Brasil 247 e Folha disputam narrativa sobre a facada em Bolsonaro nas eleições de 2018

Primeiramente, um esclarecimento: a Folha não é jornal nem aqui, nem na China. Há muito, é um banco – o PagBank – que especula com as notícias, lucra com a desinformação, ganha dinheiro com chantagens e participa de golpes de Estado. Vide sua contribuição para a ditadura militar, que durou entre 1964 e 1985, e a derrubada da presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016, que culminou com a ascensão de Michel Temer (MDB) e pavimentou a chegada de Jair Bolsonaro (PL), em 2018. Aliás, foi nesse último governo que o lucro do banco da Folha explodiu em ganhos.

Feito esse esclarecimento inicial, o ex-jornalão paulistano, que é um banco, trava uma disputa de narrativa com o portal Brasil 247. De forma recorrente, a Folha dispara contra documentário produzido em 2021 pelo jornalista Joaquim de Carvalho, finalista do Prêmio Comunique-se do mesmo ano como um dos maiores jornalistas investigativos do Brasil, sobre o evento ocorrido com Jair Bolsonaro na cidade de Juiz de Fora, em 2018, às vésperas da eleição presidencial daquele ano.

[Em setembro de 2021, Folha já havia partido para cima do Brasil 247: que facada foi essa? (vídeo) – Documentário magoa jornalão paulistano]

Nesta terça-feira (27/12), o ataque veio da pena do colunista Fábio Zanini, que edita a coluna Painel da Folha de S. Paulo.

No documentário “Bolsonaro e Adélio: uma fakeada no coração do Brasil“, Joaquim de Carvalho não nega que Bolsonaro tenha sofrido uma facada na cidade de Juiz de Fora, mas contesta de forma jornalística e responsável, a partir de vários depoimentos coletados, a narrativa oficial sobre o caso e diz que a hipótese de um autoatentado não foi devidamente investigada pela Polícia Federal.

As descobertas de Joaquim de Carvalho foram elogiadas por jornalistas profissionais sérios, como o prestigiado repórter José Nêumanne, em coluna publicada no jornal Estado de S. Paulo, na época. “O jornalista Joaquim de Carvalho divulgou no site 247, em que assina uma coluna, um documentário meticuloso, no qual levanta dúvidas consistentes sobre a facada de que o candidato eleito em 2018 se diz vítima por um ex-militante do PSOL em comício em Juiz de Fora, em 6 de setembro de 2018, durante a campanha”, escreveu Nêumanne.

Em seu texto na Folha de S. Paulo, Fábio Zanini, que já manteve um blog chamado “Saída pela Direita”encerrado pela Folha em janeiro de 2022, que Paulo Pimenta seria adepto de “teorias conspiratórias”, talvez com o objetivo de rotular o deputado federal, que é jornalista profissional, como uma pessoa não qualificada para o cargo que controla a comunicação pública no Brasil. 

Nome mais cotado para assumir a Secretaria de Comunicação Social do governo Lula, o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) é um adepto da teoria conspiratória que questiona a facada sofrida pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Em diversas postagens em redes sociais, Pimenta referiu-se ao atentado como ‘fakeada’ e escreveu a palavra facada entre aspas. Também compartilhou textos relativos a um documentário produzido no ano passado por um site pró-Lula que coloca em dúvida a ocorrência da agressão”, escreveu o jornalista da Folha, lembrando uma declaração do deputado, feita naquele ano, que apenas cobrava investigatigações mais aprofundadas sobre o caso. “Creio que existem indícios e perguntas sem respostas que devem ser esclarecidas”, disse ele à Folha em setembro de 2021.

O Blog do Esmael se solidariza com o Brasil 247 e o jornalista Joaquim de Carvalho.

LEIA TAMBÉM