto. A medida abre caminho para apuração formal das condutas e eventual aplicação de sanções.

Segundo nota da Secretaria-Geral da Mesa (SGM), a decisão foi tomada para permitir a “devida análise” das ações praticadas por parlamentares durante a obstrução física dos trabalhos legislativos. A Corregedoria será responsável por ouvir os envolvidos e elaborar parecer.

O episódio que motivou as representações teve momentos de tensão: deputados subiram à Mesa da Presidência, bloquearam acessos e interromperam votações em protesto contra a prisão de Bolsonaro.

Motivos da ocupação

A ação foi articulada por parlamentares bolsonaristas em reação à ordem do Supremo Tribunal Federal que colocou Bolsonaro em prisão domiciliar, sob acusação de participação em uma trama golpista para subverter o resultado das eleições de 2022. Para os aliados do ex-presidente, a medida é política e injusta. A ocupação da Câmara foi apresentada como forma de “resistência” e “denúncia” contra o que chamam de perseguição judicial, mas, na prática, resultou na paralisação dos trabalhos legislativos e na escalada da tensão entre governo e oposição.

Pedido de suspensão de mandatos

As principais ações contra os parlamentares partiram do líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), que protocolou cinco pedidos de abertura de processos disciplinares e suspensão cautelar de seis meses dos mandatos. As representações foram assinadas também pelos líderes do PSB e do Psol, além de outros parlamentares.

Entre os acusados estão quatro deputados do PL — Marcos Polon (MS), Paulo Bilynskyi (SP), Júlia Zanatta (SC) e Zé Trovão (SC) — e um do Novo, Marcel van Hatten (RS). As acusações variam de invasão da cadeira da Presidência e obstrução física do Plenário até agressão a jornalista e uso de criança em ambiente de risco.

Próximos passos

Caso a Mesa Diretora acate as representações, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar será responsável por julgar os casos. Este ano, o colegiado já puniu dois deputados com suspensão de mandato: Gilvan da Federal (PL-ES), que voltou ao cargo em 4 de agosto, e André Janones (Avante-MG), afastado até 12 de outubro.

O desfecho dessa disputa pode ampliar o clima de polarização política dentro da Câmara, reacendendo embates sobre os limites da atuação parlamentar e a responsabilidade de líderes políticos no acirramento institucional.

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